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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cariocas: Conheçam esse herói incomum.




Um herói incomum.


O apartamento na Av. Toneleiros 88 ficou vazio. O escritório na Praça da República abriga hoje a produtora de um dos seus filhos.



Contar toda a história desse grande vendedor que enriqueceu muita gente graúda nesse país, não caberia nesse texto.


Herói em primeiro lugar, por ter rodado o país (do Oiapoque ao Chuí) em um tempo difícil, sem estradas, sem os recursos de hoje, para vender e criar os filhos do casal (Ivo e Erika Braum Requião), três rapazes, enquanto grupos econômicos enriqueciam ( ele não se queixava) do seu trabalho árduo e criativo. Ele vendia e muito.


Não direi quais grupos, embora alguns, em homenagem, depositem até a presente data, suas comissões tão suadas, num ato de gratidão. Eles sabem de quem falo.


Herói e aventureiro, nascido em Prudentópolis no Paraná em 1904, ainda menino, carregava em um caminhãozinho seu piano, para completar e servir a Banda “Zampirone” nas frias madrugadas curitibanas. Pouco mais que menino, revólver no cinto corria nos interiores do Paraná como representante comercial, profissão que dedicou sua vida inteira. Jovem de pouca idade (26) alistou-se na Revolução de 1930, e foi dos poucos que tiveram o batismo de fogo. Orgulhava-se da profunda cicatriz que lhe transpassou o abdomem.
Importante na Sociedade Carioca porque foi fundador do Iate Clube do Rio de Janeiro e do Clube Graciosa em Curitiba. Importante no Brasil, pois tinha amigos em todo o país. Esse era Ivo Requião, tio do Governador Requião e o mais engraçado dos irmão de minha mãe. Ativo, alegre, amigo de artistas e magnatas, trabalhador incansável que levava presentes para os operários das fábricas para as quais trabalhava. Do trabalho deles, ele dizia, eu ganho o meu.


Dele ganhei meu primeiro automóvel. E também o segundo.


Nele (no carro) os mendigos do Rio dormiam à noite e algumas vezes ele ( meu tio)tomava um taxi, para não acordá-los. Ivo Requião, que figura, quem o conheceu pode comprovar, era um barato. Um circo parecia pouco espaço para ele quando estava inspirado. Não posso me esquecer de sua imagem descendo de um avião no Afonso Penna, solene com seu nariz de palhaço, aquela bolinha vermelha usada em circo, tranqüilo e altivo, na sua calça branca de linho e sua camisa colorida, entre mulheres de chapéu e plumas, e empresários orgulhosos.


Ria-se, pois a vida muitas vezes, lhe parecia uma palhaçada e uma injustiça.
O primeiro conjunto de fotos acima o revela como o soldado em 1930. A segunda foto isolada mostra o jovem vendedor (anteriormente à revolução) viajando a trabalho nos anos difíceis, entre 1922 e 1928. Ivo Requião foi exímio pianista, como sua avó ( Gertrudes Lopez), sua mãe (Cristiana Keinert) e sua irmã Luiza Requião.
Ivo Requião é o primeiro da esquerda para a direita, com o chapéu e poncho. Região de Guarapuava, data incerta.
Repito, herói, natural de Prudentópolis que conhecia todos os cantinhos do país.


Certa vez, ao fazer uma viagem em motocicleta de Curitiba ao Canadá, escrevi para ele da pequena Tegucigalpa na América Central. Disse eu: Meu tio eu percorri alguns milhares de quilômetros, mas nada se compara aos pares de sapato que você gastou e furou para encher a barriga de seus guris. Soube depois que ele chorou.


Para ele, eu era o herói. Imaginem só!
Ivo Requião, berço de ouro, construído por ele, com as próprias mãos.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Grupo 23 de Outubro.


Nova postagem do Grupo de Estudos G 23 ( Curitiba Paraná Brazil)
Conheça o G23 Presidente

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tio do Governador Requião foi prefeito de duas cidades brasileiras.


O médico Justiniano de Mello e Silva, curitibano, foi prefeito de duas cidades brasileiras, uma em Minas Gerais e outra no Espirito Santo. Justiniano, irmão do pai do governador Requião, foi Prefeito de Ipanema ( MG) e Colatina (ES). Foi eleito duas vezes para exercer a prefeitura de Colatina e uma para exercer a prefeitura de José Pedro, hoje Ipanema.
Clique sobre a imagem para poder ler.

Ele também foi Jornalista.Quem? O pai do Governador.















O Pai do Governador Requião, curitibano, foi médico formado em Belo Horizonte( Turma de 1934), Prefeito de Curitiba em 1951, Vereador em 1946/49, e Jornalista no Estado do Espirito Santo, onde fundou e dirigiu o Jornal A Tribuna de Vitória, cujo exemplar de 1938 mostramos .
Reparem no nome do Diretor, e a notícia ao lado esquerdo do Jornal.
E sua carteira profissional de JORNALISTA ( 1938).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O Patriarca Requião em nova versão.

O Patriarca Requião em nova versão.via grupog23 de Grupo G23 em 15/09/08
O Patriarca Requião.
Embora seja o primeiro dos Requião a chegar ao Paraná, Luiz Antônio Requião, o patriarca, cuja vida, em alguns aspectos continua nebulosa, é o motivo principal quer tenho para elaboração desse artigo. Lançar alguma luz.Luiz Antônio é o bisavô do Governador Roberto Requião pela linha materna. Pai, portanto, de Euclides Requião, avô pela linha materna, do Governador.Dele não se conhece imagem. Ele era um Abraão, um homem que deixou tudo, e veio para a “Terra Prometida”, o Paraná, embora, não por uma promessa de Deus, mas a serviço da Igreja e do Imperador Dom Pedro II. Era natural da Bahia. Assumiu o Posto de Inspetor Geral de Rendas Publicas do Governo Imperial, algo como Coletor de Impostos, tomando posse, conforme documento original, em 17 de Junho de 1849, na nossa, então, 5a Comarca de São Paulo. Embora haja uma insegurança nessa data, que pela grafia do documento, tanto pode ser 1849 ou 1879, e trinta anos fazem diferença. Fazem diferença porque a primeira diz respeito ao período histórico anterior a emancipação do Paraná e a segunda é posterior, embora ambas, ainda no período imperial. Advogo que seja a primeira, pois tendo casado em 1861 haveria, Luiz Antônio, de estar empregado e seguro. Nunca pude saber se veio ao Paraná, em nome da Igreja, ou se veio assumir o tal cargo do Império.Um número considerável de documentos assinados por ele, existentes no Arquivo Público do Paraná, sugerem que ele informava as estatísticas da Comarca, dando ciência ao imperador, ou aos seus servidores mais graduados, e coletava os impostos. Se tomarmos como exatos os numero que nos trazem as anotações do historiador Romário Martins, podemos aquilatar a importância que haveria de ter tal cidadão. O Paraná todo, possuía então, (1858) 69.380 (sessenta e nove mil e trezentos e oitenta) habitantes e inexistia estrada transitável por rodas. A região de Curitiba tinha cerca de 6000 almas, e nesse contexto, um Coletor Imperial haveria de ter sua importância social.
Desde 1811, com a atuação de Pedro Joaquim Correia de Sá, o Paraná ansiava pela emancipação. Embora houvesse outros movimentos emancipatorios, como o de Bento Viana em 1821, ou a Revolução Liberal de 1842, foi mesmo no Senado Imperial, que se resolveu a emancipação de nosso Estado. Não seria temerário afirmar, que desses informes e impostos transferidos, por Luiz Antônio Requião, algo de positivo possa ter tido peso e influência na questão da emancipação, que foi como já disse, ato eminentemente político, liberando, ao menos administrativamente, o nosso estado, do seu vizinho São Paulo. Embora a emancipação política de nosso estado tenha ocorrido em 1853, sob o ponto de vista econômico, nosso estado continua sendo sugado, pelo estado vizinho, que faz o papel de um mini EUA, dentro do Brasil. Os paranaenses não parecem ter perfeita consciência desse fenômeno, que faz e mantém o Paraná um escravo do estado vizinho.Antiga tradição familiar nos conta, porém, que ao chegar ao Paraná, Luiz Antônio, era ainda um “Formigão”, um seminarista que portava o habito religioso carmelita sem ter feito, no entanto, seus votos permanentes. O uso de seminaristas no serviço do Império era algo comum, pois esses eram primorosamente alfabetizados, conheciam o latim, contabilidade, e humanidades, além, é claro, de noções do direito Eclesial e Civil. Alguns padres tiveram vida notável na política do Paraná como, por Exemplo, o Pe. Francisco Chagas Lima, e, na verdade, em todo o Brasil. Luiz Antônio, diferentemente, não fez carreira sacerdotal, casando-se, como já dissemos, em 1861 com uma das filhas de Cândido Martins Lopes, fundador de nosso primeiro jornal.Cláudio Veiga, atual presidente da Academia Baiana de Letras, em recente livro sobre a vida do deputado e empresário da imprensa baiana, Altamirano Requião, o emérito fundador e proprietário do prestigiado jornal baiano “Diário de Noticias”; relatando um pouco de seus familiares e antepassados baianos que se espalharam pelo Brasil, nos dá algumas pistas sobre a localidade de origem de Luiz Antônio Requião. Município de Cachoeira, na Bahia, seria o seu verdadeiro berço.Sabemos, pela “Genealogia Paranaense”, de Francisco Negrão, que era filho de seu homônimo, Luiz Antônio Requião e Constância Maria Dias, ambos baianos. Casou-se em 31 Agosto de 1861, em Curitiba, com a jovem Gertrudes da Silva Lopes, ela era natural do Rio e uma (a quarta) entre os dez filhos de Cândido Martins Lopes. Cândido tipografo, jornalista, Juiz de Paz, e chefe de policia, era o prestigiado fundador do primeiro jornal do Paraná emancipado: “O Dezenove de Dezembro”. Gertrudes Lopes, agora senhora Luiz Antônio Requião, era pianista. Pequenina, um dos seus sapatos, guardado pela família, é quase um sapato de criança, embora tenha tido ela, grande vigor e muitos filhos.Seus oito filhos:(1) Edmundo Requião, nascido em 9 de Agosto de 1862 e casado com Francisca Leal Requião em 24 de Dezembro de 1887. Foi comerciante em Paranaguá e Foz do Iguaçu. (paira sobre ele se era ou não militar, (Major telegrafísta), pois seu nome esta ligado a história da fundação da cidade de Prudentópolis e da Vila Militar de Foz do Iguaçu). Seu nome é encontrado também na ata de fundação da Santa Casa de Misericórdia em Curitiba, e na história dos primórdios de Foz do Iguaçu. Francisco Negrão, no entanto, em obra de 1934, o apresenta como prospero comerciante em Foz e Paranaguá.Tiveram três filhos.(2) Virgílio Requião casado com Rosa Gonçalves Guimarães Requião. Virgílio Requião era homem tão forte que estourava uma maçã, apenas apertando-a com a mão.(3) Constança Requião, falecida em 1881.(4) Getúlio Requião, casado com Cândida Pereira Requião.(5) Euclides (Lopes) Requião (Avô Materno do Governador) casado em 26 de Dezembro de 1900, em Guarapuava com Cristhiana Keinert. Teve próspero comercio em Curitiba, gráfica em Guarapuava e Hotel em Prudentópolis. Faz parte, com Lívio Moreira, e outros, dos históricos fundadores da Radio Clube Paranaense, a primeira radio do Estado. Tiveram oito filhos.(6) Aníbal Requião (Patrono do Cinema no Paraná, fundador do Cine Smart) casado em 15 de Junho de 1897 com Carolina Correia Requião ela filha do Comendador Prisciliano Correia. Aníbal foi o autor das primeiras imagens cinematográficas das Cataratas do Iguaçu e Sete Quedas, fundador das Papelarias Requião, da Livraria Econômica, da Casa Vítrix, e do primeiro cinema do Paraná, que era, seis anos anterior ao célebre cinema de Francisco Serrador.Tiveram três filhos.(7) Judith Requião, solteira.(8) Esther Requião Von Meien ( a garota que recebeu Dom Pedro II em 1880, conforme registrou a imprensa, e o acompanhou em sua carruagem do Caminho da Graciosa ao Palácio Avenida ( Rua das Flores com Rua da Liberdade) que era a sede do Governo); ela viúva de Artur von Meien. Fundaram, em Curitiba a Casa Cristal.Tiveram oito filhos.
Desses oito filhos de Luiz Antônio Requião, e netos, obviamente, descendem, praticamente todos os Requião do Paraná.
Wallace Requião de Mello e Silva.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Só para quem se interessa pela história do Paraná.

( o texto será reescrito)

História dos parentes políticos do governador Requião.
via grupog23 de Grupo G23 em 03/09/08

Dr. Justiniano de Mello e Silva.
(Militante da Imprensa Nacional)
Todos conhecem o adágio: “Santo de casa não faz milagres”. Pois bem, toda vez que levo ao conhecimento do governador um texto sobre algum de nossos antepassados comuns, ele comenta: “bobagem, além de nós ninguém liga para isso”. E eu guardo os textos que mofam nas gavetas. Dessa vez eu insisto.
Parece que Justiniano, e eu, somos “santos de casa”, e não conseguimos vencer as “Resistências” que condenaram o enigmático Dr. Justiniano ao esquecimento e a incompreensão.
Desta feita, farei o inverso. É obvio que todo bom livro de História trás algum testemunho biográfico ou resenhas sobre personagens da vida nacional, portanto as pessoas se interessam sim, tanto pelo passado, como pela história, muito mais, quando pesa sobre uma dada personalidade o interesse de gerações.

Mas nesse artigo eu escrevo especificamente para quem se interessa pela História da Imprensa no Paraná.

O Dr. Justiniano, não é uma pessoa importante na família e para a família, é uma pessoa importante na história do país, um farol, um militante da imprensa nacional, um etimólogo e filólogo, um especialista em história antiga, com artigos publicados no Recife, em Aracaju, em Curitiba, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, em Córdoba na Argentina. Foi Secretário de Estado da Educação no Paraná, deputado, e declinou de ser o Presidente da Província do Maranhão para onde fora indicado.( ver Maria Nicolas).

Então quem ( além de familiares) nos dá testemunho do saber desse sergipano e curitibano por opção?

Podemos começar por Osvaldo Pilotto, Ernani Costa Straube (Em “Do Licêo de Coritiba ao Colégio Estadual do Paraná”) David Carneiro; deputado Alencar Guimarães (em Anais da Câmara Federal, 1905); Ermelino de Leão, Darío Velozo, Leôncio Correa, Albino Silva, Domingos Nascimento, Silveira Neto, Antonio Braga, Emiliano Perneta, Candido Lopes (proprietário do primeiro jornal do Paraná, (já havia falecido em 1871, portanto o famoso jornal deveria ser dirigido por Jesuíno Lopes, filho de Cândido quando Justiniano ali escreveu); (o Dezenove de Dezembro funcionou até 1897), Rosy de Sá Cardoso, Maria Nicolas ( Cem anos de vida Parlamentar), Julia Wanderley Pretrich, Cecília Westephalen, Temístocles Linhares. No Sergipe o escritor Jeson Barreto, o jornalista Acrísio Torres (Gazeta do Sergipe 31 de Maio de 1977), o historiador Luiz Antonio Barreto, o histórico e famoso, deputado federal Fausto Cardoso (Jornal do Sergipe 16/11/1905) e Rollemberg Dantas ( prestigiado escritor sergipano). Em Pernambuco o famoso e histórico escritor Sylvio Romero que escrevia com Justiniano no jornal “A Crença” do Recife em 1870. No Rio, o célebre Jackson de Figueredo (em “Inquietação Moderna”, 1922, Editora Centro Dom Vital). Em Porto Alegre e Córdoba, fico devendo, infelizmente ainda aguardo correspondência de pesquisa que encomendei. ( ao Centro de Estudos do MERCOSUL e à Biblioteca Publica de Porto Alegre...gauchos preciso de ajuda!).

Dr. Justiniano de Mello e Silva estudou Direito no Recife, e Ciências Sociais em Córdoba na Argentina, (1875). Foi lente de inglês no Ateneu Sergipano, Diretor do Ginásio Paranaense e do Instituto de Educação, Inspetor Geral de Ensino Público, Secretário de Educação no governo de Lamenha Lins, deputado em (4) legislaturas ( bianauais), funcionário do Ministério da Fazenda, Diretoria de Rendas Internas no Rio de Janeiro. Faleceu em Colatina no estado do Espírito Santo. Colaborou com o jornal “A Arte”, um periódico publicado pela Escola de Desenho Arte e Pintura de Antonio Mariano de Lima (1888) onde escrevia com Pâmphilo de Assunpção, Emiliano Perneta e João Pereira Lago. Colaborou com a Revista Azul (1892) de Leôncio Correia, onde em diversos números publicou a serie “O amor materno e a educação dos instintos”. Foi o iniciador da cadeira de Pedagogia no Paraná (Maria Nicolas pg 130). Fundou redatoriou e bem orientou no Paraná, alguns jornais: O 25 de Março (1876); O Paranaense (1879); O Jornal do Comércio (1883); O Sete de Março (1886/89). Além de matérias esparsas deixou livro de poesia; Leis da Educação; Direito Constitucional; História da Revolução no Paraná (1894); Fetichismo e Idolatria; e um tratado filosofico-hitórico ( dois volumes 1400 páginas). Sua mais importante obra foi “Nova Luz Sobre o Passado”, dois volumes, de 700 paginas cada, (Imprensa Nacional, Rio, 1905), cuja obra foi uma das ultimas paixões de Paulo Leminski que a encontrou incompleta na biblioteca do Instituto Neopitagórico.( eu tenho a obra completa).

É Ermelino de Leão, e posteriormente Maria Nicolas que registram sua passagem pela imprensa gaúcha, cujas provas textuais estou pesquisando. Seu diploma da Universidade de Córdoba encontra-se em Curitiba em poder de parentes: “Doutor em Ciências Sociais e Jurídicas, 1875”. Era membro do Colégio Abolicionista Paranaense, cujo discurso histórico está registrado no Boletim do Arquivo Público do Paraná.

Julia Wanderlei ( historiadora) nos conta que foi ele, no comando da educação do estado, que autorizou às mulheres a matrícula no curso “Normal” anteriormente somente reservada aos homens, em resposta a uma solicitação dela, Julia Wanderlei, e de outros professores, como ela, seus ex-alunos (1890? Aqui há uma dificuldade, segundo Ernani Straube em 1890, era inspetor geral de ensino o Padre Alberto José Gonçalves, Justiniano ocupou, pela segunda vez a posição, somente em 1891/92, a primeira em 1876). Foi defensor da Escola Publica.
David Carneiro (que foi deputado numa mesma legislatura que Justiniano) chega a confessar que em dado período, a intelectualidade paranaense não tinha outra fonte sobre a História Universal se não as aulas, a biblioteca e artigos do Dr Justiniano.

Dr. Justiniano foi Fundador do Partido Operário do Paraná, o primeiro partido Operário do Brasil, cujo estatuto foi publicado no jornal Sete de Março de 28 de Junho de 1880 no número 113. (tenho copia do Original e publicarei).

Foi poeta simbolista. Publicando em “O Cenáculo” e recebendo critica consagradora de Andrade Muricy. (Gazeta do Sergipe 15 de Dezembro de 2003). Também pudemos encontrar em Serafim Vieira de Almeida (Antologia dos poetas Sergipanos 1939) pequena biografia de Justiniano. Já o autor Sylvio Romero, em “Parnaso Sergipano”, procurou classificar Justiniano entre os “condoreiros” somando-se a José Jorge de Siqueira e Pedro Moreira.

O mais curioso é a afirmação encontrada no “Diccionário Bibliographico Brazileiro”, edição de 1899, (mil oitocentos e noventa e nove), volume V pagina 273/274 de Augusto Victorino Alves Sacramento Blake, que diz textualmente: “Justiniano de Mello e Silva: Filho do advogado Felix José de Mello e Silva, o antigo secretário de Frei Caneca, na patriótica revolução pernambucana de 1817, e de dona Alexandrina de Mello e Silva (...)”. Embora essa informação seja também assinalada pela historiadora Cecília Westephalen, eu considero uma curiosidade que precisa de melhor investigação pela dificuldade de datas. Eu particularmente acredito que, trata-se do pernambucano Luiz de Mello e Silva, pai de Felix de Mello e Silva, que por sua vez era pai de Justiniano de Mello e Silva. ( há uma publicação da Block, que faz referência a Luis de Mello e Silva, embora eu não a tenha econtrado).

No plano internacional encontrei dois interessantes testemunhos: Em Revista de Domingo, periódico de Aracaju, quatro de Agosto de 1974: em Antigüidades Brasileiras, existe uma referência sobre uma citação dos trabalhos de Justiniano pelo professor austríaco Ludivico Schwenhagen, doutor em Filosofia pela Universidade de Viena, que escreveu em Belém, “História Antiga do Brasil”. Outra noticia curiosa encontramos em “Justiniano de Mello e Silva, Filosofo e Historiador” de autoria do Dr. Luiz Carlos Rollemberg Dantas onde leremos na pagina 262: “Certa vez ouvi, (...) que Oswald Spengler, o grande historiador alemão, já conhecendo o primeiro volume de “Nova Luz Sobre o Passado” mandara procurar por intermédio da Biblioteca Nacional, os volumes seguintes (...)”. Finalmente, há sobre essa obra, um breve estudo (20 páginas) de autoria do grande Farias de Brito.

Para fechar o artigo quero citar as palavras de Osvaldo Pilotto em “100 Anos de Imprensa no Paraná”: “O Dr. Justiniano de Mello (...) era considerado sábio em consideração aos seus vastos conhecimentos filosóficos, sociais e da história. Foi professor e homem de imprensa em sua terra natal. Militou no jornalismo quando residente no Rio Grande do Sul. Teve atuação de destaque como educador na vida paranaense”. (“BIHGEP volume XXIX, 1996 pagina 13 e 14)”.

Não ouso aqui qualquer julgamento de valor sobre a vasta obra de Justiniano, porque somente agora, vou criando embasamento para analisá-la e vou tomando mais contacto com seus textos. Quem sabe no futuro.

Finalmente, ele foi casado com Tereza Paiva de Mello e Silva ( ela natural de Pernambuco) com quem teve nove filhos: Cândido; Adolfo, Ocean, Plutarco; Justino, Wallace, Alfiere e Otacília. Apenas o Cel.Wallace e Dr. Cândido de Mello e Silva ( companheiro de Oswaldo Cruz) permaneceram no Paraná. Dos irmãos de Justiniano ( filhos de Felix) conhecemos apenas os nomes de Martiniano, e Maximiliano de Mello e Silva. Ao voltar para o Sergipe em 1897/98, tornou-se Lente de Filosofia e História Universal no Atheneu Sergipano, onde já fora, anteriormente, Lente de Inglês em 1871. Após rápida passagem pelo interior de Minas Gerais (cidade de José Pedro onde um dos seus netos foi prefeito), faleceu no Espirito Santo ( 1940) na Clinica do Dr Justiniano de Mello e Silva Neto (seu neto, e médico, que também, curiosamente, foi prefeito em Colatina ES).

Uma rápida pesquisa dos nomes que dividiram o legislativo com o Dr Justiniano nos dá uma idéia das suas relações sociais, e do seu prestigio diante da Comunidade Curitibana e Paranaense. Vejamos então:

Biênio 1878/1879:
Antonio Ricardo dos Santos
Enéas de Paula
Bento Florêncio Munhoz
Francisco Portugal
Franco do Valle
Jordão Pedroso
Leocádio Correa
Taborda Ribas (substituído por Justiniano)
Manoel Eufrásio Correa
Manoel Ferreira Ribas Ten. Cel.
Olegário Macedo e outros menos conhecidos (MN pág.129)

Biênio 1882/1883, foram deputados com ele:
Barão do Serro Azul
Santo Andrade
Comendador Araújo
Generoso Marques
Telêmaco Borba
Manoel Eufrásio Correia
Trajano Reis
Frederico Virmond
O Barão de Guarauna ou Guarapuava (Domingos Ferreira Pinto)
E outros menos conhecidos. (MN pág. 141).

Biênio 1896/1897 foram deputados com ele:
Vicente Machado
Alencar Guimarães
Leôncio Correa
Candido Muricy
Frederico Virmond
Francisco de Moura Brito
Lamenha Lins
Benedito Carrão (Gazeta Paranaense)
Almeida Sebrão e outros menos conhecidos. (MN pág.215)

Justiniano “O VELHO” é bisavô, pela linha paterna, do governador Roberto Requião de Mello e Silva.


Wallace Requião de Mello e Silva.
(pesquisou e redigiu para o G 23)

sábado, 22 de novembro de 2008

Um pouco da história do nome Requião.


Um pouco da história do nome Requião.
Todo homem faz história. Do mais humilde, ao mais “metido dos homens”, todos fazem história. Na Historia esta o registro da língua (fala). Nos mitos e lendas o registro da tradição; dos cantos e ritos, dos hábitos e culturas (KULT TOUR = no entorno do culto, ou sacrifício da mesa onde se mantém e se faz as trocas da vida, enfim, nos fazeres humanos, no sacrifício cotidiano da vida no que lhe é necessário, o homem faz cultura) assim brota a matéria prima da História. Criteriosamente o termo se restringe à escrita, e o surgimento do testemunho escrito, separa criteriosamente a História da pré-história.
Assim, se você deixa que outros escrevam a sua história, a história escrita por eles, será a história “deles” sobre você, não a sua história. E a História enquanto ciência procurará analisar a sua historia no contexto das historias submetidas ao contexto épico em que você esta inserido.
Acontece que indivíduos, famílias, clãs, povos e nações elaboram melhor a sua história do que outras, e isso é que as difere uma das outras. Há povos cuja preocupação central esta em fazer com que outros povos escrevam sobre eles o que eles querem que seja escrito a respeito deles, ou seja, o seu estilo básico é a manipulação e controle da história. Grandes fatos não narrados perdem-se e pequenos fatos, ou grandes, narrados, e manipulados, fazem história. Se narrados por muitas fontes diferentes consolidam a história. Daí deriva o poder da mídia, e o povo que a domina. Fazem a memória do passado colocando “verdades” na boca de outro povo. Constroem assim a memória do passado a partir de um ponto de vista supostamente neutro, exterior ao agente, de modo que no futuro, o analista, pense estar analisado não o relato construído do agente histórico, mas, um relato isento, e testemunho neutro vindo de terceiros. O Brasileiro, infelizmente, ainda não se preocupa com isso. Ele deixa que escrevam a sua história, não a interpreta ou replica. Não a pensa nem projeta. E essa história, sem contestação, será a sua armadilha.
A História, enquanto ciência pode ser comparada, em certa medida, a um sólido geométrico, tem profundidade na justa medida em que avança no tempo; tem largura (fachada), isso é, tem esse espaço frontal de abrangência que difere a historia de um grupo, de um povo, de uma nação. Uma fachada panorâmica muito ampla pode representar uma história do conjunto humano, quase universal. Um corte deste sólido geométrico é o que se chama corte histórico. Mas a História também possui altura, isto é, o quanto de moral e civilidade ela edifica. Assim, esses três planos gráficos demonstrativos, colocados em ordem e em direção a um ponto perdido no passado desconhecido da humanidade, é o que nos dá a perspectiva histórica. Mas se todos fazem história e se o problema se explica apenas na elaboração mais e melhor apurada de umas em relação das outras, pode-se dizer que nossa história é igual a qualquer outra história, e se é igual, não haverá de ser superior a sua historia, nem inferior à sua ou outra qualquer, seja ela dos hebreus, gregos, romanos, ou hindus. Posto que, se um indivíduo qualquer contemplar a sucessão de seus antepassados verá que sua historia foi tão viável quanto à de qualquer outro individuo vivo, pois se não fosse, ele não estaria vivo e contemplando sua história familiar. Se, estamos vivos, é porque todos os nossos familiares se viabilizaram, ao menos, o suficiente para transmitir a sua herança genética e cultural.
Agora, se a questão é que, a elaboração da história pressupõe e pretende edificar a dignidade moral do homem, aí há historias superiores e inferiores, e nessa perspectiva, a minha história pode ser superior ou inferior a sua. Por isso registro a minha, faça o mesmo com a sua, de tal maneira que, no futuro, alguém possa compará-las, analisá-las e medir a edificação do exemplo moral e grau de civilidade que cada uma contém. Portanto, não registre quantas vezes você pisou na bola, ou cuspiu na floreira, pois a história, na sua perspectiva cria o ângulo lançado e projetado, do solido geométrico histórico, capaz, talvez, de fazer supor em perspectiva como será o futuro da humanidade.
Sendo assim, vamos ao nome Requião:
Segundo a Enciclopédia Lusa Brasileira o nome Requião é um toponímico, isso é um nome de lugar assumido como um sobrenome que indicava, com orgulho, o lugar de origem. O que mostra o valor que se dava no passado e que se deveria dar no presente ao lugar onde se nasce. “Citizens” (do anglo saxão= filhos da cidade, ou do lugar) resultando no português “Cidadão”. Assim como: Lange de Morretes, ou Geraldo de Bulhões, e ainda Carlos de Toulouse ou Wallace de Curitiba.
Muito antes da formação do condado de Porto Cale (Portu+ Galle), que resultaria no estupendo reino de Portugal, existia ali, mais ou menos no centro do território geográfico do Portugal de hoje, no ângulo do Homem com o Cavalo, um território cristão suevo da Galícia. Esse pequeno reino cristão tinha por rei, o cristão, na sua grafia antiga Rícila, Rékila, ou, como preferem outros, Réquila, no século IV ou V. Os súditos desse reino, ou seja, os moradores da circunscrição desse pequeno reino recebiam o nome de requilães, ou na sua forma mais latinizada “requillanis”, enfim, cidadãos ou súditos do reino de Réquila; assim posto, os Requiãos, são suevos oriundos de muitas famílias de origem sueva, pré-portugueses, portanto, e formadores, enquanto grupo étnico, em muito pequena escala do povo português. Por ser cristão esse reino, (Requiário, filho de Réquila, foi o primeiro rei suevo a se converter em 448) alem das construções usuais características das vilas do século, havia ali, também, uma igreja que sobreviveu segundo vários autores ate 2 de novembro de 1942 quando foi consumida por um incêndio. Nela, na Igreja matriz de Requião, se sobrepunham vários estilos, desde o românico primitivo ate os mais complicados enxertos do rococó. Outra foi construída em seu lugar, e tornou-se a Capela de Réquiem, palavra de origem latina que quer dizer descanso, ou falecimento, (Missa de Réquiem = missa celebrada pelas almas dos falecidos) o que confundiu, para muitos pesquisadores, a origem do nome Requião, vinculando-o com a origem da Capela de Réquiem ou a palavra Réquiem.
Os suevos são germânicos.
Veja abaixo:

Na foto mostrada no texto, aparece Carlos Felipe Requião defronte da Igreja de Requião em Portugal. Carlos Felipe Requião, Psicólogo especializado em Recursos Humanos, foi servidor das Nações Unidas (Organização Mundial do Trabalho), cumprindo missões no Equador e na America Central e África. Hoje, aposentado, vive em uma fazenda no interior de São Paulo. Carlos Felipe é filho de Ivo Requião, irmão da mãe de nosso Governador.

Wallace Requião de Mello e Silva
Grupo 23 de Outubro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Nepotismo ( 1991)

Nepotismo.

O que é o nepotismo? Segundo o Caldas Aulete a palavra deriva de Nepote, do latim Nepotius. O termo dizia respeito ao sobrinho, conselheiro ou válido do Papa.
Já o termo “nepotismo”, segundo a revista “Pergunte e Responderemos”, foi criado pejorativamente por maçons que visavam à crítica aos favores e privilégios concedidos pelos Papas aos seus válidos e sobrinhos.
Era uma critica a estrutura hierárquica da Igreja e também a da família cristã, católica, acusada por eles de valimento excessivo.
Daí, com o passar do tempo, o termo passa a designar o favoritismo escandaloso usado em favor de algum parente.
Podemos ainda perguntar: mas o que é um favoritismo escandaloso segundo o termo nepotismo? Seria dar salário ao parente sem que este trabalhe? Nomear um cego para ser piloto de jato, ou um maneta das duas mãos para ser datilógrafo, ou ainda um analfabeto para ser revisor, apenas porque se trata de parente ou amigo?

Por outro lado nenhum homem esta proibido de trabalhar, muito menos impedido por ser parente ou amigo de alguém o que nos indica que por detrás existe ou deveria existir uma ética, um conjunto de regras, de princípios e garantias de equidade ou igualdade de oportunidade.

Posto isto gostaria de lembrar que o homem, todo o homem, segundo a Sagrada Escritura, esta obrigado ao trabalho. É tão imperativa que diz: Aquele que não quer trabalhar não coma. Assim Jesus Cristo,Nosso Senhor, era carpinteiro. São Paulo tecelão e Pedro pescador,depois fizeram-se pescadores de homens, seu novo trabalho.

Bem entendido, como já dissemos, ninguém estará proibido de trabalhar, seja porque é preto, prisioneiro, tolo, estrangeiro, religioso, inculto, deficiente, órfão.

A palavra nepotismo passou da critica de um privilégio a critica de quem emprega parentes, um grave erro. Qual é o crime? Porque um parente estaria proibido de servir a outro parente e a sua comunidade trabalhando na esfera privada ou pública?

O que se espera de um trabalhador é que realize o seu trabalho, não que seja parente, em primeiro lugar, porque é um mandamento divino, em segundo, porque depende deste trabalho a dignidade da sua pessoa e em terceiro porque é o meio pelo qual a pessoa contribui com a sociedade.

O engraçado é que neste mundo de antagonismos os principais “delatores” do nepotismo são os maiores praticantes de outro tipo de nepotismo e privilégio, o privilégio racial ou ideológico.

Os maçons, por exemplo, que costumam se chamar de irmãos sãos os primeiros a assumir o compromisso de praticar o privilegio com os irmãos de LOJA. Árabes costumam empregar parentes e até promover casamentos entre primos para garantir algum privilégio, herança ou trabalho.

Judeus, mais do que qualquer outro povo, praticam o nepotismo racial, e na hora da partilha , no prestigio ou na escolha de posições de verdadeira importância é preciso ser judeu, irmão em Abraão. Na verdade toda corporação age assim. Então porque não pode agir assim uma família?

Mau é aquele que está pendurado em um cabide, ou seja, aquele que nunca realiza o trabalho para o qual foi contratado, aquele que recebe sem trabalhar, aposenta-se sem merecer, tem dedicação exclusiva e mais de um emprego, acumula disponibilidades. Acumula cargos e salários. Estes são os verdadeiros NEPOTES.

Pior é a escravidão a que se submete a massa da população que trabalha, quando muito para comer, sem garantir sua dignidade ou verdadeiro lazer enquanto irmãos, de qualquer origem ideologia ou raça abusam de privilégios e engordam, e acumulam as suas injustiças, e cinicamente odeiam o povo sujo a quem chamam de preguiçosos, deseducados, escória. Gentinha de salário mínimo.

Péssimo é enriquecer com a exploração inescrupulosa do suor alheio. ( caso de todos os ricos)

Trabalho e moralidade é o critério que o povo deveria usar.

Na forma mais simples basta saber se o trabalho vem sendo feito. Se os meios para realizar o trabalho são morais e lícitos. Idealmente se é feito com competência. Finalmente se o trabalho, principalmente quando público, esta orientado para servir a comunidade ou para servir-se dela.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Família de prestígio, prestígio de ser família.

FAMÍLIA DE PRESTIGIO, 143 anos de serviços ao Paraná.

Ultimamente ouço muito falar em famílias de prestigio na política, na vida empresarial e noutros setores da vida paranaense. Dentro desta idéia folheava alguns velhos livros em busca do “Quem foi o Que” na história do Paraná. Resolvi então escrever este artigo, sem a menor modéstia, a fim de informar e prestar uma homenagem à minha família.
No Boletim do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico Paranaense, volume XXIX, num trabalho sobre os cem anos de imprensa no Paraná, assinado por Osvaldo Pilotto, consigo estabelecer duas datas que posso firmar como inicio de uma honrosa atividade familiar, 1853 e 1854
Em 19 de dezembro de 1853 com a emancipação política do Paraná, ao inaugurar o governo da Província, Zacarias de Góes num dos seus primeiros atos cria uma impressora a fim de dar conhecimento público dos atos do governo.
Assim traz de Niterói a “Typographia Lopes” de propriedade de Cândido Martins Lopes, meu tataravô. Deste ato surge o primeiro jornal do Paraná, “O Dezenove de Dezembro”. Cândido, que foi patrono da cadeira n dois da Academia Paranaense de Letras e de cujo duro trabalho, direta e indiretamente surgiriam, a Imprensa Oficial, a Impressora Paranaense e um dos grandes jornais do Paraná atual. Casado com Gertrudes Lopes teve entre outros filhos, a filha Gertrudes, que se casaria com o baiano Luiz Antônio Requião, minhas bisavós na linha materna.
Ao mesmo tempo chagava à Curitiba, Justiniano de Mello e Silva, sergipano, advogado, jornalista e sociólogo que atuaria de forma incisiva na vida política da nova província. Vereador, Deputado, Secretário de Estado no governo de Lamenha Lins, bateu-se pela escola pública e pela abolição da escravatura. Sua vida está definitivamente ligada à história do Instituto de Educação e do Colégio Estadual do Paraná. Tendo também militado na imprensa do Rio Grande do Sul, fundou redatoriou ou colaborou com os seguintes jornais paranaenses: “O Paranaense”; “25 de Março” (1876); “Jornal do Comércio” (1883) e “Sete de Março” (1888). Justiniano foi meu bisavô pela linha paterna.
Ambos os casais tiveram muitos filhos. Dos filhos do casal Requião e Gertrudes destacam-se: Aníbal, fundador do primeiro cinema do Paraná, o Cine Start, autor dos primeiros documentários cinematográficos sobre o Paraná e fundador da livraria que originaria as tradicionais Papelarias Requião e, Euclides, meu avô, que entre outras iniciativas pioneiras registra-se na pena de Osvaldo Piloto a participação na criação da primeira rádio do Paraná, a PRB2 junto com Lívio Moreira o fundador, Flavio Luz e Fido Fontana. Fato este também confirmado por Germana Moreira, filha de Lívio, e Jacinto Cunha em “Cadernos do Arquivo Público”.
Dos filhos do casal Justiniano e Tereza, pode-se destacar o coronel Wallace de Mello e Silva, meu avo, chefe da Estação de Ferro, Vereador, Presidente da Câmara Municipal e Deputado Estadual; e Cândido, médico paranaense que se notabilizou na luta contra a febre amarela junto a Osvaldo Cruz no Rio de Janeiro. Quem visitar a antiga prefeitura de Curitiba encontrará, ao lado da porta, uma placa comemorativa lembrando os nomes dos edis de então, entre outros, o de meu avô, era o ano de 1916.
Euclides Requião e Cristiana Kainert casaram-se em Curitiba. Ele curitibano, ela guarapuavana filha de imigrantes alemães. Tiveram oito filhos.Os irmãos e as irmãs Requião aplicaram-se ao comércio, participaram da gráfica de Guarapuava e de um dos primeiros hotéis de Prudentópolis lá pelos idos 1900..Levaram em frente “A Nacional” uma loja de departamentos fundada em 1920 e que em seus setenta anos de existência inovou na moda, no mobiliário, nos brinquedos, nos presentes e foi uma forte importadora de equipamentos e ferramentas. Fazia parte do patrimônio histórico do comércio da cidade assim como a Casa Glaser com 100 anos e a marmorearia Vardânega com 130 anos.
Wallace de Mello casa-se em Curitiba com Jeovanna Tadeo filha de imigrantes italianos. Geram oito filhos dos quais se destacam: Justiniano Neto, médico, fundador da Casa de Saúde São Sebastião e prefeito das cidades de José Pedro e Colatina; Péricles, médico psiquiatra formado em Berna e Viena; Ulisses, advogado e professor universitário, foi diretor de alguns dos melhores estabelecimentos de ensino do Paraná; e Wallace Thadeu, meu pai, médico, psicólogo, Vereador em 1946, Prefeito de Curitiba em 1951 e professor da Universidade Federal.

Nos dias de hoje meu irmão Roberto Requião, advogado e jornalista, que exerceu os mandatos de Deputado Estadual, Prefeito de Curitiba, Governador do Paraná e é Senador da República; Eduardo Requião, filósofo pela PUC do Paraná, psicólogo pela UFRJ, psicanalista pela Sociedade Brasileira, exerceu o cargo de Secretário de Estado do Meio Ambiente, e será o provável candidato pelo PMDB à Prefeitura e finalmente Maurício Requião, psicólogo, foi professor da UFPR, das Univ. Integradas de São Paulo, da Universidade de Uberlândia e é Deputado Federal pelo Paraná, completam nada mais nada menos que cento e quarenta e três anos de serviços prestados ao Paraná.
Sem o menor demérito às grandes famílias paranaenses, este exemplo e esta homenagem que presto aos meus, sirva de incentivo e exemplo a todas as outras famílias que souberam honrar a terra onde nasceram e trabalharam. Prestigio político estável não se faz num único dia, além do trabalho é preciso probidade e amor às causas do bem público. Por detrás de tamanha obra é preciso lembrar sempre, que há uma mulher, mãe de família e esposa a gerar, educar, aconselhar, incentivar e fortalecer, pelo exemplo do lar e da vida pública profissional, o caráter e a moral de seus filhos.
Escrito já há alguns anos .

Wallace Requião de Mello e Silva.

domingo, 16 de novembro de 2008

Na mosca.

Requião é considerado um bom atirador, mais ainda agora em que está treinado para caçar blogueiros. Ele não disse a ninguém, mas eu sei qual será o primeiro a servir de mosca.
Não nada de tiro, algo como uma investigação na vida pessoal, e um processo judicial, é o que eu suponho.
Já éra hora, se não de pagar na mesma moeda ao menos dar o troco.

O Andarilho.


Wallace Req Req.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Para o registro da história.

Maurício Requião, quando era deputado federal, produziu um jornal para ser destribuido nos terminais de ônibus da cidade. Jornal gratuíto e de grande tiragem. O jornal foi proibido pelo então prefeito de Curitiba, recolhido pela Guarda Municipal, impedido de entrar nos terminais e de ser destribuido nos ônibus. Por esse motivo, e por saber que já não existem exemplares, nós decidimos diponibilizar algum número, para você conhecer.
Para vocês o Expresso Metropolitano





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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um cinema pioneiro em Curitiba, e no Paraná.

Um cinema pioneiro e um clube de cinema exemplar.

Nós do G 23 já tivemos a oportunidade de contar que Aníbal Requião, irmão do avô do governador Requião, foi o fundador das papelarias Requião, um dos 38 fundadores do Clube Atlético Paranaense em 1924, (seu filho e homônimo foi presidente do Clube Atlético na década de 60). Aníbal o velho, foi dono do primeiro cinema do Paraná, o Cine Smart. Considerado o patrono do cinema no Paraná, foi ele quem primeiro registrou imagens cinematográficas das Cataratas do Iguassú (como se escrevia) e das Sete Quedas, do Rio Paraná, que hoje estão submersas pela represa da usina de Itaipu. São dele também as mais bonitas fotos do Passeio Publico em preto e branco que eu já vi. Atualmente existe na Biblioteca Publica do Paraná, um cine clube dirigido com perseverança incomum, de duas décadas ou mais e que homenageia o Patrono do Cinema do Paraná: Cine Clube Aníbal Requião. Agora tantos anos depois Roberto Requião no comando do governo do estado inaugura a primeira escola publica de cinema do Paraná: Cine TV PR Escola Superior de Cinema cujas fotos estão disponibilizadas nesse Blog.
Lendo o jornal Veracidade (Ver-a-Cidade) produzido, editado, e comercializado pelo ícone do jornalismo histórico e documental Cid Destefani e sua filha jornalista... Pude encontra matéria sobre o assunto que mostro a você que é nosso leitor ávido por curiosidades. Embora a matéria não diga, o Cine Smart é pelo menos seis anos mais antigo do que o celebre cinema do espanhol Francisco Serrador. É, portanto o primeiro Cinema do Paraná embora no início não funcionasse como sala comercial, mas sim como sala de diversão para vizinhos e amigos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A senhora mãe do Governador.

Lucy Requião de Mello e Silva. (Mãe e Esposa). ( foto de 1940)



Nascida em Curitiba, em 27 de Fevereiro de 1915. Filha de Euclides Requião (natural de Curitiba) e Cristiana Keinert Requião (natural de Guarapuava). Euclides e Cristiana casaram-se em Guarapuava no Paraná em 1900. Lucy é a sétima filha do casal, sendo seus irmãos, Jahir (natural de Guarapuava), Ivo (natural de Prudentópolis), Sirthe (natural de Prudentópolis), Alba, Gertrudes, Luiza, (Lucy) e Iza; todas naturais de Curitiba. Lucy Requião casou-se em Curitiba em maio de 1940 com o médico Wallace Thadeu de Mello e Silva, curitibano formado em Medicina pela Faculdade Estadual de Belo Horizonte, MG, em 1934. Formou-se assim a família Requião de Mello e Silva. Residiram em São Paulo, Jundiaí, e Curitiba. Ele exerceu a medicina em Colatina ES, José Pedro MG, Vitória ES, São Paulo capital, Jundiaí SP, Antonina PR , Joinville SC e Curitiba.
São seus avós: pela linha paterna; Luiz Antonio Requião, natural da Bahia e Gertrudes Lopes Requião, natural de Niterói RJ. Pela linha materna Heirrich Chistiane Cyriacus Keinert e Shophia Caroline Weigand Keinert ambos naturais da Alemanha casados naquele país em 25 de maio de 1840.

Lucy Requião de Mello e Silva, foi ativa comerciante em Curitiba, pequena proprietária rural na região metropolitana, artista plástica, professora normalista, mãe e esposa. Foi primeira dama em Curitiba, pois seu marido foi prefeito (1951) e vereador na capital Paranaense.
O casal teve cinco filhos.
1)Roberto Requião de Mello e Silva, advogado e jornalista, empresário do comercio, oficial da reserva de cavalaria, deputado estadual, prefeito de Curitiba, secretário de Estado, governador do Paraná pela primeira vez em 1991, senador da Republica e governador do Paraná pela segunda vez, cargo em exercício. Casado com Maristela Quarenghi de Mello e Silva, arquiteta, natural de Joaçaba, Santa Catarina.
2) Eduardo Requião de Mello e Silva; filosofo e psicólogo, psicanalista , empresário, secretário de Estado do Meio Ambiente, superintendente do Porto de Paranaguá e Antonina (cargo em exercício). Casado com Anna Helena Motte Duarte de Mello e Silva, advogada natural do Rio de Janeiro.
3) Lucia (Requião de Mello e Silva) Arruda, advogada e jornalista, presidente da ASSOMA, presidente do Provopar Estadual.(Viúva do jornalista João José Virmond de Arruda).
4) Wallace Requião de Mello e Silva, psicólogo.
5) Mauricio Requião de Mello e Silva, psicólogo, professor da Universidade Federal do Paraná, presidente da Fundepar, secretário de governo da prefeitura de Curitiba, deputado federal, secretario de governo do estado (Secretaria de Educação do Paraná) cargo em exercício. Casado com Márcia Dhremer de Mello e Silva, psicóloga e secretária de educação do município de Colombo no Paraná; natural de Cascavel PR.

Sem mais a informar.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Coronel Dulcidio Pereira.

Policia Militar.

As relações familiares de Requião com o Coronel Dulcidio Pereira, o herói do Cerco da Lapa.

Muitos oficiais da policia militar acreditam que o esforço do governador Requião em incrementar a Policia Militar do Estado do Paraná não vem de um senso de responsabilidade social, de uma simpatia pela corporação, mas sim de uma ação política interesseira, como se viu tantas vezes no passado.
Em viagem ao Nordeste, fiquei sabendo da existência de uma fazenda colonial, pecuarista e açucareira e hoje petroleira, que dizem ter pertencido ao trisavô de Requião pela linha paterna, o Dr. Felix José de Mello e Silva. Visitei o local, entrevistei o historiador Luiz Antonio Barreto e me interessei pelo assunto. De volta a Curitiba fiz rápida pesquisa sobre a família de Requião, e descobri, acidentalmente, o parentesco ancestral e em linha direta de Requião, nosso governador, com o histórico herói e mártir da Lapa o Coronel Candido Dulcidio Pereira. Daí talvez a simpatia de Requião pela Corporação. Melhor do que eu, todavia, poderá confirmar esse vínculo familiar, o próprio governador.
Acontece que encontrei em “Genealogia Paranaense” volume seis, o Titulo Martins Lopes. Todos conhecem naturalmente a Avenida Candido (Martins) Lopes, onde fica a Biblioteca Publica. Esse homem famoso, natural do Rio de Janeiro teve significativa atuação na vida publica do Paraná, aqui fundando o primeiro jornal do estado emancipado, em 1 de Abril de 1854, chamando-o de Dezenove de Dezembro. Também exerceu o cargo de delegado de policia na capital. Pois bem: ele era casado com Gertrudes da Silva Lopes, na cidade de Niterói, em 14 de maio de 1838. O casal teve dez filhos. Sua segunda filha, Cândida da Silva Lopes, casou-se em Curitiba em 1917, com o Capitão Candido José Pereira. O casal Candido e Cândida teve nada mais nada menos que 14 filhos. Entre eles, na terceira posição hierárquica, Candido Dulcidio Pereira, o coronel herói da Lapa, sendo esse, portanto, neto de Candido Lopes. Ora, acontece que Candido Lopes, também era pai de Gertrudes da Silva Lopes, homônima de sua mãe, que veio a casar-se em Curitiba com o baiano, Luis Antonio Requião em 31 de Agosto de 1831. Esse casal é o bisavô e bisavó de Requião, e eram tios de Dulcidio Pereira, donde concluímos sem erro que Candido Lopes é avô do Coronel Dulcidio Pereira e trisavô de Requião. Ou seja, Dulcidio era irmão da bisavó de Requião. Mas os laços familiares não param aí. Outra filha de Cândido Lopes, portanto também irmã de Dulcídio e viuva, casou-se em Curitiba em segundas núpcias com seu primo Getúlio Requião, tomando o nome de Cândida Requião Pereira, cujo marido, portanto era nada mais e nada menos, que irmão do avô de Requião, o comerciante Euclides Requião um dos fundadores da rádio PRB2. . Mas não para ai a curiosa relação das famílias. Um dos filhos do Coronel Dulcidio, o Primeiro Tenente Dagoberto Pereira casou-se com Shirte Requião, filha de Edmundo Requião e de sua mulher Francisca Leal Requião. Edmundo Requião, pai de Shirte também era irmão do avô, pela linha materna, do governador Requião. Ou seja, as famílias se unem em três pontos.
Outra coisa curiosa que encontrei é o parentesco direto de Requião com seu argui-inimigo Francisco da Cunha Pereira um dos donos da Gazeta do Povo, e acabei compreendendo por que a antipatia de Francisco pelo Requião. Em outra oportunidade, conto essa intrigante história que se fundamenta em Jesuíno da Silva Lopes um dos filhos homens de Cândido Lopes e a história do testamento de seus bens, incluindo o histórico jornal.
O que está posto aqui esclarece aos coronéis da Policia Militar do Paraná as relações de parentesco do Governador com um dos mais ilustres e respeitados membros da Corporação, ficando assim no meu humilde entender bem explicada a simpatia e o esforço que faz o governador para prestigiar e valorizar a nossa Policia Militar do Estado do Paraná, não fosse isso suficiente, ele cumpre a obrigação, pois o Governador, como todos sabem, é o Comandante em Chefe da Policia Militar, como reza a Constituição do Estado do Paraná.

Wallace Requião de Mello e Silva.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Rádio PRB 2

A Rádio PRB2.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Três anos antes de Charles Lindbergh ter atravessado o Atlântico Norte num vôo épico, algumas nações disputavam a volta ao mundo em avião. Poucos conhecem essa história que se iniciou em 1924 envolvendo Portugal, França, Argentina, Itália, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Tal corrida foi completada pelos pilotos americanos e é narrada por Leigh Wade, um dos sobreviventes da aventura, cuja maior queixa era a da ausência do equipamento do rádio que lhes permitiria a comunicação, entre aviões que voavam em formação mantendo apenas contato visual.
Muito menos pessoas ainda conhecem a história dos aviadores brasileiros, João Negrão e João de Barros que atravessaram o Atlântico Tropical com o hidroavião Jahú, de fabricação italiana, pouco antes de Lindbergh. O mundo subestimou o feito heróico dos ousados aviadores brasileiros. Talvez pelo fato de João de Barros ser um militar negro.
A história tem dessas coisas. Ela se curva ao poder da mídia, da política, do poder econômico e acaba deformando-se. Assim Santos Dumont, o pai da aviação, ficou em segundo plano em relação aos irmãos norte-americanos Wilbor e Orvile Wright.
Se foi assim na história da aviação, o mesmo aconteceu na historia do rádio.
Todos que sabem algo sobre rádios conhecem Marconi, na verdade Guglielmo Marconi, seu nome completo, tido como o inventor do telegrafo sem fio, o antecessor do rádio. Todavia, na França, a invenção é atribuída a Brianly; nos Estados Unidos, a Lodge; na Alemanha, a Staby. Enfim, quem inventou o rádio?
Curioso, como comprova a regra, é que o rádio, o rádio verdadeiro, capaz de transmitir sinais sonoros via aérea, foi inventado no Brasil.
Quem sabe, ou conhece essa bela história de nossa ciência?
Na paróquia de Sant’ Ana, na capital de São Paulo, o padre Roberto Lendel de Moura dividia seus interesses entre o oficio religioso e o eletromagnetismo. Em 1893/94 ele transmitiu sinais sonoros desde a Av. Paulista até sua paróquia, oito quilômetros distante, emitido e recebendo por um aparelho por ele inventado, o radio, dois anos antes de Marconi ter conseguido transmitir em Morse sinais por espaço de algumas centenas de metros. Marconi inventou o telegrafo sem fio, Lendel, o rádio. Todavia Lendel levou 14 anos para conseguir uma patente brasileira e outra norte-americana, conseguiu em 1904. Ora, Marconi, em 1904, já era o magnata da nova tecnologia. Em 1896 ele mudara para a Inglaterra, registrara seu invento naquele país e houvera estabelecido contratos milionários com os Correios dos EUA. Lendel, humildemente, rezava seu terço na sua paróquia, comunicando-se moralmente com Deus, enquanto Marconi contava o vil metal e desfrutava da fama. É a vida. E o Brasil, mais uma vez, deixava escapar mais essa grande oportunidade.
Vinte anos depois, em 1924, o rádio já era experimentado com sucesso no Brasil. No Paraná surgia a segunda estação experimental do país instalada na casa de Lívio Moreira, seu principal mentor, verdadeiro criador e verdadeiro cientista do rádio. Tal equipamento, importado, funcionou de 1924 a 1926 na clandestinidade, ou melhor, não havia suficiente arcabouço legal no país para regulamentar o setor, e a nossa rádio foi reconhecida pela autoridade publica somente em 1926. Essa é a PRB2, a segunda rádio do Brasil. A primeira a famosa B1.
Aqui, também a história deu suas “voltinhas”, e registra-se, como resultado dessas voltas, como fundadores oficiais da rádio, algumas pessoas que não estiveram presentes nos seus primeiros e heróicos momentos, mas que nem por isso deixam de ser os fundadores oficiais, ou documentais, e efetivos, da rádio pioneira do Paraná.
É a própria filha de Lívio Moreira, Germana Moreira, que vem socorrer, corrigir e informar aos pesquisadores de nossa história os nomes que participaram efetivamente da gestação épica da rádio paranaense. “Numa narrativa publicada pelo Boletim do Instituto Histórico Geográfico e Etnográfico Paranaense do ano de 1983 titulada: “História da Rádio Clube Paranaense”; ela diz: “ Seu espirito empreendedor levou-o a organizar em Curitiba, no dia 24 de junho de 1924, uma reunião da qual participaram alguns entusiastas do radio, objetivando a organização de uma associação civil cuja principal finalidade seria difusão informativa e cultural, por meio de ondas hertzianas. A esta reunião, realizada na residência do senhor Francisco Fido Fontana, compareceram, entre outros, os Srs.: Flávio Luz, João Alfredo Silva, Olavo Ribas, Oscar de Plácido e Silva, Emílio Jouve, Euclides Requião, Bertoldo Hauer, Gabriel Leão Veiga, Alberto Xavier de Miranda e, evidentemente, o organizador Lívio Gomes Moreira. Resultou deste encontro a fundação da Rádio Clube Paranaense, PRB2”. Diz a seguir: “Dois anos de experiências se passaram. “Somente em 1926 o poder público concedeu licença à Rádio Clube Paranaense para trabalhar em caráter definitivo”. Pouco antes em 1976, também no Boletim do Instituto Histórico , Geográfico e Etnográfico Paranaense, volume XXIX, a pena de Osvaldo Pilotto à página 45 dizia: “Lívio Moreira, Flávio Luz, Fido Fontana e Euclides Requião deram estimulo à criação da primeira estação de Radio do Paraná, a PRB2”
Lívio Moreira foi também o Primeiro DX do Paraná, cuja longa distância se estabeleceu em 18 de Janeiro de 1926 com um pioneiro rádio amador argentino (o DK1) de Bahia Blanca.
Assim nascia, na voz e no microfone de Lívio Gomes Moreira, a Rádio Difusão no Paraná.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Presidente da República & Porta Voz do G 23.

O presidente Luis Inácio Lula da Silva conversa com Wallace Requião em reunião na Usina de Itaipu, no Paraná.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Curiosidades Brasileiras


Curiosidades brasileiras. E raízes no Sergipe.
Antiguidades no passado.
O governador Requião ganhou um presente. Um livro com a maior coleção de pinturas e relevos rupestres que eu jamais havia visto. Um espetáculo de editoração e imagens. A obra titulada Brasil Rupestre é assinada pelos autores, Marcos Jorge, André Prous, e Loredana Ribeiro. Já nas primeiras páginas a memória despertou e lembrei-me de Acrísio Torres, um jornalista que conheci em Aracaju em 1976. Ele trabalhava na Secretaria de Educação e Cultura de Aracaju, ali na Avenida Ivo do Prado, 398. Eu pesquisava na biblioteca daquela cidade, quando fui abordado pelo Acrísio, que pelo sotaque, achou que eu era paranaense. Ele perguntou: você conhece, por um acaso, alguma coisa sobre um autor sergipano que morou muitos anos no Paraná, chamado Dr. Justiniano de Mello e Silva. Eu respondi, era meu bisavô. Começamos então uma aventura na pesquisa dessa personalidade de escritor e poeta cuja obra é muito citada, mas pouco lida. Dois anos depois eu recebia das mãos de Acrísio Torres, pelo correio, uma carta com o um exemplar da Revista de Domingo, datada de quatro de Agosto de 1974. Em três paginas Luis Antonio Barreto assinava uma matéria titulada Antiguidades Brasileiras, chamando a atenção que ainda no século IX algumas pessoas como Rogério Dias, o Cônego Januario da Cunha Barbosa, Carlos Rath e o sergipano Justiniano de Mello e Silva já se interessavam pelas escrituras rupestres e pelas origens do homem americano. Hoje o assunto esta na moda com diversas obras de quilate circulando. Eu não sei o que você acha disso, mas eu me espanto. Pois se hoje poucos entre os estudiosos brasileiros se interessam pelas sinalizações de culturas rupestres, o registro rupestre de suas passagens pelo território brasileiro, aqueles homens já no século IX haveriam de ser talvez pioneiros. Mostro a foto do texto enviado pelo amigo. Todavia, como já disse escrito não pelo Acrísio, mas escrito pelo Historiador Luiz Antonio Barreto, presidente do Instituto Tobias Barreto no Sergipe.
DR. Justiniano de Mello e Silva, que é bisavô de Requião pela linha paterna, e do qual David Carneiro (o velho) elogiava a sabedoria e cultura, exerceu a Secretaria de Educação do Paraná, foi Deputado Provincial duas vezes, e deputado estadual, outras duas vezes. Abdicou de ser o Presidente da Província do Maranhão. Advogado pelo Recife, e Sociólogo pela Universidade de Córdoba, foi professor emérito e prestigiado pela sociedade paranaense de seu tempo. Era abolicionista. Morou no Rio de Janeiro. No Paraná fundou alguns jornais, assim como deixou obra poética no Recife (onde escrevia em parceria com o grande Silvio Romero) e em Aracaju. Militou na imprensa gaucha. Ele teve ao todo oito filhos, alguns ficaram no Paraná. Faleceu em Colatina no Estado do Espírito Santo. Foi um dos fundadores do primeiro partido operário do Brasil, cujo estatuto foi publicado pelo Jornal Sete de Março (data comemorativa pernambucana) em 1890. Documento dos mais raros, cujo exemplar faz parte do acervo da Biblioteca Nacional e que mostrarei, digitalizado, oportunamente.
Seu livro “Nova Luz sobre o Passado” obra erudita de mais de 1000 paginas, é uma curiosidade histórica incomum, que tem me absorvido boa parte dos meus estudos. Ficam assim, com esse documento, mais uma vez comprovadas as raízes do Governador Requião com o Sergipe, e com Pernambuco.
Wallace Requião de Mello e Silva
Grupo 23 de Outubro.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um documento que deve ser lido na sua integridade: Vale do Rio Doce.

Texto sem revisão:
Companhia Vale do Rio Doce.
Criada pelo Decreto- Lei 4.532, de 1 de junho de 1942.
Deputado Federal Maurício Requião.

Brava gente brasileira, longe vá o temor servil,
Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil.
Hino Nacional.

Manifesto.
Tomando por base um estudo feito pela minha assessoria, e apoiado em informações obtidas junto a Subsecretaria de Edições Técnicas do Senado; na Constituição Federal; em Constituições Estrangeiras; no Código de Mineração; nos documentos produzidos pelo Coronel Roberto Monteiro de Oliveira ( ex. chefe do SNI do Amazonas); pelos depoimentos do Almirante Gama e Silva; pela Cartilha do BNDES; pelos documentos produzidos pelo Movimento de Defesa da Vale do Rio Doce; nas publicações: "Companhia Vale do Rio Doce uma Investigação Truncada", editora Paz e Terra, 1987 , do Senador e Ex. Ministro Severo Gomes; no livro" Small is Beautifull ", editora Zahar de E .F. Schumacher; na publicação" Dois Anos de Luta Contra a Privatização da Vale do Rio Doce", editora do Senado, obra do Senador José Eduardo Dutra, e finalmente pelos documentos produzidos pela Associação dos Empregados da CVRD ( AVAL), quero comunicar minha posição diante da “privatização” da Companhia Vale do Rio Doce.

Introdução
Se corrermos os olhos pela história do Brasil, não poderemos deixar de notar, que um dos motivos incentivadores da descoberta e colonização foi , entre outros , o desejo de encontrar ouro, prata, pedras preciosas e outra riquezas. Posto assim compreendemos que a questão mineralógica foi primordial na nossa historia. Muito antes dos clássicos ciclos econômicos do Brasil, tais como o ciclo do Pau Brasil, da cana de açúcar, do gado, e da mineração, já a questão mineralógica determinava, por uma certa decepção inicial as estratégias de colonização. Arrendamento, expedições, Capitanias Hereditárias, Governos Gerais, invasões, submissão à Espanha, entradas e bandeiras tudo desemboca na questão mineralógica. Dizem alguns historiadores que Portugal saiu-se endividado e empobrecido ( em 1640) dos anos de submissão a Espanha, que este foi um dos motivos da Casa de Bragança oferecer aos bandeirantes honrarias e recompensas se descobrissem minérios preciosos importantes nos sertões brasileiros. Assim Garcia Rodrigues Pais acha ouro em Minas Gerais, Borba Gato acha as minas de Sabará, Pascoal Moreira as de Cuiabá. A noticia se espalha e as regiões crescem.
Ainda não era o tempo de dar importância ao ferro, ao petróleo de uso tão recente, e aos radiativos. A questão da produção e da energia ainda sequer se cogitava, mas já eram as potências européias explorando e colonizando estas paragens. Calcula-se que entre 1700 e 1770 o Brasil forneceu tanto ouro quanto o resto da América havia produzido em 350 anos que precederam estas datas. Todavia isto era um nada diante da produção de ouro do Brasil de hoje. Mesmo assim, além de financiar os problemas brasileiros, alguns querem que este ouro tenha financiado a reconstrução de Lisboa em 1755, pago as dividas externas de Portugal quase todas com a Inglaterra, financiou a guerra contra a França e acreditem, contribuiu em larga medida para a industrialização da Inglaterra. Quem quiser aprofundar poderá achar ingleses envolvidos nas independências dos Vice Reinos de Espanha, na questão escravista, na história política que desatou na Republica Brasileira, sempre é claro cuidando de seus próprios interesses.
Mas aos poucos foi surgindo deste povo miscigenado uma consciência nacional, fruto possível de características culturais , lingüísticas, éticas e econômicas. Surgia um Brasil, esboçava-se uma nação. Ainda assim, somente estrangeiros levavam as nossas riquezas para além de nossas fronteiras. Pode-se dizer que ao fim do Império só estrangeiros exploravam minas neste Brasil. Foi somente em 1930, pouco mais pouco menos, é que Getulio começa a conscientização da necessidade de nacionalizar os capitais circulantes no Brasil, e começa a impor um programa de nacionalização das minas e dos Bancos fazendo transparecer este desejo no texto constitucional de 34 e 37. Claro que é licito a todo brasileiro esperar o verdadeiro desenvolvimento mineralógico do Brasil, e presenciar e contribuir no beneficiamento destas riquezas. Mas não vemos isto.
O Código de Mineração datado de 1967, tinha defazagens com relação à Constituição de 1988. Alterou-se por medidas provisórias ( MPs) alguns conceitos como o de empresa nacional, o monopólio do petróleo, o serviço de cabotagem , a distribuição de gás, etc., numa manobra que ao nosso ver, faz voltar a Nação Brasileira aos padrões de subserviência dos seus anos iniciais. Lamento. Somente grandes grupos estrangeiros tem condições de fazer as regras do jogo econômico, e o Brasil, como faziam os franceses no passado, em trocas de contas de vidros, isto é de benesses tecnológicas de consumo, entrega seu capital insubstituível, deixando o sonho de ser uma nação desenvolvida por um compromisso de subserviência como país fornecedor de matérias primarias. É isto que estaremos tentando demonstrar neste manifesto.

Texto de apoio: Ver "A Idade do Ouro no Brasil" de C.R. Boxer, Companhia Editora Nacional, 1963.
Argumentos.

Conceito de propriedade:
Exodo,20-17 : "Não cobiçaras a casa de teu próximo(...) nem nada do que lhe pertence."

Propiedade do latim, propietus, de propius,( particular, peculiar, próprio) genericamente designa a qualidade que é inseparável de uma coisa ou que a ela pertence em caráter permanente.

Obs.: Assim o subsolo é próprio do solo. A jazida é uma das propriedade do solo. Todo bem do solo tem ou terá destinação econômica, esta é uma de suas propriedades. No entanto as sutilezas dos conceitos, ao invés de aceitar, como se aceita o espaço aéreo como extensão da propriedade do solo, o subsolo como extensão do solo, faz distinção, e desloca o domínio do proprietário para o Estado, a União.

Propriedade na linguagem jurídica , em sentido comum, sem fugir ao sentido originário, é a condição em que se encontra a coisa, que pertence em caráter próprio e exclusivo à determinada pessoa. É um bem que pertence exclusivamente a alguém.
A propriedadade é compreendida como o próprio direito exclusivo ou o poder absoluto e exclusivo, que se tem sobre a coisa que nos pertence.
"Deste modo o direito de propriedade, que se assegura em toda a sua plenitude, sofre restrições advindas do respeito a direitos alheios ou fundada no próprio interesse coletivo, em face dos princípios jurídicos que transformam a propriedade numa "função social", com destino ligado ao bem estar do próprio povo".
No Direito de Propriedade, encontram-se integrados os direitos de uso da coisa, a quem pertence; o de fruir e gozar a coisa; tirando dela as utilidades( proveitos, benefícios e frutos) que dela possam ser produzidos e de dispor dela transformando-a, consumindo ou alienando-a".
Propriedade pública.
"A propriedade privada difere da propriedade publica, que é, a denominação dada a toda a coisa ou bem que pertence ao domínio do Estado, seja do domínio público do Estado ou do domínio Privado do Estado".
Desse modo, a propriedade pública é a que pertence ao Estado não importa o destino que tenha. A propriedade publica, opõe-se nesta razão, ao sentido de propriedade individual ou privada.
A Propriedade publica, então, evidencia-se bem que esta fora do comércio. E pela afetação legal que sobre ela pesa não esta sujeita à prescrição. É portanto inapropiavel e imprescritível".
( V.J. de P. e S. pag 1243 a 1246)
Posto ,isto, vejamos o que diz a Constituição Federal.

Artigo Primeiro da Constituição Federal : A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento:
1) -a soberania

SOBERANIA é o ponto de partida de nosso posicionamento.
O que é a soberania?

Para o Dicionário de Vocabulário Jurídico do Prof. Dr. De Plácido e Silva, soberania vem do latim Superanus, ( sobre, em cima, superior) logo diz do que possui autoridade suprema. No seu sentido jurídico é o poder que se sobrepõe ou esta acima de qualquer outro. Diz respeito à soberania do Povo, da Nação, do Estado. O poder soberano é a qualidade de toda a autoridade que NÃO esta sujeita ou sob o regime de outro poder (exceto a sujeição ao poder de Deus). É nítida, portanto, a noção de que o poder soberano não se subordina a outro poder. A soberania da Nação Brasileira é a sua independência, é a sua autonomia, a sua capacidade de manter-se livre da ingerência de outros estados tanto em seus negócios como em suas leis, diz assim respeito a auto determinação dos povos, limitada apenas pelos acordos internacionais que voluntariamente e livremente tenha aceitado.

Obs: Comentário;
É certo também , que quando uma nação percebe os prejuízos de um acordo assumido por má interpretação ou avaliação incompleta dos fatos,( exemplo ocorrido com o Chile em 1977 quando abandonou o Pacto Andino) nada há de ilícito que um tal país lute para corrigir seus erros ou, em nome de sua soberania, de sua independência política ou econômica, lute por desassumi-los.

Posto isto, voltamos ao artigo primeiro de nossa Constituição, parágrafo único. “Todo poder emana do povo, que o exerce pôr meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Logo, o Povo é soberano no seu território. O território é essencial para o exercício da soberania. É nos limites das fronteiras do Brasil que termina o alcance das leis brasileiras. Mas é também nos limites das nossas fronteiras que devem cessar quaisquer pretensões de ingerência ou gerência de interesses estrangeiros sobre o patrimônio material e cultural de nosso povo. Incluindo o subsolo. A indefinição e imprecisão destes limites ideológicos e legais, igualmente destas fronteiras geográficas essenciais, permitindo assim a sobreposição de interesses, é o que chamamos perda da SOBERANIA.

Textos de apoio:
"Um dos elementos principais da estrutura para toda a humanidade é, naturalmente, o Estado. E um dos principais elementos ou instrumentos de estruturação são as fronteiras, fronteiras nacionais."
E.F. Schumacher.
"Sem território não pode haver Estado"
"O segundo elemento essencial à existência do Estado é o território".
Darcy Azambuja, Teoria Geral do Estado, pg. 36.

"Em face desses aspectos é que se diz, em primeiro lugar, que a ordem jurídica estatal, atuando soberanamente em determinado território, esta protegida pelo principio da impenetrabilidade, o que significa reconhecer ao Estado o monopólio de ocupação de determinado espaço, sendo impossível que no mesmo lugar e ao mesmo tempo convivam duas ou mais soberanias".
Dalmo de Abreu Dalari, em Elementos da Teoria Geral do Estado, pg. 80.

O povo exerce a sua soberania, pelo plebiscito, pelo referendo e pela iniciativa popular ( AÇÃO popular ) como reza o artigo 14, I, II , III de C.F., sendo estes os meios para garantir a sua autonomia. A representação( referendo) é por assim dizer o meio mais racional de expressão da vontade popular. O povo elege seus representantes para que exerçam a sua representação. O Congresso Nacional é por assim dizer o “GUARDIÃO DOS INTERESSES NACIONAIS”.

Obs.: Quando a representação popular esta prejudicada, como por exemplo, no caso do Congresso Nacional, ou do Senado Federal, que esta, no caso das privatizações, manietado, pela lei 8031 do governo Collor de Mello, cabe ao povo, justificadamente, o plebiscito e a ação popular. Instrumentos licitos e Constitucionais.

Voltamos então à Constituição Federal.

PROPRIEDADE DO SUBSOLO

Artigo quinto, XXII: -é garantido o direito de propriedade;
XXIII:- a propriedade atenderá a sua função social;

Artigos 176. “As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta do solo, para efeito de exploração e aproveitamento, e pertencem à União ( o termo União, no Direito Brasileiro, é especialmente destinado para designar o Estado brasileiro, a União.), garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra”.

( Capitulo III, artigo 34 Código de Mineração "Entende-se por lavra o conjunto de operações coordenadas objetivando o aproveitamento industrial da jazida desde a extração das substancias minerais úteis que contiver, até o beneficiamento das mesmas")

( Capitulo I, artigo 4; "Considera-se jazida toda massa individualizada de substância mineral ou fóssil, aflorando à superfície ou existente no interior da terra, e que tenha valor econômico; e mina, a jazida em lavra, ainda que suspensa".( à superfície)

Ora, se o subsolo não se confunde com a propriedade do solo, julgamos que o legislador quis, salvo interesse pouco explicito, ou resquício do poder monárquico, neste conceito, dizer que a riqueza mineral e outras não pode ser privilégio de um ou outro proprietário particular, mas que pertence a todo o povo através da União.( Fica assim justificada tanto a exploração econômica pelo Estado, como também justifica-se o regime de monopólio, como no caso dos minerais atômicos, energéticos etc. no interesse do Estado, do bem comum)

Observe-se que aqui entram duas questões bem definidas. A primeira é a prerrogativa constitucional de o Estado legislar sobre a questão mineral, outra bem diferente, é a questão da prerrogativa constitucional que dá propriedade ao Estado sobre todo o subsolo, propriedade que ele não pode abrir mão, que ele não pode transferir.
Ainda que encontremos autores radicais como LABAND que o estado pode dispor de seu território e riquezas , haverá de dispor em beneficio de seu povo, do bem comum, ou seja deverá privilegiar, brasileiros e empresas brasileiras, pois o texto constitucional diz que a propriedade( no caso o subsolo) do Estado é publica, e pertence ao povo brasileiro. O principio demonstra uma contradição constitucional, que retira a propriedade do subsolo dos donos do solo para po-la em mãos do Estado, que ao invés de vender, beneficiar ou alienar estas riquezas sempre com o máximo de lucro para o povo brasileiro, cede em concessão ( a estrangeiros e empresas estrangeiras) confundindo serviços de pesquisa e extração com a propriedade destas riquezas. O que fica em contra partida? Impostos que substituem riquezas não renováveis em valores infinitamente superiores as contrapartidas deixadas. No caso da Petrobras deixam 8, 2 bilhões em impostos, e quanto levam em riquezas insubstituíveis? Cinqüenta anos de direitos adquiridos pela Companhia Vale do Rio Doce sobre lavra e jazidas envolvem um patrimônio estimado de 3 trilhões de dólares, e lembrem-se em cada trilhão temos mil bilhões.


Textos de apoio:

"Tradicionalmente o direito sobre a propriedade da lavra é garantido no Brasil até a extinção das jazidas e o Capitulo V do Código de Mineração que reza das Sanções e das Nulidades é ideologicamente submisso". De onde conclui-se que direito de lavra transferido para Empresa Estrangeira de Mineração é o mesmo que transferencia de jazida até a extinção.

OBS.: Quando o texto constitucional , historicamente, garantia a propriedade do produto da lavra, somente o Estado ( o Povo) e empresa nacional, de capital nacional, podiam servir-se destas riquezas.

Ora, parece de senso deformado, que o concessionário privado de exploração ou aproveitamento das riquezas minerais e outras,( Principalmente os Estrangeiros) citadas no texto constitucional, sejam os proprietários de riquezas que pertencem a todo o povo por meio do Estado. Pior, o proprietário estrangeiro não deixa uma contra partida a altura da riqueza que explora *. Ainda assim acrescente-se a função social da propriedade, que entre as muitas que possa ter,( A PRIMEIRA E A MAIS IMPORTANTE É ORGANIZAR A SOCIEDADE E GARANTIR DIREITOS) aqui neste manifesto é entendida como redistribuição do “lucro” das riquezas exploradas em solo brasileiro à toda a população , pois estas riquezas, em última análise, pertence ao povo brasileiro. Neste sentido o e Estado, a União, não pode fazer um "negócio prejudicial" aos interesse da Nação. Muito mais grave é a situação quando lembramos que estas riquezas insubstituíveis, reais, são substituídas por "riquezas virtuais" com credito, programas de empréstimo, rolagem de dividas internacionais, promessas de participação em programas de desenvolvimento global, etc.

*Ver a denuncia feita pelo Ex. Embaixador da Venezuela diante dos mais de quarenta anos de exploração do Petróleo naquele país por empresas estrangeiras, sem deixar uma contra partida à altura das riquezas exploradas e que são insubstituíveis.

"Mas os ricos raramente subsidiam os pobres; mais amiúde, exploram-nos. Podem não faze-lo diretamente mas o fazem em termos de comércio. Podem camuflar um pouco a situação com uma certa redistribuição da arrecadação dos impostos ou caridade em pequena escala, mas a ultima coisa que quererão fazer é separar-se dos pobres".
E.F. Schumacher.

Se o proprietário do solo não pode ser o proprietário do subsolo, é estranho que o concessionário, ainda mais o ESTRANGEIRO, possa ter garantida a posse do produto da lavra que é uma riqueza do povo por meio do Estado. A lavra deveria ser propriedade do Estado como bem claro fica no artigo 176 da C.F..

Parece que esta contradição tem origem no fato de que depois de Getulio é firme a convicção de que somente empresa brasileira, de capital nacional poderia fazer" uso "destas riquezas.

O parágrafo primeiro do artigo 176, antes das mudanças impostas por FHC, garantia que o aproveitamento a pesquisa e a lavra só podia ser exercida por brasileiros ( nada mais lógico) ou empresas brasileiras de capital nacional. Isto foi mudado, como também, mudou o conceito de Empresa Nacional ( MP). Assim um brasileiro não pode possuir o subsolo do lote que possui, salvo como empresa individual de mineração , mas um estrangeiro, ou empresa estrangeira de grande capital pode possuir o produto da lavra, ( sem uma lei reguladora que privilegie o interesse nacional sobre bens insubstituíveis) o que é contrário ao Artigo 20 da CF; Inciso IX que diz, são bens da União os recursos Minerais, inclusive os de subsolo.

No Código de Mineração , no artigo 79, parágrafo 1, encontra-se a afirmação seguinte:" Os componentes da firma ou sociedade a que se refere o presente artigo (Empresas de Mineração), podem ser pessoa física ou jurídica, nacionais e estrangeiras, mas nominalmente representadas no instrumento de constituição da Empresa". No Artigo 80, parágrafo 1 do inciso III lê-se: As pessoas jurídicas estrangeiras, comprovarão sua personalidade, apresentando os seguintes documentos, legalizados e traduzidos:
a) Escritura ou instrumento de constituição,
b) estatutos se exigidos no pais de origem,
c) certificado de estarem legalmente constituídos na forma das Leis do País de origem,

A Constituição alertava de forma bem clara para esta importância essencial de se ter “sob o domínio nacional” o produto da lavra, de tal forma que no Artigo 177 ; Inciso V, parágrafo 1: O Monopólio previsto neste artigo inclui riscos e resultados decorrentes das atividades nele mencionadas, sendo vedada à União ceder ou conceder qualquer tipo de participação, em espécie ou em valor, na exploração de jazidas de petróleo (...).etc. Não poderia , em nível de principio ser diferente com outras riquezas minerais do subsolo. Assim entendemos e tentaremos justificar adiante.

NA NOSSA OPINIÃO, BASEANDO-A, NA SEQÜÊNCIA DE CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS, UM ESTRANGEIRO , OU EMPRESA ESTRANGEIRA NÃO PODE SER PROPRIETÁRIA DO RESULTADO DA LAVRA QUE PERTENCE AO ESTADO, EXCETO POR CONTRATO DE CONCESSÃO ( de serviços) QUE DIFIRA EM TUDO DOS PRIVILÉGIOS CONFERIDOS A UMA ESTATAL.

Por outro lado, muitos autores vem alertando que a ideologia global já não defende este ponto de vista, tal ideologia pressupõe que o subsolo, assim como não pertence ao dono do solo( cidadão brasileiro) em uma visão de micro escala, também não pertence ao Estado Brasileiro numa visão em macro escala. Em uma visão de grande escala, o subsolo brasileiro, não pertence ao Brasil e a seu povo, ( que é, pelo texto constitucional, como já dissemos, sem sombra de dúvida, o dono histórico do solo e subsolo pátrio) mas entendem, pelo contrário, que este subsolo é um patrimônio da Humanidade.( Aqui esta a semente de um socialismo de capital, gerido por um Estado Virtual, um Comitê Global). OBS: Ver "O Surgimento do estado Virtual, território um conceito ultrapassado" de Richard Rosecrance, Universidade da Califórnia, Gazeta Mercantil, pg. 33 e seguintes, 8 de novembro de 1996.

* Entende-se esta "humanidade conceptual", sempre, como as “necessidades de sobrevivência das nações desenvolvidas”.

Como tentarei demonstrar podemos perceber que as Constituições Brasileiras, desde, pelo menos 1937, já reconheciam a importância estratégica , econômica e militar, das riquezas minerais, dos combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão, potenciais hidroelétricos, minerais e energéticos atômicos. Também o Código de Mineração reconhece tal principio com os conceitos de "Reserva Nacional e áreas de Monopólio".

Desde a Constituição Imperial de 25 de março de 1824, cabia à Nação o legislar sobre as riquezas do subsolo. A Constituição de 24 de Fevereiro de 1891(republicana) dava como atribuição do Congresso legislar sobre o assunto( Art.34)
Em 16 de junho de 1934 no artigo 5 , XIX, J rezava a competência de legislar...e Artigo 20, dava como bens da União as riquezas do subsolo. Na mesma Constituição, artigos, 116, 117, 118 falam das minas e 119 parágrafo quarto da nacionalização progressiva.
Em 10 de dezembro de 1937, no governo de Getúlio, a Constituição no Art. 143 dava exclusividade a Brasileiros na exploração destas riquezas, no Art., 144 a lei regulará a nacionalização progressiva das minas e jazidas e industrias básicas e essenciais à defesa econômica ou militar da Nação, Art. 145 a nacionalização dos Bancos, 146 regula os Bancos Brasileiros.
Em 18 de Setembro de 1946 a Constituição manda tributar as riquezas enviadas ao exterior e mantém no Artigo 152, 153 a exclusividade de brasileiros sobre estas riquezas( do Estado).
Em 24 de janeiro de 1967 a constituição já de posse das conseqüências da Segunda Guerra, além do Capitulo II, Art. 8, inc. XVII e letras h , e letra i, nos artigos 161 mantém a exclusividade de brasileiros ou sociedade organizada no país, Art. 162 que diz que a pesquisa e lavra de petróleo é monopólio da União, Art. 163 que o Estado Subsidiariamente explorará atividade econômica e Art. 166 que vedava a empresa de comunicação a estrangeiros ( veja- se que aqui, neste período, percebia-se toda a força do ideário estrangeiro sobre o povo, no caso o ideário comunista, igualmente, pouco tempo antes se reconhecia o ideário nazista, mas hoje quer queiramos quer não, temos o ideário globalizante ou o socialismo de capital, ou ainda o neo- colonialismo virtual).
Finalmente, a Constituição de 17 de outubro de 1969( pós revolucionária) no Cap. I Artigo 4 e 5, assim como Capitulo II da competência da União, XVII Letras H, I,L legislam sobre minas, jazidas, recursos minerais, águas , telefonia, energia nuclear, e sobre a transferencia de valores para o exterior ( ouro) e no Art. 169 dizia que a pesquisa e lavra são monopólios da União assim como no Art. 174 afirmava que a propriedade dos meios de comunicação ( formadora de opinião)é vedada a Estrangeiros. Ora, o problema da comunicação, como já dissemos, já era bem entendido desde o advento do Nazismo. Hoje, mesmo com a interferência dos meios de comunicação interpondo-se por sobre as fronteiras, ainda, justifica-se o seu controle, pois podem ocorre colapsos estratégicos realizados em favor de estrangeiros, ou por estrangeiros detentores de companhias estabelecidas em solo nacional. A Comunicação era entendida, diante da possibilidade de uma guerra como assunto de segurança nacional. E assim é nos países formadores do G7.

Para tanto, e por tudo isso, nossa Constituição atual prevê um Conselho de Defesa Nacional.

Desta forma, voltando à Constituição Federal:
Artigo 91: “O Conselho de Defesa Nacional (...)”
Parágrafo primeiro: “Compete ao Conselho de Defesa Nacional:”
III- Propor os critérios e condições(...) relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;
IV-(...) garantir a independência nacional...”;

O que nos leva a acreditar que há a necessidade imperiosa de um relatório de tal Conselho como um passo preliminar no processo de intenção de venda da Companhia Vale do Rio Doce, principalmente supondo, que a Vale seja comprada por estrangeiro. É imperativa uma posição clara dos interesses militares, e econômicos sociais, enquanto defesa dos interesses nacionais.


Já vemos portanto, que os fatos expostos até aqui, demonstram a seriedade do assunto, a importância da independência decisória ( econômica e militar) sobre estas riquezas, e a necessidade de que o assunto passe, pelo Conselho de Defesa Nacional, que é formado, como diz a Constituição, pelo Vice- Presidente da República, pelo Presidente da Câmara dos Deputados, pelo presidente do Senado, pelo Ministro da Justiça, pelos Ministros militares, pelo Ministro das relações Exteriores, pelo ministro do Planejamento, e no nosso entender, tendo tudo controlado e fiscalizado pelo Ministério da Fazenda como reza o artigo 237 das disposições constitucionais gerais, que diz: a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior,(destas riquezas e outras) essenciais à defesa dos interesse fazendários nacionais serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Por fim, pelo Congresso Nacional, como um Guardião dos Interesses Nacionais.
O Código de Mineração em vigor sofreu a defasagem da Constituição de 1988 que defendia os interesse nacionais neste assunto, e sofreu brutal ampliação das facilitações aos interesse estrangeiros com as medidas provisórias de FHC, o que por si só nos faz alertar que este código deveria ser revisto antes de qualquer tentativa de privatização.

(Lembrem-se os senhores, apenas como exemplo que a Vale exportou para o exterior, em 1996, oficialmente perto de 18 toneladas de ouro, avalie-se então o volume de riquezas insubstituíveis que vem deixando a Nação sem uma contra partida à altura).

Guardião dos Interesses Nacionais:
No entanto esta última atribuição Constitucional essencial no caso da Vale, que atribui ao Senado Federal a prerrogativa final sobre a privatização da Companhia esta limitada e impedida pela lei n. 8031 de 12 de abril de 1990, do governo Fernando Color de Mello.

Cabe perguntar: Quer o Congresso Recuperar esta Prerrogativa? Caso contrario, se o Congresso abre mão de sua representatividade, cabe ao povo e a sociedade organizada, exigir o plebiscito.

Todavia, e isto sempre nos escandalizou, as recentes alterações da nossa Constituição, principalmente no Capitulo da Ordem Econômica, feitas pelas Medidas Provisórias( MPs) de FHC, e aprovadas pelo Congresso Nacional, demonstram, como muitos denunciaram, que elas vieram para, facilitar a venda do patrimônio público para o capital internacional e facilitar de uma vez por todas o ingresso do capital internacional, em tais volumes que representam uma ingerência sobre os negócios do Estado, ou seja, em outras palavras, a estratégia veio articulada desde fora do país, talvez até mesmo condicionada à eleição e a reeleição do Presidente da República e que o Senado Federal a despeito de todos os avisos, teimou em não enxergar.

Textos de apoio:

"EUA pedem ao Brasil abertura mais veloz. O governo norte-americano quer mais velocidade na abertura da Economia Brasileira. Stuart Eizenstat, subsecretário de Assuntos Econômicos ,disse à Folha que o governo precisa "promover" uma genuína abertura para nossas ( deles) Industrias". ( Folha de São Paulo, 3 de fevereiro 1997, artigo de Clovis Rossi)

"Brasil é parceiro preferencial dos EUA. O representante dos EUA no Fórum Econômico Mundial, que se realiza em Davos, na Suíça, disse ontem que o Brasil é o principal parceiro de seu país no continente. "Não há relações bilaterais mais importantes na América Latina" destacou Stuart Eizenstat, minimizando os incidentes que tem incorrido na área comercial.(...) Em uma reunião fechada, no entanto, Eizenstat havia reclamado muito da política do Brasil para as telecomunicações". ( Folha de São Paulo. )

"Não devemos ter medo de exercer ( nossa) liderança ou hesitar em defender nossos interesses"
Madeleine Albright, Secretária de Estado dos EUA, Gazeta do Povo, pg. 20, 24 de janeiro 1997.

"Para nós o Brasil é de longe o parceiro comercial mais importante na América Latina"
Gunter Rexrodt -Ministro da Economia Alemanha.( Gazeta do Povo de 26 de Janeiro de 1997)

Ex.- Presidente dos EUA critica e intervém na intenção do Chile de comprar aviões de combate.( Gazeta do Povo 24 de Janeiro)

Ministro Luiz Felipe Lampreia critica barreiras econômicas elevadas do governo americano aos produtos brasileiros. "Prova de Defesa de Mercado por parte dos estadunidenses"

Sim, podemos supor a ingerência de interesse estrangeiros no caso das privatizações, o que vamos tentar demonstrar.

OS RECURSOS NÃO RENOVÁVEIS E O INTERESSE INTERNACIONAL.

Tal afirmação hipotética, feita acima, fica demonstrada pelo que afirmava o Instituto Tecnológico de Massachusetts quando produziu o documento “The Limits to Growth”( limites para o crescimento) encomendado pelo Clube de Roma.

Diz:
“Dadas as atuais taxas de consumo ( das riquezas não renováveis), e o projetado crescimento das mesmas, a grande maioria dos atualmente importantes recursos não renováveis serão extremamente caras daqui a 100 anos”.

“ Nós concluímos: Quanto mais raros os RECURSOS NÃO RENOVÁVEIS, maior o seu preço. Como a Vale esta sendo vendida com todos os seus Direitos de Lavra( conforme informa a Cartilha do BNDES), a hipervalorização de seu imobilizado ainda seria avaliar por baixo, ou seja, vendê-la é um mau negócio, mas, acima disto é uma traição ao povo brasileiro.


Com efeito diz Schumacher em Small is Beaultifull; “Eles não acreditavam haver muito tempo antes que a industria moderna, seriamente dependente de uma trama de convênios internacionais com os países fornecedores para o abastecimento de matérias primas, se veja defrontando-se com uma crise de proporções inauditas.( Recursos para a Industria, Schumacher, pg.105 Zahar Editores)

E segue: “Somadas à difícil questão econômica do destino de varias industrias à medida que recurso após recurso torna-se proibitivamente dispendioso, existe a imponderável questão política dos relacionamentos entre nações produtoras e consumidoras, quando os recursos remanescentes se concentrarem em regiões geográficas especificas. A recente nacionalização das minas da América do Sul e as bem sucedidas pressões do Oriente Médio na questão do petróleo sugerem que a questão política possa manifestar-se muito antes da questão econômica final”.

"A sabedoria convencional daquilo que hoje é ensinado como Economia deixa de lado os pobres, aquelas pessoas para quem é preciso o desenvolvimento"
E.F. Schumacher, pg. 63 em Small is Bealtifull.

OBS.: E. F. Schumacher faleceu em 1977 na Suíça. Era um economista inglês especialista em problemas de combustíveis. Serviu aos interesse das grandes potências quando pedia para as economias de terceiro mundo se mantivessem pequenas em nome da preservação ambiental. Seu grande mérito foi ter revelado para o terceiro mundo as verdadeiras intenções das grandes nações industrializadas e seus problemas


“As grandes potências de hoje, com raras exceções terão exauridas suas próprias fontes de minérios nas próximas décadas tornado-se cada vez mais dependentes da produção dos países em desenvolvimento”( Professor. Breno Augusto do Santos no livro de Severo Gomes)

“Os recursos naturais estratégicos constituem-se, assim, no ponto central de uma análise estratégica global sob o poderio e a soberania de cada país no quadro mundial. A crescente dependência dos EUA, da Europa Ocidental e do Japão, em relação às importações de petróleo e de minerais é o elemento da maior fragilidade na correlação das forças internacionais que repousa no critério da “dependência estratégica” conceito com repercussões diretas nos Planos políticos e militares” ( Severo Gomes, Uma Investigação Truncada, editora Paz e Terra, pg. 60)

“Na Casa Branca apela-se exigindo cada vez Maiores esforços para pesquisar e explorar os restantes tesouros da terra”. ( E.F. Schumacher)

“Qualquer escassez de suprimentos, por menor que seja, imediatamente dividiria o mundo entre “os que tem e os que não tem. ( E.F. Schumacher 1972)

“ Aumenta cada vez mais a dependência dos EUA, Japão, Europa Ocidental, dos minerais estratégicos como: Manganês, Berilo, Tântalo, Tório, Níquel, Bauxita metalúrgica e refratária, estanho, cobre, titanio e nióbio”.
( Vale do Rio Doce uma Investigação Truncada, Severo Gomes, pg. 20)

O Almirante Gama e Silva ao lembrar que na Austrália 50% pelo menos do capital das mineradoras tem de ser nacional, e lá, onde a maioria das empresas mineradoras são Inglesas, e é país que tem a rainha da Inglaterra como Chefe de Estado, Gama e Silva diz: “certamente eles perceberam que não era bom seguir a recomendação do G7, segundo a qual os países subdesenvolvidos precisam ceder os seus recursos naturais para quitar as dívidas que contraíram”. (Jornal Hora do Povo, 19 de dezembro de 1996).

Eis a origem ( semi velada) da ideologia globalizante. Vejam os senhores que, em 1979, 5,6% da população mundial que habitava os EUA, consumia 40% dos recursos primários do mundo. O National Petroleum Council, calculava que em 1985 os EUA teriam que cobrir 75% de suas necessidades com importações de petróleo, e assim foi.
Alemanha, Inglaterra e EUA possuem leis regulando reservas estratégicas ( intocáveis) em solo nacional tanto de carvão , como de petróleo e de minério de ferro entre outras. Este conceito também existe no C.M. brasileiro.

"Não obstante o sistema industrial dos EUA não pode subsistir somente com seus recursos internos( muito menos o Japão) teve por isso de estender os seus tentáculos em torno do Globo para garantir seu suprimento de matéria prima" ( E.F. Schuamacher)

Pergunto nós não deveríamos preservar as jazidas, e do produto da lavra tirar o máximo proveito em favor do povo Brasileiro? Quem pode ser contra isto?

MINERAIS ESTRATÉGICOS e CONFLITO ARMADO.

A própria Companhia Vale do Rio Doce teve seu inicio de uma necessidade militar em 1942 como testemunham alguns documentos fornecidos pela AVAL. A Vale foi criada pelos acordos de Washington que estabeleceram a participação do Brasil na II Guerra com o envio da força expedicionária à Itália. Num acordo entre a Inglaterra, EUA e Brasil, o Brasil reassumia o controle das jazidas de Itabira que era reclamada pela Itabira Iron, e iniciava assim a grande empresa de economia mista ( que obdecia a estratégia de nacionalização gradativa de Getulio). Nesta ocasião recuperávamos autonomia sobre o que era nosso..

Lembrem-se também, como um eloqüente argumento, e prova da ingerência dos grandes sobre os pequenos, da guerra do Golfo pelo petróleo. ( Ver conceito de intervenção armada, Coronel Roberto Monteiro, em " Ameaças à Soberania da Amazônia")

O conceito de segurança e as necessidades de matéria primas vem de longe. Durante a Guerra da Coréia , sito aqui como exemplo, o governo norte-americano encomendou à CIA a
“ proteção de todas as instalações de valor estratégico localizadas fora do território nacional norte -americano”. Essa proteção incluiu empresas como: Union Miniére du Haut Katanga (Congo Belga), Internacional Nickel Co. do Canadá, as plantas de bauxita em Curaçao e Trinindad, a Nicaro Nickel Co. em Cuba onde os EUA mantém uma base militar, o Suriname, os campos petrolíferos da Venezuela , a Standard Oil em Aruba, a refinaria Barkel na Indonésia, as plantas de estanho da Bolívia, o manganês da África do Sul, no Zimbábue e em Moçambique.

Quem não percebe então a questão militar? Ainda mais agravada pelo fato de que no Brasil a Vale possuir portos e estradas de ferro?

O Escritório de Minas dos EUA elaborou um catálogo de 32 minerais considerados estratégicos e críticos para a defesa nacional norte-americana. Apenas oito requerem importação menor do que 50%., nela o Brasil aparece como abastecedor de nióbio, berilo, minério de ferro, manganês, tântalo, e tório.( The United States and Global Struggle for Minerals, 1979, pg. 150-151, editado pela Universidade do Texas)

O Almirante Roberto Gama e Silva, classifica quatro grandes carências: crise de energia, de alimentos, de água potável e de minerais.
Para ele o Japão e EUA seriam os mais sensível à dependência de alguns minerais estratégicos.

“Assim sendo, pode-se concluir, desde já, que a crise de matérias- primas da natureza mineral, afeta em primeiro lugar 30% da humanidade assentada nas regiões desenvolvidas. Os demais seres humanos só serão atingidos indiretamente porque dos subsolos das regiões em que vivem é o lugar em que os países ricos tentarão extrair os os bens minerais.(...) Heis pois delineada a divisão do Planeta pretendida pela “Nova Ordem”. Os Estados Transformadores, ou prósperos, e os Extratores ou subdesenvolvidos”.( Jornal Hora do Povo)

O Governo Brasileiro parece ser o único que acredita que estas riquezas não renováveis são infinitas. Tratando, como já denunciava Schumacher, todas estas riquezas não renováveis como bens de renda, quando na verdade são bens de capital, por serem insubstituíveis. Somos os únicos a não enxergar todo o valor econômico e militar destas reservas, ou , o que também é importante, seu poder de barganha. O que é mais espantoso, mostra-se, o governo, pelo menos diante dos documentos que tivemos acesso, subserviente, omitindo-se, no meu entender, diante da indepêndencia econômica e da verdadeira possibilidade de desenvolvimento nacional.

Incrível que trocamos estes bens insubstituíveis por uma riqueza virtual. Dinheiro , papel, cartas de crédito, rolagem de juros, como se não fosse o ouro, para nós os dinossauros da economia real, o lastro histórico dos meios de troca. E produziremos em breve ( nos próximos 100 anos) 30 toneladas mês de ouro segundo nos informa Severo Gomes comentando os objetivos da Companhia Vale do Rio Doce.

Em nome de um Estado no Lugar Certo, e em nome de um compromisso com a “modernidade”, e, como se fosse possível, para um país em desenvolvimento , fazer frente ao problema da concorrência sofrida pelo acúmulo histórico da exploração mineralógica dos capitais dos países produtores sem o socorro do Estado vamos entregando tudo. ( Ver o Estado Virtual, Capital sem Território e Povo, Gazeta Mercantil, 8 de novembro 1996, pag. 33 e seguintes)


A PAZ NO MUNDO E A GLOBALIZAÇÃO.

“ A TERRA PROPORCIONA O BASTANTE PARA SATISFAZER A NECESSIDADE DE CADA (POVO) HOMEM, MAS NÃO A VORACIDADE DE TODOS OS (POVOS) HOMENS.
GANDHI.

Eu me pergunto é ilícito ao povo brasileiro desejar garantir tais riquezas? É ilícito o Senado recuperar sua prerrogativa? É ilícito rever com urgência as concessões de pesquisa e lavra, as leis específicas do setor? É inútil, para o país, pricipalmente diante do privilégios oriundos do monopólio de exceção, impedir que o “sistema de negócios e trocas característicos de uma estatal passe para privados estrangeiros? É ilícito querer saber se a Vale pode ser negociada sob suspensão de seus direitos de Lavra?

Podemos nos expor à privatização se rever o Código de Mineração em vigor e faze-lo defender nossos interesses?

“Um homem de negócios não consideraria que uma firma resolveu seu problema de produção e se tornou viável se a visse rapidamente consumir seu capital”

Os recursos minerais são recursos insubstituíveis.

Os combustíveis fósseis e os minerais são bens de capital não bens de renda. Pelo menos assim deveríamos tratá-los.
E.F.Schumacher.


Vejamos então o que diz Hélio Gaspari sobre a Globalização: ( Gazeta do Povo , 19 de janeiro de 1997)

“...os regimes globalitários são os sucessores dos regimes totalitários. Nesses o poder era exercido por um partido único que não admitia oposição organizada, subordinando o interesse da pessoa ao do Estado.
Os regimes globalitários repousam sobre os dogmas da globalização e de um pensamento exclusivo na formulação da política econômica subordinando os direitos sociais dos cidadãos a razão competitiva entregando à banca o controle das sociedades”.

"A fronteiras são demarcação de poder político, cultural, racial e lingüistico. Os economistas lutam para impedir que tais fronteiras se transformem em obstáculos econômicos...daí a ideologia do "Livre Comércio"
E.F. Schumacher.

No documento “A Globalização do Comércio de Bens e Serviços- Os Megablocos- O Mercosul” de 21/maio/1995 de autoria do Conselho Paranaense da Livre Iniciativa, lemos o seguinte: “ A união de blocos de países formando uma zona de livre comércio, um mercado comum ou uma união econômica, não é uma idéia nova, nem isolada, nem expontânea. Esta idéia tem sido diligentemente pregada e perseguida ao longo dos anos por iniciativas varias.
Sua base doutrinária parte do pressuposto( raramente verdadeiro) da complementariedade dos Estados”.
... Assim encontramos a CEF (Comunidade Econômica Européia) a ALALC / ALADI ( Associação Latino Americana de Livre Comercio) , o Pacto Andino, o Mercosul, o NAFTA( North American Free Trade Agrement), a APEC ( Ásia Pacific Economic Cooperation)o GAT ( General Agreement on Tariffs and Trad), a OMC ( Organização Mundial do Comercio), a CEPAL( Comissão Econômica da ONU para a América Latina, etc.



ESTRANGEIROS TEM RESERVAS MINERAIS NO BRASIL?

J. W. Bautista Vidal: “O código de mineração limita cada pessoa , física ou jurídica, a cinco autorizações de pesquisa para cada substância mineral e, no máximo a cinqüenta de cada classe. Frauda-se este preceito legal com a criação de “empresas de papel”, criadas apenas para burlar a lei. Conforme atesta R. Gama e Silva no seu livro, somente a Britissh Petroleum controla diretamente 34 “empresas de papel” e, em associação com a Brascan, mais 58 dessas empresas fantasmas. Avalia-se que , através desta pratica fraudulenta, imoralmente tratada pelas autoridades brasileiras, corporações estrangeiras já mantinham em 1984 cerca de 9.970 reservas de área, incluindo pedidos, autorizações de pesquisas e certidões concedidas, representando uma superfície de aproximadamente 35 milhões de hectares, equivalentes portanto, aos territórios de duas Alemanha providas de riquíssimos subsolos...”( 19 março de 1987 na Tribuna da Bahia)

O PREÇO DA VALE?... enquanto detentora de direitos de lavra ... vale dois a três trilhões de dolares.... mais, muito mais, vale o futuro. IMPORTANTE.

Sem discutir valores, uma vez avaliada a empresa, os senhores acham que , por exemplo, as coligadas estrangeiras, em número de 26, mais as 18 controladas venderiam pelo valor da avaliação a suas participações que totalizam 49% do capital total da empresa? Eu particularmente acredito que se a União fizesse a proposta eles não abririam mão de tais perspectivas. Não venderiam.
Agora comparem os volumes de recurso que o Governo federal diz pela imprensa que irá arrecadar com o IPMF e veja se nós brasileiros não podíamos ter a Vale completamente nacionalizada. Podemos ou não?

Por outro lado afirma-se que a CVRD tem investimentos da ordem de US . 30 Bilhões.

Que é detentora de concessões de reservas minerais avaliadas hoje na ordem de 2 trilhões de dólares. E que o preço de sua avaliação estaria por volta de 1% disto.
(Documento da AVAL)

Que a empresa é a maior produtora de ferro do mundo e uma das maiores produtora de ouro do mundo
( Cartilha do BNDES).

Ouro é lastro de moeda ( há quem defenda que não) e não deveria sair das fronteiras nacionais se o país verdadeiramente quisesse ser independente, e o ferro, só deveria sair beneficiado pala siderurgia nacional para assim beneficiar-se ,o país dos lucros da industrialização. (Ver conceito de lavra C.M.)

( Gazeta do Povo 28/01/97: “A companhia Vale do Rio Doce vendeu no ano passado 17.532 quilos de ouro, apenas 4.778 quilos foram comercializados no mercado interno , o restante foi para o exterior”)
Dezoito tonelada por ano ( segundo o relatório da Empresa) de evasão oficial do ouro. Acrescida do contrabando pode-se imaginar a quantidade de lastro monetário a deixar as fronteiras do país nos últimos 52 anos, para quando muito pagar a rolagem de dívidas.

A Auditora( Merriyl Linck)do processo de privatização que é ligada ao governo dos EUA recebe 12 milhões de reais por mês, o equivalente a uma tonelada de ouro ao preço de hoje. ( Conforme informa o Coronel Roberto do Ex. Chefe do SNI da Amazônia)
( 11,88 Reais o grama Jornal Industria e Comércio)).

Nada disto pode ser desconsiderado, tais fatos são, no meu entender o indicativo do péssimo negócio que será feito. Jazida descoberta em Carajás deve dobrar a reserva de ouro da Vale do Rio Doce Ela passaria de 450 toneladas para 950 . A jazida Corpo Alemão tem 500 toneladas" (Folha de São Paulo 3 de fevereiro de 1997)


A CARTILHA DO BNDES.

Vista assim, depois do exposto, e não há outro meio de obter melhores informações, a Cartilha passa a ser uma vergonha, quase uma traição.
Porém ela faz algumas afirmações úteis para o nosso raciocínio. Diz:
1) A vale é uma empresa lucrativa que não representa ônus para a União.
2) A Vale é mais que uma empresa, é um agente de desenvolvimento.
3) A Vale é um orgulho e um patrimônio nacional.
4) As minas exploradas e por explorar estão e estarão sob domínio da empresa a ser vendida e portanto tais direitos serão transferidos. ( há minas que ainda serão exploradas por 400 ( quatrocentos) anos.
5)Que uma tonelada de ferro a ser extraída daqui a 30 anos valerá menos do que uma extraída hoje( pg. 11) o que , tudo leva a crer, é falso.
6)Que os lucros das operações no Brasil “podem” ser reinvestidos no Brasil. Ora, as riquezas são nossas os lucros destas riquezas econômicas DEVEM incondicionalmente serem aplicados no Brasil. O simples fato do estrangeiro ficar com um recurso não renovável já o endivida perante a sociedade brasileira.
7)Que as ações ordinárias não serão vendidas de forma pulverizada, o que indica intenção de privilégio.( A cartilha do BNDES alega falta de poder da economia nacional de levantar fundos. Por outro lado as publicidades do Governo Federal para com as vantagens do (CPMF) apregoam que somente com ele serão arrecadados 6.5 Bilhões de reais num ano, valor superior à parte que caberia à Nação pela venda da Vale.
8)Que não há obrigação de investimento na área social por parte dos “compradores”, nem em infra-estrutura de transportes, portuárias ou percentual mínimo de investimento no social. Fica tudo por conta dos “possíveis impostos”.
9) Nega que a companhia e as coligadas tenham informações estratégicas sobre os recursos minerais, o que transformaria a compra em negocio de risco, o que é falso.( Fato largamente negado pela imprensa e por técnicos do setor)
Cabe aqui um comentário. O Código de Mineração reconhece o direito e as técnicas de prospecção aéreas. Entende estas técnicas como " Reconhecimento Geológico", e admite o direito de uma companhia que tenha estes instrumentos em inscrever-se como "detentora de direito à pesquisa e lavra". O espaço aéreo brasileiro é controlado. Todavia o Projeto Radan mapeou toda a Amazônia fazendo entre outra missões a prospecção aérea, informação que esta na posse de estrangeiros . E o Sivan, não vem na mesma linha? Acontece que os países que se envolveram com as pesquisas espaciais, desenvolveram apuradas e modernissimas técnicas de avaliação a distancia, tanto das atmosferas como solos e subsolos de distantes planetas, que consideram terras de ninguém e possíveis fontes de riquezas e energias. Aconteceu que certo dia voltaram estas tecnicas desde o espaço para o solo do planeta terra e, há quem afirme, que puderam mapear com razoável segurança todos os tesouros existentes sobre a superficie explorável do planeta. Isto nos coloca em profunda desvantagem. Este "Reconhecimento Geológico "apurado, burlou as leis de concessão de pesquisa de todos os países do planeta, o que por si só é motivo de estudos de Direito Internacional.
10)Como nenhuma companhia estrangeira esta vendendo direito de lavra no Brasil (e existem mais de 9.000 reservas de áreas feitas por estrangeiros no Brasil*), só o argumento de que o Estado estaria fora de sua função é argumento insuficiente para a venda da Companhia Vale do Rio Doce, mais ainda, considerando-se que o valor da venda cobrirá uns poucos meses de juros da dívida interna brasileira, chega a ser um absurdo a venda da Vale.
(* Ver a Privatização Branca da Vale, Senador Severo Gomes, CPI da Vale do Rio Doce) .

Eu me pergunto, diante do exposto aqui, se haveria verdadeiro motivo para a venda da companhia além dos interesses de capitais estrangeiros? Não é a CVRD mais uma peça no programa de desnacionalização da economia? Coroada pela alíquota zero para importação de auto peças e o Banckrupt da Agricultura ( ver CPI da Agricultura 1993)

Quando Getulio Vargas, manifestando suas intenções de nacionalização da economia no período vigente entre os anos de 1934 e 1937, introduziu no texto da Constituição de 37, explícita, clara e textualmente, a necessidade de nacionalização da economia em nome da soberania do Estado e, naquela ocasião, deve-se notar que dava-se algum tempo para Bancos e Empresas estrangeiras colocarem no mercado suas ações, para que uma vez adquiridas pelos cidadãos brasileiros, fizessem assim, parte do patrimônio nacional junto com seus capitais. Percebia-se nesta intenção o segundo grito de independência da Nação .

Como , naquelas constituições do passado, e na atual, as riquezas econômicas pertenciam e pertencem à Nação e ao Estado , principio que, semelhantemente encontramos nas Constituições de países como, ( Austrália lei do uso do Subsolo; Coreia Artigo 119 e 120; Filipinas Artigo XII seção 2; Áustria Artigo 10 (1-4); Angola Artigo11; Cabo Verde Artigo11; Macambique Artigo 8; São Tomé e Príncipe Artigo 4 (2); México Artigo 27; Peru Artigo 118, 122,e 128( os bens públicos, cujo uso é de todos, não são objeto de direitos privados); Portugal Artigo 81 letras E e N; Alemanha Artigo 74 ( 15) sobre a vantagem de o Estado explorar riquezas estratégicas), faz-nos concluir que é essencial, a posse e os benefícios da exploração e beneficiamento de nossas riquezas.
A Constituição EUA não fala diretamente dos minerais, mas o Escritório de Minas e Energia americano prevê reservas estratégicas em solo nacional .
No nosso caso, a exploração, ainda que pelo Estado, no interesse da Nação ( como até mesmo a constituição alemã prevê sobre empresas Estatais), ou por privados, nacionalizados, que beneficiem estas riquezas aqui no Brasil seria sempre vantajosa. Isto chega a ser uma obrigação. Porém não podemos esquecer, que a recente mudança constitucional sobre o conceito de Empresa Nacional coloca na mão de estrangeiros a exploração privada em grande escala, o que nos inclina à defesa da manutenção da Estatal Vale do Rio Doce e à revisão do Código de Mineração brasileiro que é anterior à Constituição de 1988.
Não, podemos admitir em nome da globalização a transformação do Brasil em paraíso de montadoras e num fornecedor escravizado de mão de obra e riquezas primárias.

( No caso da industria automobilística por exemplo, o GEIMOTE, ao tempo de Jucelino propunha a nacionalização da industria através da gradativa nacionalização da industria de peças. Hoje as altas alíquotas para importação de veículos caros e sem concorrência no mercado, sangra economias privadas de classe média e as alíquotas quase zero para importação de peças desestimula todo o parque industrial de peças automotivas”).

Como Getúlio Vargas não confundia nacionalização com estatização, mas também não negava a segunda, isto nos permite inferir que ele defendia a soberania e o verdadeiro desenvolvimento tecnológico e social do Brasil, Considerando que o artigo 163 da Constituição de 1967 nos propiciou licitamente o surgimento das estatais com direito ao monopólio não há ou ouve inconveniente em criar e manter a Vale do Rio Doce. Com as políticas de monopólio estatal, desde o tempo de Getulio até agora , não nos propunham, e não ousavam, como estão nos fazendo hoje, que este "desenvolvimento" e esta mondernidade seja, por assim dizer, uma participação dos “benefícios” oriundos dos planos de “Desenvolvimento e Sobrevivência das Economias das Nações Industrializadas". O nosso desenvolvimento, nesta virada da história tem de ser verdadeiro, e por isto devemos pagar o preço da independência.
( incluir texto sobre desenvolvimento da América Latina)

Fica claro para nós, que à época de Getulio esperava-se então, com a nacionalização da economia, um desenvolvimento livre e soberano do Brasil, e portanto jamais se pretendeu entregar as riquezas do país em troca de uma “melhoria” de nível das elites consumistas da nação, ou de um poder político subserviente.

Uma companhia detentora de direitos de lavra acumulados de forma muito particular durante o longo período em que foi , na pratica quase o objeto de "monopólio" estatal, onde era praticamente a única economia ativa do setor ( mas sofreu a privatização branca, como afirma Severo Gomes tendo em certo período a minoria das cotas, tendo à época que intervir o presidente José Sarney), exige, para ser privatizada, enquanto companhia de risco, e não estatal, a anulação de todos os direitos contratuais de exploração.
O que estamos defendendo aqui, fique bem claro, é o nosso posicionando contra a entregar riquezas brasileiras insubstituíveis.

Entrega-se tudo. O artigo 176 garante ao "consorcio" privado ( dentro do novo conceito de Empresa Nacional) o produto da lavra? . Não podemos transferir um “mercado” licitamente privilegiado pelo “status de estatal” para o capital internacional. Não podemos por à venda pelo preço mal equiparado do "capital imobilizado" da Vale riquezas em jazidas exploráveis até a exaustão. Porque o Estado, que é o povo, é o proprietário do produto da lavra.

Em 1987, Bautista Vidal denunciava mais de 9.000 reservas estrangeiras totalizando uma área maior que duas Alemanha medidas sobre o solo nacional, o que não pode ser entregue, desta maneira, ao capital internacional. Por que?

Porque assim, todo o “Trade System” obtido de maneira invulgar pelo privilégio de um quase monopólio estatal, não pode ser tranferido à interesses estrangeiros.

Este Trade System de privilégios característicos de estatal poderá se tornar, ou melhor, haverá de se tornar um Sweatin System (sistema que faz suar) explorando a mão de obra( e riquezas) a preços vis.
Assim sendo, apoiados no fato de que, o BNDES diz não acreditar na possibilidade de se colocar as ações da Companhia Vale no mercado interno (pg. 15, item 15 da Cartilha do BNDES.) e que o próprio BNDES admite a lucratividade da empresa, então, no nosso entender, não se justifica, em nome dos interesse da Nação brasileira, a sua venda, ainda que apenas a venda de instalações, corpo técnico e tecnologia, pois que, estará assim prejudicado o acesso aos cidadãos brasileiros e aos capitais genuinamente brasileiros, que impedidos pela Emenda Constitucional, como já dissemos, que alterou o conceito de Empresa Nacional estarão prejudicados. Muito menos pode-se admitir uma Administração Compartilhada dos minerais e combustíveis energéticos, o que é uma traição ao Brasil ( Ver: "Ameaças a Soberania da Amazônia e Administração Compartilhada, perda da Soberania"; Roberto Monteiro de Oliveira , Ex.Chefe do SNI da Amazônia).
.

OBS.: Portos, estradas, ferrovias, por serem bens de uso comum e importante para a segurança da nação e da economia, não devem ser privatizadas, o que podemos é privatizar os seus SERVIÇOS.


A submissão do Governo Federal na proteção dos interesse e necessidades estrangeiras, acrescido de um exercito enfraquecido ( com riscos de vermos nos próximos anos, também as suas disposições constitucionais modificadas descaracterizando a sua função), um povo manipulado pela mídia ( que possui suas principais fontes em Agencias Estrangeiras de Notícias), põe em risco sem duvida a soberania nacional. Atrela o país aos ideais globalizantes, que segundo Hélio Gaspari apresenta-se como a pior das escravidões, uma ideologia que não suporta mais qualquer oposição, um capital “virtual” gerido por um “Estado Virtual”, um Estado Global que não permitirá qualquer limite sobre o uso das riquezas do globo, mas que não nos garante, nem pode faze-lo, acenado com qualquer sombra de justiça social ou equidade social. Sinto que, cada vez mais, e os senhores sabem do que estamos falando, que seremos condenados ao rol dos países fornecedores, tudo em troca, mais uma vez de privilégios feito entre elites desvinculada (por livre opção) do bem comum.

Finalizando;
Durante a manipulação dos documentos citados acima, no caput deste manifesto, acrescidos da manipulação de jornais, pudemos localizar algumas personalidades que se manifestaram claramente a favor ,ou contra, a privatização da Vale.
Julgamos útil enumerá-las:

A Favor:
Ex-Presidente Fernando Collor de Mello;
Presidente Fernando Henrique Cardoso;
Geraldo Mello;
Senador Amim;
Senador Klainubing;
Senado José Roberto Arruda;
Luiz Carlos Mendonça de Barros ( Presidente do BNDES).
João Nogueira;
Paulo Soares;
Jorge Lima;
Paulo Sérgio Pinheiro, este ultimo o mesmo que prefaciou o livro denuncia do “falecido” Severo Gomes.
Eliezer Batista.

Contra:
Senador José Eduardo Dutra;
Ex-Senador e ex-ministro Severo Gomes, “falecido” com Ulisses Guimarães;
Almirante Gama e Silva;
Coronel Roberto Monteiro de Oliveira ( ex-chefe do SNI do Amazonas);
J.W. Bautista Vidal ( ex. secretário do Ministério da Industria e Comércio);
Mauro Santos Ferreira ( Economista do Banco de Desenvolvimento de MG );
Fabricio Augusto ( Economista e professor da Unicamp)
Milton José Martin Bueno ( presidente da Metalbase);
José Cardoso ( jornalista do “O Estado de São Paulo);
Ex. Presidente Itamar Franco;
Ex. Presidente e Presidente do Senado José Sarney,
Luiz Inácio Lula da Silva,
Deputado José Greenhallgh;
Senadora Benedita da Silva;
Senador Eduardo Suplicy;
Antônio Erminio de Morais( Grupo Votorantim)
Euclides Panedo Borges ex-presidente da Vale Sul;
Aloysio Biondi ( jornalista Folha de São Paulo);
Hélio Fernandes;
Oscar Niemeyer ( arquiteto);
Paulo Sérgio Pinheiro a dez anos atrás;
Ex. Ministro José Aparecido de Oliveira;
Moacir Wernck de Castro;
Luís Fernando Veríssimo;
Darcy Ribeiro;
Economista José Carlos de Assis;
Ivan Alves Filho ( historiador);
Taka Siqueira ( professor da UEMG)
Barbosa Lima Sobrimho;
Leonel Brizola;
Ex. Governador Valdir Pires;
Deputada Maria Conceição Tavares;
Deputada Socorro Gomes;
Vicente Paulo da Silva ( Presidente da CUT);
Senador Lúcio Alcântara;
Senador Epitácio Cafeteira;
Senador Ademir Andrade;
Senador Pedro Simon;
Leo de Almeida Neves;

Conclusão:
Como Deputado Federal, e, justamente por ter como função representar o Povo no Legislativo e fiscalizar atos do Executivo Federal, venho lamentar o pouco acesso e a inexistência de documentos disponíveis para análise, além destes já citados por mim aqui neste manifesto e os dados fornecidos pela imprensa, o que prejudica uma melhor análise, e denuncia por si só, principalmente diante da importância do tema, o descuido, a desinformação das autoridades e do povo sobre o complicado tema. Todavia fica, mesmo assim, muito bem denunciadas as fragilidade dos argumentos do Governo. Por tudo isso aqui apresentado advogo:

1)A necessidade do Senado Federal recuperar as suas prerrogativas ( perdidas pela lei 8031) de dar a palavra final sobre a privatização da Vale;

2)Necessidade de dar conhecimento ao Congresso Nacional do conteúdo do relatório do Conselho de Desestatização e exigir um relatório do Conselho de Defesa conforme, entendo, explicita o texto Constitucional.

3)Tomando por base as informações do Senador José Eduardo Dutra de que há jazidas que serão exploradas ainda por quatrocentos anos, (caso de Carajás) advogo uma revisão( e não discuto se possível ou não) dos contratos de concessão , permissão e análise da legislação reguladora do setor, uma vez que muda o Trede System , revendo todo o sistema concedente de direitos de pesquisa e lavra, em nome dos interesses nacionais.

4)Que o Ouro, por ser lastro monetário (histórico) e riqueza insubstituível deveria ser impedido de sair do país. Há quem não concorde, todavia é bom reconciderar.( Ver caso da queda do embaixador Suíço por causa do ouro Alemão)

5)Entendo que a privatização da Vale não é um bom negócio para a Nação e diante daquilo que foi exposto aqui pode-se supor a hipótese de que tudo seja orquestrado desde o exterior.

6)Em nome da prudência e do bom senso, tendo em vista os capitais envolvidos e o tamanho do volume de riquezas não renováveis a ser transferido ainda por um tempo indeterminado e um futuro incerto, para mãos estranhas aos interesse nacionais, aconselho que a Companhia Vale do Rio Doce deva permanecer como Estatal ( majoritária) de Capital Misto com tendências à total nacionalização.

7)Não é possível que se defenda a transferencia de tamanhas riquezas em nome da divida interna. Muito menos em nome de possíveis recursos para saúde educação, etc. Depois de arrecadados mais de 11 bilhões de Reais, nada se fez, com este dinheiro, pela educação, saúde, etc. Dos mais de quatro bilhões que o Estado receberia (caso efetuada a venda) pela privatização da Vale, nada ou quase nada adiantaria para minimizar os juros da dívida interna como podemos deduzir dos seguintes textos.


Vejamos: Textos de apoio:

A divida interna subiu 62,39%. De 108 bilhões passou para 176,173 bilhões. Desde 1994 com o inicio do plano Real a divida interna subiu 195,9 %. Seis bilhões é atribuído ao empréstimo feito aos bancos privados, a ajuda aos bancos respondem por 24,362 bilhões de reais. Cinco bilhões é de responsabilidade do Tesouro Nacional e 9,987 bilhões é identificada só pela entrada de moeda estrangeira que entrou no pais no ano passado.
(Gazeta do Povo, Caderno Nacional, 28 de Janeiro)

Lillian Witte Fibe:
" O economista Paulo Guedes, de conhecida tendência
liberal não tem medo de dizer que, em dois anos e meio o Governo conseguiu a proeza de "abrir um buraco de US$ 100 bilhões nas contas públicas".

"O governo detinha em 94 US$ 42 bilhões em participação nas empresas estatais e devia internamente mais ou menos uns US$ 50 Bilhões. Defendia-se a venda das estatais para pagar os credores. Hoje o valor de mercado das estatais ( que sobraram) é estimado em perto de US$ 55 bilhões e a divida publica mais do que triplicou e chaga a US$ 170 bilhões"
Economista Paulo Guedes.

Por tudo o que foi dito acima, sou contra a privatização da Vale do Rio Doce.


Deputado Federal
Maurício Requião PMDB.