terça-feira, 28 de outubro de 2008

Segredos da Amazônia.

Segredos da Amazônia.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Se alguém me perguntasse, hoje, se eu votaria no presidente Lula; eu diria sim. E votaria, também, em alguém mais radical e que expressasse melhor as mesmas indignações que me levaram a votar no presidente Lula, indignações que os “negócios públicos” não estão permitindo resolver. Não é possível que esse teatro televisivo, onde no dizer de Carlos Heitor Cony, (Istoé de 24 de 1 de 1993) a imprensa, extrapolando nestes últimos anos, se arrogou juiz: “Critico a fúria investigativa da imprensa e digo que ela assumiu o politicamente incorreto papel de policial e de juiz, o que não lhe compete”... E por meio dela, quase sempre condenem, como se fez em toda a história da humanidade, ladrões de galinha, e se absolvam cruéis tiranos do capital.
Fosse o mensalão o problema do país, eu admitiria o escândalo, mas quando vemos a Companhia Vale do Rio Doce, estatal vendida por algo próximo de 16 Bilhões, quando suas reservas em minério superavam 411(quatrocentos e onze) Bilhões de dólares (Relatório AEPET 1995) fico escandalizado com o silêncio da imprensa. Um ex. presidente fez esse favorzinho ao seu genro e ninguém disse nada. A Imprensa se calou. A Vale em três meses de operação se pagou, dizem os jornais deste ano, e nós estamos preocupados com o mensalão ou mensalinho, somos estúpidos. Vocês devem lembrar-se de Peter Blake, o navegador neerlandês, campeão mundial de regatas oceânicas que pretendia navegar o rio Amazonas comunicando on-line seus segredos, ele foi assassinado ao entrar no rio.
Sim era um risco muito grande revelar ao mundo (principalmente revelar ao povo brasileiro) os segredos da Amazônia. Antes disso, digo eu, é preciso desarmar o povo.
Poucos meses antes, o jornalista Osmar Freitas Junior, em matéria da mesma revista aconselhava ao navegador estrangeiro a navegar o Amazonas sob proteção do Exército. Por que? Ele praticamente profetizava a morte do navegador.
Sabe-se que grandes helicópteros militares com insígnias estrangeiras retiram ouro do país; missões religiosas sofrem desvio de função; laboratórios estrangeiros há décadas financiam e patenteiam genes de espécies úteis para a indústria química. Batalhões de homens armados podem ser vistos nas florestas. Minérios deixam o país em bilhões de toneladas. Relíquias arqueológicas desaparecem. Agora veremos a expulsão de missionários, pois, realizada, por meio deles, a estratégica introdução de pesquisadores estrangeiros, os verdadeiros missionários tornam-se testemunhas, uma pedra no sapato, e precisam ser retirados de lá, principalmente a Igreja Católica, que pode denunciar ao mundo a internacionalização da Amazônia Brasileira.
Hoje trago algo diferente, tiro essas noticias que revelam mais um pouco dos segredos da Amazônica, tiro-as do relatório da Associação dos Engenheiros da Petrobrás publicado em 1995, dez anos atrás.
“Na Amazônia estão às maiores reservas de Bauxita do mundo”. “O valor dos recursos minerais da Amazônia ultrapassa US 1, 3 TRILHÃO de dólares”, cada trilhão tem mil bilhões de dólares, e cada bilhão tem mil milhões de dólares. Compreendem?
Na Tabela IV do documento podemos ler, que segundo o investimento de capitais em exploração de minerais, proibitivos aos estrangeiros pela nossa Constituição, embora se distribuísse assim: os 39% da área de mineração total da Amazônia é propriedade de capital estrangeiro. Os outros 36% da área total de reservas minerais em exploração, representam propriedade de capitais “nacionais”, ou seja, relativamente nacionais, pois lemos na pagina 13 do documento “O capital estrangeiro detém, através de testas de ferro, as maiores áreas e alvarás de pesquisa, apesar de o discurso neoliberal afirmar que o setor mineral não se desenvolve porque a Constituição impede a entrada de capital estrangeiro”. Ementas foram enfiadas goela abaixo dos brasileiros e a Constituição flexibilizada. Finalmente, os restantes 33% eram propriedade estatal, (vejam bem, constitucionalmente o subsolo pertence à União), com a venda da Companhia Vale do Rio Doce ao ex. genro de Fernando Henrique Cardoso não sei quanto do subsolo mineral brasileiro na Amazônia, nos pertence. O que nos resta? O site do SIVAM nos informa em 2004, que mais de um TRILHÃO de dólares em madeira de lei existe na Amazônia, e que igual, ou superior valor, existe em espécies botânicas e animais capazes de produzir com segurança avanços na química e nos medicamentos. Sem contar a capacidade de produção de álcool combustível.
Segue agora o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral): destaca-se o ferro; alumínio; cobre; titânio; nióbio; níquel; ouro; estanho; dentre os minerais metálicos. Quanto aos não metálicos, os mais abundantes são o calcário; dolomita; fertilizantes potássicos e fosfatados naturais e o caulim O DNPM, omite o Petróleo (em exploração) e o Gás Natural de Petróleo já em exploração na Amazônia (em Urucu).
Quando nós vemos a Rede Globo defendendo uma “Floresta Amazônia” livre de visitantes, em nome da preservação ambiental, não sabemos, todavia que a COBEM do falecido Roberto Marinho, em conjunto com a companhia Rio Tinto-Zinco comprou em 1987 da Bristish Petrolium os seus direitos na área. (página 18 documento em “Retrato do Setor Mineral no Brasil”; AEPET, 1995). Compreende o senhor leitor a hipocrisia? Os engenheiros da Petrobrás ainda denunciam na pagina 19, do mesmo documento citado, outros, notórios testas de ferro do capital internacional. O documento finaliza citando as; BP/ Brascam/ Associados; Anglo American/ Bozzano Simonsen /Associados; Elke Batista /Associados estrangeiros; Arbed / Broken Hill; Ruone Poulene; Inco; Riyal Dutch/Shell etc.; como as principais possuidoras diretas de 40% do subsolo amazônico. Acrescente as possuidoras indiretas, e a Amazônia, meus amigos, já era.


Wallace Requião de Mello e Silva.

Loucura e Lixo.

Loucura e lixo.


Imagine a seguinte situação. Um indivíduo caminha à sua frente pela calçada, e a cada lata de lixo que encontra, para, e lança cinqüenta centavos dentro dela. Noutras, lança no lixo um real, noutras ainda, setenta centavos, e assim vai, alegremente, andando pelas ruas da cidade. Você que vem atras pensa em catar aquele dinheiro todo, que desperdício, mas envergonhado não o faz. Pensa: que louco esse cara jogando dinheiro fora. Deve ser um daqueles que rasga nota de cem e come as próprias fezes, um louco completo.

Certamente, você que imaginou a cena, concorda que parece loucura, loucura daquelas de amarrar em camisa de força, no entanto, é o que você vê todos os dias, milhares de vezes, milhões de pessoas fazendo o mesmo, incluindo você mesmo, sem se dar conta, nem de seus atos, nem da loucura que estamos vivendo.

Fiz amizade com um desenhista industrial que tendo trabalhado na produção visual de embalagens me alertou para o fato real de que muitas vezes a embalagem custa ate três vezes o valor da mercadoria que embala. Por exemplo: você compra uns poucos gramos de farinha temperada, como no caso de salgadinhos, e lança no lixo sua embalagem, impressa, multicromada, sobre papel de alumínio, que recebe ainda uma cobertura plástica. O valor da embalagem é maior do que o produto. Ou seja, você joga no lixo preciosos centavos de cada real gasto como balas, sorvetes, pacotes de leite, garrafas de refrigerantes, etc, e tal. Você joga dinheiro suado no lixo.

Produzimos um lixo desnecessário, jogamos no lixo dinheiro suado, e em vez de resolvermos o problema pela raiz, na metodologia de produção e comercialização, ensinamos as “pessoas” a perder a vergonha de serem “catadores e recicladores” de lixo, “devolvendo” ao sistema esse dinheiro que nos pertence, por nós irresponsavelmente jogados no lixo, às indústrias (ávidas), para que novamente nos explorem. Não queremos enxergar e encarar o problema de frente, não queremos mudar o paradigma industrial e comercial, mas queremos fingir que há uma função social na coleta, na recuperação, na separação e reciclagem do lixo, que novamente, aos poucos, vai se tornando matéria prima, para mais uma indústria de ponta, monopolizada, altamente capitalizada que nos venderá uma segunda vez, e quiçá uma terceira, o nosso próprio dinheiro, gerando assim, novos tipos de resíduo industrial, cada vez mais tóxicos. Mais volumosos mais desnecessários. Loucura, daquelas de rasgar notas de cem Reais todos os meses, picá-las, e lançá-las nas lixeiras, e logo, logo, já não estaremos mais reutilizando do lixo os resíduos recicláveis não orgânicos, mas estaremos comendo lixo em compostagem (pois já existem rações de lixo industrial de beneficiamento de alimentos), e ate fezes, (já há quem a fume) que é em fim, o resultado e a moral do “reaproveitamento do lixo de nosso corpo”; enganoso e enganador estratagema comercial, tudo para não mexer com o interesse ávido do comercio e da indústria. Ou seja, estamos loucos de amarrar, loucos de rasgar dinheiro e jogar no lixo,... E comer fezes.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Petróleo e a Amazônia

O Petróleo Brasileiro e a Amazônia Legal Brasileira.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Documentos históricos dão ciência de que a humanidade faz uso do petróleo há pelo menos 4000 anos antes de Cristo. Povos antigos como os do Egito, Mesopotâmia e Pérsia utilizavam o betume para pavimentar estradas, calafetar, aquecer e iluminar as casas. Na Biblia encontramos o uso do betume por Noé que calafetou a sua arca por dentro e por fora como lemos em Gêneses capitulo seis versículo 14. Em Heródoto, (século V) considerado o pai da história encontraremos registros do uso de petróleo como lubrificante, linimento e até como laxativo. Documentos dos missionários católicos europeus, também afirmam que Incas e Astecas faziam largo uso de petróleo. A arqueologia tem demonstrado que os chineses em tempos muito primitivos chegaram a perfurar poços de petróleo de ate mil metros de profundidade e conduziam o óleo com bambus para pavimentação de estradas. Esse uso também foi encontrado na Mesopotâmia e entre Incas e Astecas. Posteriormente se comprovou que os grandes blocos das pirâmides estavam unidos com betume, e o petróleo era usado para embalsamar as múmias. Alexandre da Macedônia, o Grande, já houvera observado petróleo na região onde hoje se situam os principais países produtores do Oriente Médio. Hoje, segundo publicação do Serviço de Comunicação Social da Petrobrás, o petróleo responde por mais de 70% (quase 80%) da energia utilizada em todo o Mundo. Esta ultima frase já denuncia a importância estratégica de uma nação possuir o seu próprio petróleo livre da ingerência estrangeira. Mas se consideramos também as importantes informações contidas em um relatório da ONU[1] do ano de 1994, onde se afirma que pouco mais que 40% do petróleo consumido no primeiro mundo é obtido no terceiro mundo, mostra, não só que o mundo sofre de um dependência de petróleo, mas essa dependência, principalmente no Primeiro Mundo, aponta o Terceiro como principal produtor. Ou seja, o Primeiro Mundo dependerá, energeticamente, em um curto período de tempo dos recursos oriundos dos países pobres. Inverte-se o quadro. Por isso os ricos precisam quebrar as resistências políticas e legais que, prudentemente, indicam as vantagens de se manter reservas estratégicas nos países pobres. Daí a globalização.
No Brasil, no final do século XIX surgiram os primeiros pedidos de concessão de exploração de olíferos destinados à iluminação. Coube a José de Barros Pimentel inaugurar essa fase de exploração em 1858, portanto um ano antes de Edwin Drake, considerado como pai da indústria petroleira, ter descoberto petróleo na Pensilvânia, EUA. Pimentel explorou o Xisto Betuminoso nas margens do rio Maraú na Bahia. Seis anos depois, em 1864, um decreto imperial beneficiava o inglês Thomas Dennys Sargent que deveria, assim autorizado, pesquisar Turfa, petróleo e outros minerais na localidade de Ilhéus e Camamu, também na Bahia. Desse período de pesquisa a partir de sinais superficiais de presença de óleo, registram-se em Taubaté, SP aonde se chegou a resultados razoáveis na exploração do Xisto Betuminoso. À medida que crescia o interesse crescia a consciência nacional, e também o uso e aplicação do petróleo, que crescia com o surgimento comercial dos automóveis e caminhões por volta de 1900, assim as legislações vão surgindo, vai garantindo os interesses sobre o ouro negro. Pouco depois, surge a Primeira Guerra Mundial.
No Brasil o governo cria o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB) que fura o seu primeiro poço em Marechal Mallet no Paraná. Em 1925 o SGMB nas primeiras sondagens na Amazônia encontra gás natural na localidade de Itaituba no Pará. Em 1932, em Uruguaiana no RG o Brasil já tinha sua primeira refinaria comercial. Segui-se a refinaria de São Caetano do Sul em SP (1936) do Grupo Matarazzo & Co. E a Refinaria Ipiranga S.A. na cidade do Rio Grande. Foram as primeiras. Todavia em 1933 a pesquisa passou a ser orientada pelo DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) ligado ao ministério da Agricultura, O quadro mundial agravava-se com a eclosão da Segunda Guerra em 1938, com a guerra criou-se no Brasil o CNP (Conselho Nacional do Petróleo) em substituição ao DNPM e foi precisamente em 21 de janeiro de 1939 que jorrou petróleo pela primeira vez no Brasil na localidade de Lobato em Salvador Bahia. Em 1941 tivemos o nosso primeiro Campo Comercial de Petróleo no Recôncavo Baiano e em 1942 o segundo em Aratu, Itaparica também na Bahia. Ai operou o primeiro oleoduto brasileiro em 1949. Tudo fruto da pressão e necessidade da guerra. Em 1950 já havíamos descoberto o Campo de Água Grande na BA, inaugurado a Refinaria de Mataripe na Bahia; tínhamos construído o primeiro navio “Petroleiro” nacional e por lei havíamos defendido e integrado ao patrimônio territorial soberano, as águas territoriais brasileiras, com a inclusão da plataforma continental no território Brasileiro, fato que por si só demonstra que se conhecia o potencial petrolífero do Brasil no mar, (hoje a plataforma é responsável pelo grosso da nossa produção)... Tudo por obra de Getúlio Vargas, e pressão de interesse internacionais envolvidos na guerra.
Em 1951 já funcionava o oleoduto de Santos. Em 3 de outubro de 1953 Getúlio criava pela lei 2004 a Petrobrás pela qual a União exploraria o petróleo proibindo a exploração aos estrangeiros. Começariam as pressões contra Getúlio que resultariam na sua morte.
Hoje as pesquisas geológicas e geofísicas apontam algumas grandes bacias como possíveis fornecedoras de petróleo no Brasil. A Bacia Paleozóica do Amazonas, que percorre toda a extensão do Rio Amazonas, desde o Acre até a ilha de Marajó. A Bacia Paleozóica do Maranhão que cobre todo o estado do Maranhão e boa parte do Pará. A Bacia Paleozóica do Sul que vai do Mato grosso ao Rio Grande do Sul, passando pelo sul de Minas, Oeste de São Paulo, Paraná e Santa Catarina todas serem pesquisadas e exploradas. Recente descoberta foi feita no Paraná pela companhia de Saneamento do Paraná que ao furar poço artesiano encontrou petróleo a trezentos metros de profundidade em uma área que já fora estudada pela Petrobrás. Essa descoberta confirma ainda mais a minha suposição. Somam-se a elas as bacias terciárias e cretáceas de Pelotas; Campos; já em exploração; Espirito Santo; já em exploração; Recôncavo Baiano; já em exploração; Potiguar no Rio Grande do Norte já em exploração, Alagoas também em exploração, Acre em estudo, Macapá em exploração, Marajó em exploração todas com alguma produção significativa e crescente. Mas não para ai. O Brasil é o segundo em reservas mundiais de Xisto. Do xisto, embora um pouco mais caro pode-se tirar tudo que se retira do óleo. Ele ocorre em todo o solo nacional, com destaque para o xisto Permiano da formação de Irati que vem desde o norte de São Paulo ate Uruguaiana no Rio Grande do Sul região na qual se encontrou óleo no Paraná. Se considerarmos, dizem os técnicos as ocorrências de xisto tais como: xisto terciário do Vale do Paraiba em São Paulo; xisto cretáceo do Maranhão; xisto Cretáceo do Alagoas; xisto cretáceo do Ceará; xisto cretáceo da Bahia; xisto permiano da formação Santa Brígida; xisto da formação Irati; xisto do Amapá e o xisto devoniano do Pará e Amazonas seremos capazes de produzir mais de 740 BILHÕES de barris de petróleo, sem considerar-mos os poços de petróleo em atividade, e os a serem explorados no futuro. A tecnologia vem sendo desenvolvida com sucesso na Refinaria Presidente Vargas em Araucária no Paraná. Cada barril tem 176 litros. Vocês percebem o interesse internacional sobre as fontes energéticas do Brasil? Agora considere o álcool, produzido dos dejetos da floresta Amazônica, do sorgo, da soja, da mandioca, da batata doce; considere o óleo vegetal combustível da soja, do girassol, do sorgo, do dendê, e de outras sementes tipicamente amazônicas e caules de arvores oleaginosos; considere agora as hidroelétricas, o potencial de material radioativo encontrado em nosso subsolo (inclusive no Paraná), os minerais suportes da siderurgia, da petroquímica e a energia eólica..., (originada do vento), aliás, sendo a planície amazônica uma área com altitude media de apenas duzentos metros sobre o nível do mar, e imensa, ocorrem fortes ventos em direção ao litoral em dada hora do dia, invertendo o sentido em determinada hora da noite prestando-se para o uso eólico de produção de energia elétrica limpa, gerada no Brasil do Norte, quiçá também no Nordeste. Considere agora o Linhito, ou Linhita como dizem outros trilhões de toneladas existentes em imensas jazidas na Amazônia e o combustível para aviões a jato desenvolvido a partir do Linhito, na Califórnia, EUA, extraído totalmente desse rico e calórico mineral, e você começa a entender o nível da cobiça sobre o Brasil e sobre a Amazônia. Mais do que isto, recentemente o ex. Presidente do Conselho de Ciência e Tecnologia do Ministério das Minas e Energia; o físico Bautista Vidal, aquele que implantou o Pró-álcool no país, em palestra ao primeiro escalão do governo do Paraná, chamou-nos a atenção, a nós paranaenses, para a imensa gama de bio-combustiveis que podem ser produzidos no Brasil sobremodo na Amazônia Legal. Compreendeu, meu caro leitor, o que isso nos aponta, indica, define e desenha como futuro econômico do Brasil? Olhe de frente esses fatos, pesquise, encare o futuro com desassombro. O Brasil já é um gigante, embora um tanto adormecido, como canta o Hino Nacional. Urge despertar a Nação Brasileira. Tocar os clarins do despertar. Ao trabalho cento e noventa milhões de pares de mãos operosas. O mundo haverá de depender, não exagero, do povo cosmopolita e solidário, e sobremodo, do território soberano brasileiro.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Pesquisa. & texto

Escrito em Curitiba; 9 de Fevereiro de 2004.
[1] Publicado em Artigo de Minha autoria na Folha de Londrina.

A Companhia Mineradora Vale do Rio Doce.

A Vale no Foco e no Eixo.

O programa “Brasil Nação”, levado ao ar pela TV Educativa do Paraná tem seus altos e baixos. Pontos altos dos últimos debates foram: o debate sobre a Companhia Vale do Rio Doce do ultimo Domingo e a questão da inadimplência de 40 milhões de brasileiros, acrescida da não inserção de outros milhões de Brasileiros no “Mercado de Credito” de um Brasil vigente num sistema capitalista formando um contingente massivo de cidadãos excluídos. Cidadãos de “Segunda Classe” incapazes de capitalizar. Escravos.
Tendo ouvido o debate sobre a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, notei que os debatedores estão abordando a temática fora do verdadeiro eixo e foco que é o subsolo e suas riquezas.
Embora esteja um tanto desatualizado das questões principais do debate sobre o Vale, ouso contribuir.
Todavia quando a Vale foi privatizada (96/97) trabalhei na pesquisa e elaboração de um texto de 49 paginas, que resultou no “Manifesto contra a privatização da Vale” apresentado no Congresso pelo deputado Federal Maurício Requião (PMDB-PR).
Naquela época, a questão central, era que sendo a Companhia Vale do Rio Doce uma estatal monopolista das riquezas não renováveis, ela possuía quase a totalidade dos Direitos de Lavra em solo nacional, e, portanto estava sob seu domínio quase exclusivo, o subsolo nacional e suas riquezas. Essa é a questão central, as riquezas não renováveis brasileiras, não apenas a reestatização da infra-estrutura logística da Companhia. Ninguém haveria de querer assumir uma companhia de Concessão de Pedágio sem a concessão. É a concessão o valor “real”. O desvio para a temática sobre os chamados “bens renováveis”, desvia todos os brasileiros da questão principal, o subsolo brasileiro, prenhe de riqueza não renováveis que pertence a todos os brasileiros, e só a eles, e não a todos os “ricos do Planeta”, que por elas, nada querem pagar. Tornado os bens não renováveis impedidos de uso, pelo discurso estratégico, dos bens renováveis.
Como estará hoje, eu pergunto, a questão das jazidas e dos direitos de lavra da Companhia, tendo em vista a composição ou pacto de acionistas que se pode firmar e alterar nos últimos anos? Quem detém os direitos de Lavra? Quem controla a saída dessas riquezas do país. Não basta o dispositivo constitucional, pois é obvio que o povo brasileiro não vem participando dos benefícios da exploração dessas riquezas.
Se você já assistiu ao filme-armadilha de Mark Achebar, Jennnifer Abbott & Joel Bakan, todos a serviço do grande capital globalizado, haverá de ter compreendido a “proposição” ali apresentada como uma ideologia de defesa do macro capitalista moralista, a ser absorvidas e popularizadas pelos movimentos de esquerda, que prepara o grande “Pulo do Gato” da autogestão trans-nacional, através da criação de um inimigo comum do planeta, as grandes “corporações” como a Igreja, por exemplo, os” Estados Nacionalistas”, enquanto defesa dos interesses nacionais” concluindo pela falência do Estado Regulador Nacionalista, submetido a um escopo legislativo trans-nacional de fundo ideológico de defesa ambiental global, que o fará um mero instituto administrativo de povos culturalmente globalizados, preparando, com a ilusão do combate às grandes corporações, incluindo entre elas os governos nacionais, apontando assim para uma necessidade de autogestão, que desembocará na anarquia, indicando a necessidade- solução de um forte “Governo Mundial”, regulador, imaginem de uma economia globalizada excludentes dos pobres” germe da maior tirania que o mundo já experimentou. Nesse sentido a reestatização da Companhia significa apenas o assumir a “excludência empresarial trans-nacional”, ou seja, a transferencia de ônus da Corporação, livrando seus “acionistas” das despesas e riscos, ou seja, repassarão aos cofres públicos (aos chefes de tribos e clãs), o ônus trabalhista, o ônus da recuperação ambiental, e de manutenção de infra-estrutura, o ônus da restauração da saúde, da escolarização, etc., responsabilidade altamente puníveis (no povo), ficando as riquezas, as jazidas, incluindo as fontes energéticas, e a sua comercialização sob o domínio em concessão ilimitada às companhias financeiras “privadas” que as assumiram em controle em todo o planeta nesses últimos dez anos. Essa a questão. Ao Estado, enquanto unidade gerencial do “Lixo ambiental e humano”, unidade gerencial do faminto sistema global, caberá o ônus social, aos ricos, o lucro entendido como concentração de poder e domínio, e o óbvio, o governo do Planeta.
Se você quer uma antítese a isso tudo, leia “A Origem do Estado Cristão”.

Por: Wallace Requião de Mello e Silva.

Bioenergia

Transgênicos, energia e a ONU.


Quando o mágico quer preparar o seu truque, ele desvia a atenção para uma das suas mãos, enquanto prepara o truque com a outra. A ONU, faz isso na questão dos transgênicos, distraí a atenção desviando os debates de questões centrais. É um grande teatro, onde os brasileiros são os montadores do palco e as vitimas estultas do drama que se encena.
Na Gazeta do Paraná de 1 de abril de 2005, dia da mentira, o relator das ONU, Jean Ziegler, critica a liberação do plantio de transgênicos no Brasil.
Hoje, pelo contrario, já se aceita, com o silêncio da ONU o plantio, com ou sem rótulo, como se ele não contaminasse as lavouras, e como se não fosse essa, a contaminação, a verdadeira intenção dos seus “mentores”.
Para o relator da ONU: “a produção mundial de alimentos já é três vezes superior às necessidades de alimentação da população mundial e não seria necessário o uso da transgenia”. Mas nós, (leio eu nas entrelinhas), precisamos da fome, ela é a ponte pela qual e em nome da qual, podemos intervir em territórios soberanos e dominar os povos.
Percebemos nas entrelinhas que logo, logo, os transgênicos serão proibidos para uso humano. Mas suas plantações já terão conquistado imensas áreas pelo plantio e contaminação. Na verdade nunca se quis os transgênicos para uso humano. A fome, foi apenas o argumento, o Cavalo de Tróia para a introdução dos transgênicos nos paises pobres e em desenvolvimento para dominar-lhes o solo fértil. Promessa de incremento na produção, lucro e comida, a formula mágica empregada na sedução. Esses países pobres, providencialmente os detentores de grandes territórios localizados em zonas tropicais, podem, ou reúnem condição para o plantio de grandes quantidades de grãos oleaginosos. A questão primeira é a patente genética que produz royalties e o controle absoluto sobre as sementes, e também a dependência tecnológica de químicos e insumos produzidos em grandes laboratórios para uso especifico para exploração pelos detentores de suas patentes. Você dirá mas porque?
A própria ONU em 1995, produziu um relatório sobre a crise mundial de petróleo e de seus derivados, que, dizia: “em espaço menor do que 100 anos, haveremos de atingir o mundo como um todo com a crise do petróleo”.
Você pode avaliar o que isso significa?
Mudar o padrão energético do planeta não é fácil.
No modelo energético mais próximo, na escala de mudanças de padrão, a solução está no álcool combustível e no biodiesel, ou seja nos bio-combustíveis. Ora, os países pobres, com o clima favorável, e grandes áreas passíveis de utilização agrícola, estariam aptos para a produção de grãos. Aptos e capazes, portanto, da produção de bio combustíveis, e isso faria, ou provocaria com uma grande possibilidade, uma mudança no padrão de desenvolvimento da economia desses países, uma revolução das relações de poder mundial, um fomento “circunstancial” que se apresenta como ironia do destino, alimentado e dirigido para os paises pobres, que preservaram suas áreas, porque não puderam explorá-las, e poderiam, agora, começar a vislumbrar as suas independências econômicas e soberanias territoriais, enquanto, outros, os mais ricos, ou pelo clima, ou pela ausência de áreas, tenderiam a mergulhar na grave crise energética.
Uma revolução no mundo das “cartas” dos jogos econômicos. Ora, a solução encontrada pela cúpula foi controlar o setor agrícola por meio de patentes genéticas e tecnologias de domínio, que acabariam frustrando qualquer tentativa de soberania e independência sobre os bio combustíveis.
O mercado mundial energético estará antecipadamente dominado pelo grande capital que se apropriou tecnicamente e por antecipação das fontes energéticas do futuro, bio combustíveis e potencial hidroelétrico.
Agora, em seqüência, iniciaremos a falsa discussão orquestrada sobre as águas, não por causa da vida humana, porque os pobres, as grandes massas populacionais do planeta, a história comprova, abandonada através de séculos de pratica expropriatória e dominação, que se fodam,... Se morrerem seria melhor, como chegou a propor Kissinger, que queria eliminar um terço da população do México, mas, pelo contrario, as águas, por causa da sua livre utilização como fonte energética, provocam o mesmo fenômeno, a possibilidade de mudança do padrão energético de paises pobres e isso diz respeito ao poder e ao controle do poder mundial. Assim as chamadas hidroelétricas, os rios, as águas subterrâneas, devem ser “dominadas” por leis espertas, com “rotulagem” ambiental controladoras das águas; que devem ser redirecionadas, furtando-se do controle dos interesses nacionais de nações emergentes e dirigindo-se para os interesses do macro capital sem bandeira.
Por ultimo, quem algum dia viu ou leu os trabalhos de Pavlov, o fisiologista russo autor da psicologia baseada nos reflexos condicionados, sabe que pós a Segunda Grande Guerra, baseados nas teses de Pavlov, começaram a surgir teorias do controle das populações, primeiro pela genética, pelo controle da natalidade das populações, depois pelo controle do alimento e da água, consideradas por muitos como armas alimentares, e meio de manipulação das massas. Livros foram escritos sobre a possibilidade de se usar os alimentos como arma de controle de nações inteiras, ou seja, pela tese do reforço (água, alimento e privação), podemos moldar o comportamento humano, submetendo multidões.
De qualquer forma a “apropriação da vida”, na forma do registro de “patentes genéticas” e insumos tecnológicos, e o conseqüente e esperto controle dos recursos naturais pelo “governo mundial”, que a cada dia se aproxima, estará levando as populações de todos os paises para a mais completa servidão que a humanidade conheceu.
O show esta já montado, as discussões foram criadas para distrair. A ONU é uma ferramenta. O critério do consenso, ou seja, o da maioria absoluta, é totalmente antidemocrático, pois privilegia as minorias, como você viu, 170 paises estavam a favor da rotulagem, bastaram três discordar, e as minorias venceram, três venceram 167, além de que, como já dissemos, os temas de discussão são absolutamente falsos.
Você certamente não acredita. Estará pensando quem será esse pretensioso?
Então você dirá, quem é esse caipira suburbano que ousa criticar tão ilustres visitantes, conceituados técnicos de fama internacional promovidos e financiados e acobertados pela ONU, e eu respondo: um homem simples que tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e caneta para escrever. Publiquem esse texto para ver, no futuro, quem tinha razão. O tempo dirá.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Resgate de Carbono.

Atenção, você ainda ouvirá falar disso.

Você houve pelas ruas. Ecologistas falam no assunto com a boca cheia. É assunto politicamente correto, dizem os políticos. Os proprietários de grandes áreas vêem com esperança de lucro o tal resgate. Os países ricos acenam com dólares aos países pobres, e esses se corrompem.
Ora, pouco tempo atrás se algum falasse em vender água, estaria cometendo uma heresia humanística, pois a água sempre foi bem fora do comercio. Hoje todos vendem água, e a água escraviza os homens nas cidades. O carbono resgatado é uma quantificação comercial do ar, um bem necessário para a vida universal, que entra assim, para o campo comercial. A aceitação da quantificação do carbono, n ar e a sua correspondente quantificação em dinheiro, estarão criando o escopo legislativo que pela via do mesmo conceito quantificara o oxigênio, em uma jurisprudência global, dando a alguém o direito de concessão e comercialização do ar. Pagaremos para respirar, essa é a monstruosidade escondida no humanitário e ecológico resgate de carbono, tão defendido aos quatros “Ventos”, na verdade a quantificação e comercialização do ar que respiramos. Logo, muito em breve, um indivíduo soprará um tubo, sua capacidade pulmonar será avaliada, quantificada, em movimentos do diafragma, multiplicados pelas horas por dia, em trabalho, o que resultará em “quanto” de carbono ele produziu, e como se fosse um crime ambiental ele respirar, será quantificada essa respiração, e ele recebera de algum serviço publico nacional ou transnacional, ou privado explorador de concessão publica um carnê, com a quantia necessária do Imposto Sobre Respiração (ISR) sem o qual ele não terá direito a viver.

Wallace Requião de Mello e Silva.

A Igreja na Amazônia.

A Igreja e a Amazônia .

Wallace Requião de Mello e Silva.

A Amazônia, ao contrario do que pensam os brasileiros, não é um espaço neutro, onde podemos imaginar relaxados que àquelas riquezas sempre estiveram lá, sob o domínio seguro e incontestado e a disposição dos brasileiros. Ela pertenceu inicialmente à Espanha, a União Ibérica (1580-1640), sofreu diversas invasões (holandesa, francesa e inglesa) e tem sido motivo da reiterada cobiça internacional. Tem sofrido através dos anos muitas e diversas espécies de estratégias de posse e domínio. Basta lembrar que as principais querelas de fronteiras que tivemos em nossa história nacional dizem respeito à região Amazônica. A questão do Acre disputada com a Bolívia, e resolvida na raça por Plácido de Castro; o Amapá disputado aos franceses, e a questão de Pirara com os ingleses na fronteira da Guiana Britânica. A mais recente investida é a Internacionalização da Amazônia Brasileira, e o que é pior, primeiro se ampliou o conceito e a área territorial da Amazônia com o conceito de Amazônia Legal, depois veio o conceito de Pan Amazônia como unidade econômica e ambiental como pode ler em detalhes em “Uma geopolítica Pan Amazônica” do General Meira Matos, para em fim, vermos defendida uma “conveniente internacionalização” da Amazônia Brasileira, ou seja, internacionalização de 60% do nosso mais rico território. Este interesse internacional, sobre a “esquecida” região pan- amazônica, poderemos entender melhor e melhor investigar se tivermos uma visão precisa da crise energética que se avizinha do mundo moderno. Sobre ela há um trabalho do doutor em física e ex-ministro, Bautista Vidal. Melhores e mais específicos textos, sobre as mais recentes ameaças à soberania Amazônica Brasileira, encontrarão os senhores na obra do Coronel Roberto Monteiro de Oliveira, ex. chefe do SNI da Amazônia, titulada: “Ameaças à Soberania Brasileira”. As Questões históricas mais antigas pode-se ler em suas minúcias em “Amazônia e a Cobiça Internacional” de Arthur César Ferreira Reis E ainda em A Amazônia e a Integridade do Brasil do mesmo autor publicada pelo Senado Federal.
Para a melhor compreensão do assunto, no entanto, e com intuito de introdução, devemos lembrar que a Amazônia não era, nos primórdios da nossa história, o espaço geopolítico que hoje conhecemos. Houve três períodos marcantes: o pré-colonial 1500-1530 onde a região foi visitada por aventureiros de diversas nacionalidades, o colonial, já pelo sistema de Capitanias Hereditárias numa tentativa de posse efetiva do território brasileiro pelos portugueses e terceiro, o regido pela União Ibérica onde o Brasil cresceu para Oeste. Imperavam nos primeiros tempos, todos sabem, o Tratado de Tordesilhas cujos princípios gerais eram respeitados pelas nações ibéricas ate 1750 quando foram alterados pelo Tratado de Madrid. Todavia se as nações ibéricas o respeitavam, não o faziam as outras nações. A região ao norte ou à margem norte do Rio Amazonas, em muitas oportunidades foi visitada por aventureiros franceses, ingleses, holandeses assim como ocorreu na América do Norte, e por homens iberos, espanhóis e portugueses. O faziam, dizem alguns, sem o apoio oficial de suas nações, mas a verdade é que foram aos poucos formando, pode-se dizer, as regiões que hoje chamamos Guianas (francesa, holandesa e inglesa), Venezuela (que foi entregue a casa mineradora e financeira alemã Belser ou Welser) e Colômbia, onde acabamos à medida que investigamos o assunto, por perceber a intencionalidade colonial daquelas nações. Na America do Norte, toda ela pertencente, inicialmente, aos espanhóis, foi ou foram suas áreas, aos poucos, sendo “invadidas, tomadas, acordadadas e até vendidas”, e fez-se o Canadá pelos Franceses e ingleses, os ingleses foram forçando os espanhóis para o Oeste, de modo que só o México, o Texas, a Florida, e a Califórnia mantiveram a língua espana, todavia como de resto em toda a America ingleses e franceses, financiaram as independências das colônias, de modo a enfraquecer os reinos portugueses e espanhóis, e assim melhor explorar economicamente as novas nações independentes. É Uma verdade histórica. Na Amazônia incentivaram a criação de republicas independente como veremos em outros textos.
Na verdade a “Grande Amazônia” toda ela fazia parte do Vice Reino de Nova Granada, e estava submetida por tratado ao reino de Espanha. Existe uma proposital cegueira ao progresso dos padres inacianos espanhóis na região do Alto Amazonas. Ainda não sei explicar o por que.
Durante a União Ibérica as regiões a Leste e a Oeste do Meridiano de Tordesilhas estiveram sob domínio de uma só casa real (1580-1640), o que de certa maneira facilitou aos portugueses a expansão territorial em direção Oeste. Essa facilidade adveio em primeiro lugar da defesa do território contra as invasões holandesas e francesas assumida pelos portugueses, expulsando estrangeiros (não ibéricos) das regiões interiores do rio Amazonas mais precisamente da região do Xingu e Trombetas, como também, da imensa dificuldade que tinham os espanhóis em cuidar dos interiores amazônicos, fosse com seus soldados vindos do oceano Pacifico onde se estabeleceram em maior número, fossem vindos das águas Caribenhas. Portugal, é verdade, controlava a entrada do rio à altura da ilha de Marajó e isso lhe permitia o controle da navegação do Amazonas. A União Ibérica por outro lado permitiu como já dissemos o extensionismo português sem resistência militar por parte dos espanhóis.
A Amazônia como vê, também não era a “restrição geográfica e cartográfica” do atual estado do Amazonas e seus vizinhos, como é comum se pensar hoje, mas era compreendida ainda, e tão somente, como sendo as poucas terras ribeirinhas que iam se descortinando aos olhos aventureiros dos homens que ali chegavam. Nem portugueses nem espanhóis aquilataram em principio a verdadeira dimensão do que haviam assumido. A ciência cartográfica era imprecisa. Os índios, que ali viviam dispersos, por outro lado, nunca lhe chamaram Amazônia e suas noções territoriais eram bem outras. Não cabe aqui discuti-las. Uma contemplação do que foi a obra missionária dos jesuítas desmentem de uma só vez dois grandes tabus caluniosos sofridos pela igreja, os índios tinham alma, a Igreja nunca duvidou disso, e as missões não escravizaram como de resto, todos nos querem fazer pensar.
Politicamente, como já disse, por força de tratado, aos olhos dos europeus portugueses, o território português ou que estava submetido oficialmente aos portugueses, jamais ultrapassou a ilha de Marajó e compreendia tão somente as Capitanias Hereditárias do Norte; Maranhão e Grão Pará. Ë aqui que entra a importância dos padres espanhóis e portugueses na posse e civilização da extensa região. Dada a superficialidade com que nos ensinaram as complexas questões na formação das fronteiras brasileiras na região, muita coisa, muita luta heróica passou despercebida do povo brasileiro nas carteiras escolares. Poucos podem imaginar o que era o abandono à Divina Providência a que se submetiam os padres isolados na companhia de índios nos confins da floresta nos tempos primitivos.
Por exemplo: Foram os padres na verdade que fixavam os homens na Região, e aos poucos alargaram essa região para a língua portuguesa infiltrando-se nas áreas, não diríamos abandonadas, mas despossuidas do Brasil amazônico. Todavia, e não podemos jamais esquecer, que, alheias ao acordo ibérico, as outras nações visitaram a região em inúmeras iniciativas, iniciativas ampliadas para tentativas colonizadoras quando da vigência da União Ibérica, pois em nome da inimizade com o reino da Espanha, tentaram essas nações sistemáticas vezes a posse da região em investidas por diversas frentes. Depois veio a fase exploratória e “cientifica”, onde homens de ciência prestavam informações as suas nações e controlaram áreas econômicas. Felizmente a região foi defendida pelos portugueses e lusos brasileiros com o flagrante e decisivo auxilio dos padres.
Não estou exagerando, pois basta lembrar que na questão do Amapá, por exemplo, na querela com os franceses, a lista tríplice, ou triunvirato, que governou, em nome dos brasileiros, a região liberada do Amapá, era então liderado pelo cônego Domingos Maltez que fora escolhido seu presidente.
Também na histórica expulsão dos holandeses em 1623 podemos ler do cronista: “Uma força expedicionária recrutada em Lisboa, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará, mais um contingente de 1000 índios liderados pelo padre franciscano Cristóvão de São José atacaram as posições inglesas e holandesas localizadas em Garupá e na ilha do Tocuju. Foram tomados os fortes afundados dois navios e aprisionados, centenas de combatentes inimigos”.
Durante o episódio da colonização Irlandesa autorizada na Amazônia, foi o vigário de São Luis, Matheus de Souza que em carta dirigindo-se a D. João, rei de Portugal indicava-lhe os perigos (documento hoje na posse do Arquivo do Ultramar em Lisboa), provando mais uma vez que a ação dos padres foi efetiva, civilizadora, política e administrativa, quando não, se necessário, até belicosa.
As dificuldades para fixar as verdadeiras extensões territoriais são inúmeras nesse inicio de pesquisa. Mas fica patente aos meus olhos a importância dos padres na questão territorial amazônica.
Pode-se observar também que as capitanias portuguesas, incidindo sobre as terras portuguesas à qual estamos nos referindo mudaram diversas vezes de nome, de donatário e de extensão territorial o que exige por parte do pesquisador uma atenção mais concentrada. Mudaram de área, ou seja, ampliaram suas extensões, as capitanias, sobretudo durante os Governos Gerais. A Capitania do Grão Pará, por exemplo, também se chamou Capitania do Grande Rio, que por sinal, prestem atenção, não era o Rio Amazonas que estava todo ele em terras de Espanha. Tanto o Orenoco, em terras de Espanha como o São Francisco em terras portuguesas, dizem os historiadores, foram também chamados de Grande Rio, ou Rio Grande das Amazonas como o chamou Pizon (o filho de Pin). A solução poderá vir, no meu caso, pela consulta dos mapas do frei Samuel Fritz, ou dos mapas da Companhia de Jesus.
Mas, de qualquer modo, como procurei demonstrar no primeiro artigo, a Igreja, que é o centro e tema do artigo que escrevo, esteve presente desde os primeiros dias da história da Amazônia estendendo as fronteiras do Brasil para o Oeste fosse acompanhando Espanhóis, como Orellana ou portugueses como Pedro Teixeira ou ainda outros cristãos de outras nacionalidades como franceses, belgas, italianos e irlandeses e ate índios. Os aventureiros abriam o caminho em busca de riquezas e se faziam acompanhar pelos padres, mas a Igreja, através de seus padres se fixava e fazia fixar os homens.
Há uma longa e proposital nebulosidade histórica entre a “Expedição” espanhola de Orellana (1541) que se fez acompanhar do Frei Gaspar de Carvajal e que volta ao Amazonas como adelantado (governador em 1556) o que confirma minha afirmação inicial da presença dos padres na região, e a “Expedição” portuguesa de Pedro Teixeira (1637), herói da resistência contra os holandeses, que subiu o rio com freis Domingos de Brioa e André de Toledo (ambos franciscanos) e que voltou tendo como companhia os padres jesuítas espanhóis Cristovan d’ Acuña e André d’ Ortiega oriundos de Quito que são autores do texto “O novo Descubrimento do Grande Rio das Amazonas”. Esse período, nebuloso sem duvida, foi considerado por mim como sendo a primeira fase da cobiça das potências não ibéricas sobre a região, e escreverei oportunamente outro artigo sobre o tema.
Porém, fica bem claro que Pedro Teixeira, as vésperas da restauração do reino português (que se daria em 1640) informado pelos padres da presença de estrangeiros não ibéricos no interior, tomou posse para os portugueses, subindo o rio Amazonas em 1637, de imensas áreas e de vilas jesuíticas que estavam em poder dos espanhóis por força do Tratado. Ele testemunha claramente a presença interiorizada dos padres inacianos portugueses e espanhóis. (estou procurando edição fac-símile do texto original). Nesta viagem épica, que chegou a Quito no Equador subindo o rio, já se notava a presença dos padres inacianos enraizados na região, ultrapassando em muito às cercanias do que hoje chamamos Manaus. O próprio Pedro Teixeira foi estimulado a fazer sua “entrada” pelo relato minucioso de dois padres, que desceram do Equador, tendo como motivo algo bem pouco oficial, e na companhia, de um único soldado português, chegando à custa de duras aventuras à presença do governador, narrando à presença de estrangeiros, rio acima, conforme escrevi no primeiro artigo.
Assim, quando a região sofreu as entradas francesas que desceram de Caienas costeando o Amapá, ou quando os ingleses e holandeses adentraram o Rio Amazonas ate os rios Tapajós, Paranaíba, e Xingu levantando fortins e estabelecendo povoações, os padres já mantinham cidades duas ou três vezes mais interiorizados ao oeste, algumas subindo o Rio Negro em direção à Venezuela. Alguns historiadores registram que houve uma passagem ligando um dos afluentes do Orenoco com o extremo Rio Negro, o que possibilitaria se verdade for, aos espanhóis e outros aventureiros descerem por essa via ate a região de Manaus.
Não é preciso lembrar ao leitor que foi celebrada a primeira missa no Brasil em 1500, porém nos o fazemos aqui, porque esse é o testemunho mais conhecido que a nossa historia nos dá de que esses aventureiros a serviço dos reis se faziam acompanhar sempre pelos padres. Não raras vezes os próprios aventureiros tornavam-se monges ou padres como aconteceu com os célebres Cristóvão Colombo descobridor da América, ou Alvar Cabeza de Vaca que atravessou boa parte dos EUA partindo da Florida e foi adelantado do Vice Reino do Rio da Prata, partindo inexplicavelmente da Ilha de Santa Catarina, para Assuncion, para onde havia sido transferida a população de Buenos Aires.
Assim também foi nos EUA, no México, na América Central e na América do Sul. Os padres sempre presentes. Documentos da Igreja que relatam a Região Americana datam alguns que encontrei em livros, de 1516. Interessante testemunho escrito dessa presença nos primórdios de toda a América é o livro do Padre Montoya, titulado “Conquista Espiritual”, e publicado, em primeira edição, por volta de 1530. Quem se der ao trabalho de estudar a historia dos manuais catequéticos (catecismos) em língua índia, verá que os padres já os utilizavam nas Antilhas entre 1494 e 1527, e com a conquista do México em 1525, os há registrados também em língua mexicana que não era como é óbvio, o castelhano. Em 1557 já havia manuais no Brasil em língua Tupi, língua muito falada na região Amazônica. Haveria também em Aruaque, Gê ou Pano, típicas daquela região? Ainda não sei.
Hoje podemos saber sem erro que as mais antigas vilas do interior amazônico foram fundadas e mentidas pelos inacianos, por exemplo: no Solimões – Olivença fundada como São Paulo Cambebas e a vila de São Francisco Xavier de Tabatinga. Descendo o Madeira as missões de Trocanas e Abacaxis. No Tapajós, a missão de Tapajós hoje Santarém e Eunupataba hoje Monte Alegre. No rio Amazonas: Almerim, Trocana e Faro. No rio Trombetas a vila de Óbidos. No Rio Negro: Mariuá hoje Barcelos; Aracati hoje Carvoeiro; e Moura hoje Pedreira. Os fortes levantados por luso brasileiros, ou fortalezas, mais antigas: São Gabriel da Cachoeira; São José das Marabitanas e São Joaquim do Rio Branco.
Todavia, a “História Oficial das Ordens Religiosas Portuguesas no Amazonas”, não das espanholas, nos dá um testemunho 100 anos mais tardio, testemunho complementar sem duvida, porém insofismavelmente mais preciso documentado e ordenado. Assim, podemos ler pelo lado dos portugueses a providencial chegada oficial dos padres na região Amazônica assumindo a região de maneira metódica, para bem do Brasil, para a educação do povo, e aumento do seu território Registra-se a chegada dos Padres Franciscanos de Santo Antônio em 1616/17; os Carmelitas em 1627; os Jesuítas portugueses em 1633, os Mercedários em 1639; os Capuchos da Beira e do Ninho em 1707. Em 1627, os padres fundaram a Primeira Escola de Belém no forte Castelo, chamado por muitos historiadores de Forte Colégio. Tinham biblioteca com dois mil volumes. Os carmelitas fundaram o convento de São Luiz no Maranhão. Assim, foram fundando, em colaboração com militares luso-brasileiros, índios e sertanistas, vilas, conventos, assegurando as cidades, ou organizando em povoações mais antigas de origem índia, escolas, e oficinas interiorizando o Brasil na Fé Católica e expandindo as suas fronteiras para o oeste. Toda essa história heróica vivida após os anos 1600 pelos padres na Amazônia pode ser lida também em “Religiosos na Amazônia” do Padre Carlos Coimbra da Universidade do Pará.
Finalmente alerto de que se houve algum pequeno deslize histórico no texto, advém do inicio da pesquisa, e do assunto complexo e difícil pelo qual ainda não tenho intimidade e pleno domínio, mas apenas nutro sadia curiosidade que haverá de ser partilhada por muitos brasileiros amantes da terra. Fica aqui, esse resumo bem intencionado de modo a estimular o estudo do problema Amazônico Brasileiro.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Pesquisa & Texto.

Disque denúncia do Governo do Paraná.

Atenção “181” Disque denúncia.

Quando você mostra uma palavra para um analfabeto, ele vê, mas não entende. O mesmo acontece quando mostramos uma formula matemática para quem não tenha dela base previa. Aos poucos, depois de algumas explicações, os indivíduos passam a enxergar sentido naquilo que estão vendo. Se assim é, o fenômeno também acontece em outros setores da vida.
É o caso dos “181 Disque Denuncia”. Fui um dos primeiros a advogar esse sistema. Conheci algo semelhante na Colômbia, em 1988. Havia adesivos em todos os telefones públicos, divulgando o numero, e explicando como funciona. Implantou no Paraná sistema semelhante que exige, todavia, alguma explicação previa para a população denunciante tirar dele o melhor proveito. Veja você: Todos que ligam para esse numero, esperam, após a denuncia, uma pronta ação policial. Principalmente se imaginam ser possível um flagrante. Mas não é e não deve ser assim. Primeiro porque pode ser um trote dado aos policiais. Segundo pode ser uma denuncia falsa, ou seja, alguém, querendo prejudicar outro alguém, faz uma denuncia, sem base. Ou erro de avaliação dos fatos. A policia agiria e causaria constrangimento, lesaria a honra de pessoas, ocorreria em injustiça e abuso, etc. Então, manda a prudência, que a policia faça o registro, detalhado, região, nome dos denunciados, tipos de crime denunciado, etc. Compara os nomes e descrições com possíveis antecedentes criminais de criminosos já conhecidos, compara o “modus operandis” aguarda o surgimento de outras denuncias ( os flagrantes quase sempre ocorrem no 190), analisa a densidade de eventos na mesma região, amplia os detalhes, verifica se as novas denuncias envolvem as mesmas pessoas ou já denunciados, investiga a área anonimamente, procura ordenar provas concretas, faz diligencias para saber se essa denuncia não é pista para solução de crimes maiores, como por exemplo, redes de traficantes ou trafico de crianças, prostituição, desmanches de veículos, ou outra situação qualquer.
Como a denuncia é anônima, o denunciante não poderá ser responsabilizado pelas falsas denuncias, e por ser anônima não é prova, não pode ser considerada testemunho, assim, você haverá de compreender que podem ocorrer erros de julgamento, ou ate malícia intencional. Tudo recai sobre a polícia. Desse modo a policia, têm por obrigação o dever de consolidar a denuncia antes de agir, para que, ela não passe de “braço armado do Estado” em defesa da Sociedade, e passe a ser “o braço vilão”, o abusado, o irresponsável, o algoz do sistema de repreensão, ou o réu de processos de injuria, difamação, abuso de poder, invasão de domicílio etc. etc.
O importante é que a população continue denunciando, mas o faça com a maior responsabilidade, dando dados exatos, posição exata, nomes se possível completos, placas de veículos, endereços, tipo físico, vestimentas habituais, de tal modo a facilitar o melhor trabalho da policia.
Muitas vezes o denunciado já vem sendo investigado pelas policias, e ele é o fio de Ariadene, um fio que a mitologia grega nos conta, que o seguindo, Teseu conseguiu mover-se pelo labirinto (do Crime) e derrotar o Minotauro. Ora essas pistas, muitas vezes, como já dissemos, levarão as investigações de encontro às grandes redes de trafico, bandos ou quadrilhas organizadas e protegidas. Não se pode acusar a policia de omissão, muito menos sair por ai falando que: “eu denunciei e nada fizeram”. Não é assim, se assim fosse muito inocente poderia estar sendo denunciado injustamente, e muito culpado que poderá levar a solução de crimes muito maiores, seriam perdidos nas suas conexões. Tenha paciência. A população tem ajudado. A policia trabalhado. Mas como toda profissão tem sua ciência, deixem para a policia o exercício técnico de sua ação, você cidadão, faz melhor, enquanto preocupado com a segurança da Sociedade, e aprimore a sua denuncia, seja tão competente como um bom investigador policial. Seja responsável e criterioso, para que a policia também possa ser responsável e criteriosa. Disque 181, e deixe a policia trabalhar. Não fique esperando na esquina, para criticar os policiais, se eles aparecem ou não. O inimigo, via de regra, não é a policia. Lembre-se disso. Tenha em vista, sempre, o Bem Comum.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Turismo no Paraná.

Turismo no Paraná.


Existe um paradigma cultural que pode ser traduzido como: Fazer turismo... Viajar. Ora, sem atribuir tecnicamente esse paradigma à atitude colonizada do brasileiro, sobretudo do paranaense, pode-se dizer que fazer turismo é uma especialização de um comportamento tipicamente humano, a comunicação no nível da presença física. Fazer turismo, não é comunicar-se a distancia, pelos meios eletrônicos ou através de estímulos visuais ou ainda outros meios. Mas também não é apenas viajar. Ë mais do que isso, é realizar o impulso de ir comunicar-se e ser recebido. Preparar o turismo, portanto, é em primeiro lugar, saber hospedar. Sim porque ninguém volta ao local, casa ou país onde não é bem recebido, e ninguém em são juízo, salvo por motivo imperioso, visita por livre opção, locais onde poderá perder a vida, a liberdade, a dignidade. Receber bem é a base do “Fazer o Turismo”. Hospedar, via de regra cria despesas. Quem hospeda não quer vender, não quer doar seus bens, mas quer receber, proporcionar, seduzir, bem tratar. Quando alguém, de tanto especializar-se na arte de bem receber, faz disso profissão, aí sim poder-se-á “vender” a arte de bem receber, algo num sentido muito restrito: pois tendo ofertado o melhor de si, não lhe é vergonhoso, receber do hospede presentes de gratidão, ou ajuda de custo, sobre as despesas de uma longa hospedagem. O lucro do turismo, (Imagem positiva e relações sociocultural e comercial) e o amadurecimento do turismo é conseqüência da arte de receber. Ou seja, a arte de receber é o alvo, o objeto concreto do Turismo enquanto política publica. A curiosidade, a sede de novidade, a proposição a viajar é o motor do viajante, mas a base do turismo é a arte de hospedar.

Sendo assim: Veja bem.
Vender para paranaenses e brasileiros grandes pacotes internacionais, tem sido via de regra o entendimento dos que vivem profissionalmente do turismo no Brasil e no nosso estado. Obtêm-se lucro dessa predisposição do desejo de comunicar-se. Isso é relativamente fácil quando há crise, angustia, ou dinheiro fácil. Há farto material para ajudar a se obter esse objetivo secundário do turismo. E o Brasil perde divisas. Agora, seduzir, viajantes do mundo todo e hospeda-los aqui, é algo muito mais difícil, dificuldade ampliada pela força do habito cultural.
Voltando ao relacionamento humano como base do turismo.
Em primeiro lugar, o indivíduo que hospeda precisa conhecer a si mesmo, gostar de si, querer ofertar o melhor de si, de sua vida, do lugar onde habita e da sociedade onde vive. Esse segredo é fundamental. Ser verdadeiro, e ter o desejo verdadeiro de receber pessoas, e não de vender-se, explorar pessoas, delas tirar o máximo proveito financeiro de sua visita. Isso, um turismo feito assim, é a visão capitalista da prostituição, o explorar o outro, ou pior, vender-se.
Ofertar turismo é antes de tudo investimento na pessoa que se recebe que trará lucro indireto esta claro, com o tempo, quando as pessoas quiserem voltar e voltar, e se dispuserem então a gastar para conviver nessa agradável companhia natural quase artística, enquanto arte de bem receber, e ação cultural.

Vamos comparar a dinâmica do Turismo de Estado com a hospedagem caseira. Haveremos de ter o espaço, o banho a disposição, a simpatia, à vontade e disponibilidade de levar, trazer, informar, contar, mostrar. Diante de nosso hospedes não queremos vender as nossas filhas, (turismo sexual) nem os objetos de nossa casa (quando muito um presente), nem gostaríamos de ser roubados, nem de levar, a custa de excessivos sacrifícios os nossos hospedes nas nossas costas. Não queremos ofertar orgias, drogas, jogo. Ao menos no meu caso, e na minha casa. Queremos ofertar com sinceridade aquilo que gostamos. Boa gastronomia dança divertimentos razoáveis, convívio, cultura, história, beleza naturais, curiosidades, valores, prazeres lícitos e sociáveis. Essa é a base do convívio sincero.

Portanto, se viajar é o paradigma tradicional do turismo, receber, seduzir e ofertar com responsabilidade é o paradigma real do fazer “Turismo”. Não há vôo sem pista para partir e aterrar, sem ponto de partida e chegada, objetivo a ser atingido, e retorno. Isso, simples assim, temos que reaprender. Turismo é diferente de migração, mas a arte de receber induz à migração, ao desejo de ficar, fim absoluto da sedução, a conquista. Fazer do bom cidadão estrangeiro um cidadão brasileiro.

Quando eu abro um jornal e vejo uma manchete como essa: “Negócios representam 50% do Turismo”, vejo todo o erro de atitude. Nessa perspectiva viajo apenas para comprar coisas, ou o outro. Uma transferencia de opinião, que pressupõe que pessoas “só viajam” para obter lucros em negócios (único atrativo), atitude de pessoas pobres, ou em crise econômica, ou ainda atitude tipicamente comercial e ambiciosa. Isso não é turismo, isso não é lazer, isso é comércio, que pode vir a ser, indiretamente, uma das conseqüências do verdadeiro turismo. Turismo repito é viajar e ser bem recebido resultando no desejo irresistível de ficar ou voltar e em acumulo de conhecimento com acréscimo, ganho, enriquecimento, na esfera pessoal. Isso é o que temos que aprender a ofertar. O mais é conseqüência. Quando um turista é a “vitima” de uma boa sedução, ele se torna o testemunho e o propagador, o divulgador desinteressado. Ele viabiliza o turismo, por sua própria conta e risco, ele é o agente maior do Turismo.

Conhecer-se a si mesmo: (estratégias de ordenamento).
Um arquivo de todos os encantos naturais do estado (conhecer o que se quer mostrar). Depois um arquivo dos serviços, da infra-estrutura hoteleira, das atrações culturais e das curiosidades históricas.

Criatividade:
Um banco de todo o material turístico disponível nos diversos segmentos do ramo, de modo a formar uma base de idéias e de como se formaliza a sedução no turismo mundial e nacional.

Uma central de pesquisa turística (Central Publica):
Um banco de projetos, oriundos tanto dos profissionais do ramo como de estudantes de turismo, de todo o estado em primeiro lugar, e de todo o Brasil se possível.

Investimento:
Elenco de prioridades, como por exemplo;
Educação do cidadão comum para bem receber os brasileiros de outras cidades, ou os estrangeiros;
Serviço de tradutores via telefone, largamente divulgado. De modo que um turista, ou brasileiro que queira bem comunicar, possa por telefone ter um interlocutor. Um operador poliglota.
Priorização do incremento de infra-estrutura, e orientação corretiva do que falta a cada região do estado para bem receber.
Orientação para que cada prefeitura ou comunidade saiba como incrementar o ato de bem receber.
Fontes de recursos, públicos e privados e definição das responsabilidades públicas e privadas.
Criação de um estereótipo estadual e nacional, para facilitar o reconhecimento típico do Paraná ou Brasil.

A sedução é um jogo de relacionamento, onde usamos de criatividade e todos os meios possíveis de cativar e encantar de modo a comunicar os nossos encantos.

A Internet pode ser muito, e muito melhor explorada.
O cinema, naqueles minutos iniciais, pode ser mais bem usado, para a sedução do cidadão no sentido de amar o seu torrão, tanto em outros estados e mesmo dentro do nosso.
A produção de filmes que mostrem os nossos encantos naturais, ou culturais, são ferramentas úteis e eficazes, pois a maioria dos países fez isso, donde se entende também, a utilidade da TV nesse mesmo propósito. Ou seja, a produção cinematográfica nacional deve ter por meta secundaria a divulgação turística, objetivo que geraria recursos oficiais para produção.
A publicidade comercial especifica do “turismo comercial” deverão ser distribuídos internacionalmente através de linhas aéreas, navios, e agencias internacionais de noticias e finalmente pelos próprios turistas.
A publicidade oficial, sempre gratuita.
As revistas de bordo (aviões) e material especifico para uso em navios devem ser criados.
As noticias internacionais (noticiários internacionais e criação de notícias que repercutam positivamente em outros países valorizando o nosso bem receber evitando lavar roupa suja nos noticiários internacionais).
O uso inteligente do viajante como agente e divulgador do bem receber paranaense.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Casamento é solução.

A Família e o Casamento.

Família, a sociedade doméstica, como querem uns, lógica e cronologicamente anterior à sociedade civil, é, pois, uma instituição natural; tão antiga como a humanidade tem suas raízes na própria vida humana, que ela forma gera e aperfeiçoa.
Integrando os dois sexos num principio fisiológico capaz de transfundir a vida, unindo as duas pessoas de sexo diferente na harmonia de qualidades psíquicas que se correspondem, e completam, e aperfeiçoam, formam a sociedade conjugal que é postulada pela própria natureza do homem como condição indispensável de sua existência, formação e aperfeiçoamento.
Os seus fins essenciais – conservar a espécie, garantir o direito fundamental à vida e assegurar a felicidade dos cônjuges (Não pela ausência de sofrimentos e trabalhos, mas pela felicidade do dever cumprido) – acham-se inscritos, com caracteres indeléveis, nos instintos, nas tendências, nas exigências da vida humana.
A finalidade biológica do matrimônio é garantir uma instituição destinada a fundar esta família, a assegurar aos filhos uma casa paterna no verdadeiro sentido da expressão casa. Como diz Bordeaux, casa é criar e fixar um lar. No ponto de vista biológico o casamento só tem um fim, uma razão de ser: a fundação da Família com todos os deveres que comporta a concepção biológica da família humana, isto é, os deveres da formação física e intelectual e, portanto de educação dos filhos. Qualquer divorciado sabe como esses deveres ficam prejudicados com a dissolução da família.
Com o caráter absoluto de um dever, a quantos livremente fundam uma família se impõe a obrigação de respeitar as leis essenciais da sua instituição, baseadas na imutabilidade teleológica, (relativo à “teleologia” campo da filosofia que estuda e especula noções, finalidade e causas finais) das relações naturais entre os sexos.
Do ponto de vista biológico como do ponto de vista moral, a dissolução do casamento é um mal, pois sendo os filhos os credores perpétuos e o fim de toda a associação conjugal, não poderão no caso de uma dissolução ver completada, na forma natural, as suas educações e as suas formações Éticas e Moral.
Muito acima da felicidade individual dos cônjuges pairam os interesses da sociedade. A organização da família não atende só com o bem imediato dos que a constituem, vai repercutir amplamente em todos os domínios da vida coletiva. Chamaram-na, muitas vezes célula da sociedade e da sua estrutura e funcionamento dependem de fato, a conservação e o progresso de todos os organismos sociais.
Mais do que células sociais, a família legitima é a matriz da própria humanidade, o laboratório sagrado onde se prepara se forma, e se conserva a cada instante a sociedade inteira.
Desorganizar e deformar este laboratório são esperar as mais graves desordens na vida social: Não haverá mais um só mecanismo social que possa funcionar normalmente, porque todos recebem da família a norma e o principio de seu movimento. É o jurista que afirma: “Se como concordam juristas e filósofos do Direito sem exceção de um só, salvo algum transloucado, o matrimônio é o fundamento do Estado, pois parece evidente que tanto mais firme será a sua base quanto mais estável o matrimônio. Por onde, conclui-se, atentar contra sua essência é levar o machado à própria raiz do consorcio civil”. Ainda, são os juristas mais prudentes que afirmaram: “considerando o interesse social, a indissolubilidade do matrimônio deve ser sempre a regra de direito comum”.
Enfim de qualquer forma e por quaisquer aspectos que encaremos o problema capital da formação de novas gerações e do recrutamento qualitativo e quantitativo das raças, chegaremos sempre à mesma conclusão: “a família monogâmica é a oficina incomparável onde se elabora a vida nas melhores condições de equilíbrio harmonioso entre as exigências do maior desenvolvimento individual e de maior progresso social.
O divórcio rompe a harmonia natural deste equilíbrio.
Com o divórcio inverte-se a hierarquia dos fins naturais do matrimônio. Já não é a prole que dita à lei da família; é a felicidade individual dos cônjuges que mede a duração de sua convivência. Compara-se em extremo, como se uma pessoa que ao nascer, não gostasse do mundo, e ao invés de melhorá-lo, desiste dele pela via do abandono, ou suicídio.
O direito mais fundamental da criança, depois do direito à vida, é o de ter pai e mãe. Que faz o divórcio da autoridade paterna e materna?
Para firmar a própria estima na alma do filho, cada um dos que outrora se amaram e hoje se odeiam, se esforçará por convencê-lo da própria inocência, isto é da culpabilidade do outro. E isto será feito consciente ou inconscientemente. O pai diminuirá insensivelmente no coração do pequeno a veneração pela mãe: isto irá demolindo progressivamente, por conseqüência, o amor ao pai. A tendência defensiva da criança e isolar-se em si, ou reagir pela rebeldia e rejeição.
É esta a escola de formação do caráter, do desenvolvimento da personalidade que queremos? Se o caráter é feito de princípios, de coerência intra-psíquica, de fidelidade aos compromissos assumidos, que será, então, da força da alma de quem adolesce no ambiente de dois desertores dos próprios deveres mais sagrados?
Por qualquer aspecto que se encare a questão, fisico, econômico e moral, no caso de dispersão de um lar para a construção de “outros lares”, o filho aparecerá sempre e irremediavelmente mutilado em seus direitos, como vitima do egoísmo, das paixões e vicissitudes de seus pais.
O primeiro fator de felicidade conjugal é uma boa escolha reciproca dos que aspiram a percorrer junto o caminho da vida. E uma escolha acertada é naturalmente fruto da reflexão, do exame, da madureza ponderada, inimiga da leviandade e precipitações. Quem pode esperar uma boa escolha no liberalismo e licenciosidade sexual. Quem poderá esperar uma boa escolha na precipitação, ou na idade cada vez mais imatura do inicio das praticas sexuais? É o que vemos. A lei da família que desenvolver no ânimo do jovem estas qualidades preciosas, exame, reflexão, maturidade ponderada, tem toda a possibilidade de lhes assegurar uma eleição feliz e uma alegria triunfal pelo dever cumprido. O exemplo é o norte. O exemplo arrasta.
Aqueles que são chamados ao matrimonio só se tem uma coisa a dizer: “fora do casamento que dura, o homem é um tirano, a mulher uma coisa, o filho um escravo de vicissitudes e circunstâncias”.
Tal a lógica das idéias.
Tal a psicologia dos sentimentos.
Tal é a evidência denunciada pela vida profissional.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Psicólogo.

A Igreja fomento da cultura universal.

A Igreja e a Educação.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Ninguém, em sã consciência, poderá falar em educação no Brasil sem ouvir a Igreja Católica. Inclui-se nesse ninguém a Secretaria de Educação do Estado do Paraná.
Quando Humberto Grande prefaciou a obra de Roberto Alvim Correa que discorria sobre a história da educação no Brasil, fez um pálido elogio, um pálido reconhecimento aos relevantes serviços prestado à educação dos povos pela Igreja e suas ordens religiosas, onde, tiveram sempre, um papel de destaque. Sobretudo na Europa, base da Civilização Ocidental, assim como, também na educação dos povos da America. Naquele prefacio, Humberto nos lembra, que os jesuítas em maior número, e outras ordens católicas em menor número, foram, durante os 200 anos iniciais da America, os verdadeiros educadores das populações. Acertadamente fez referencia ao grande prejuízo sofrido pela educação brasileira com a expulsão dos jesuítas em 1759. Todavia ele nos deixa com a impressão de que com a expulsão dos jesuítas extinguia-se a ação educacional da Igreja no Brasil e no contexto educacional da América, o que não é verdade. Se houve com e expulsão dos jesuítas prejuízo da educação anti-reforma, e da educação formal como um todo, coube às outras ordens continuar com a sua ação educacional e missionária, sempre educadoras e civilizadoras. ( Ver a “Igreja no Brasil” do Pe. Arlindo Rubert, 1981; e ainda: “A Igreja e a Republica” do Pe. Júlio Maria, editora Universidade de Brasília 1981).
Tenho observado que essa falsa impressão tem sido reinteradamente divulgada pelos historiadores, principalmente pelos que, por ideologia, aderem aos ataques gratuitos à Igreja, tentando responsabiliza-la pelo suposto obscurecimento vivido pela humanidade durante a Idade Média. No entanto nem a Igreja tem culpa (pois foi ela que preservou os documentos antigos), nem houve o obscurecimento da Cultura Universal na Idade Media, como hoje, historiadores de renome, começam a legitimar ao aglutinar em torno da “nova tese”.
O fenômeno educacional da Igreja não se restringe ao período das expansões coloniais na America ou é limitado por um espaço geográfico qualquer. A Igreja desde sua instituição pelo próprio Cristo atingiu progressivamente todos os quadrantes do globo terrestre de tal modo, e com tal perseverança, que a Igreja jamais poderá ser acusada de omissão na educação da humanidade.
Ide e ensinai nos disse Cristo.
Quando Jesus Cristo ordenou aos apóstolos ensinar aos povos do mundo, caracterizou como essencial a missão pedagógica da Igreja. A Igreja existe em primeiro lugar para ensinar, educar e transmitir com exatidão. Sendo assim, ela enfrentou desde o inicio, em todos os tempos, em todos os quadrantes, as maiores dificuldades metodológicas e pedagógicas, sistematizando técnicas, aprendendo línguas e costumes, no objetivo de obter sucesso de seu fim missionário diante de línguas e costumes de praticamente todos os povos existentes na terra. Dois mil anos de pratica não podem ser desprezados. Portanto, a Igreja diante da necessidade de comunicar a Boa Nova (a boa noticia, o Evangelho) teve sempre o maior interesse de aprender para poder ensinar e realizar o seu fim missionário.
Mesmo autores historiadores tradicionalmente inimigos da Igreja como Laurent ou Michelet foram obrigados a admitir que os hospitais, os orfanatos, e as escolas de educação formal, incluindo as Universidades como as conheceram hoje, são uma incontestável criação da Igreja e de suas ordens religiosas.
Lembrando que a Biblia quer dizer etmológicamente: “um conjunto de livros”, pode-se também dizer que a Igreja teve como objetivo, desde seus primórdios a missão de “Guardar os Livros” e a tradição (Oral), uma tendência que se expressará pela história da humanidade adentro.
Werner Keller em: “Y La Biblia tenía Razón” nos mostra que os manuscritos autógrafos mais antigos em poder da Igreja datam dos anos cem (100) DC, enquanto os mais antigos em poder dos judeus datam dos anos 900 DC. Os originais em poder da igreja são oitocentos anos mais antigos dos que os dos judeus. Em hebreu existem os fragmentos de Nash e o rolo de Isaias do Mar Morto do ano 100 AC, e são esses os mais antigos documentos originais conhecidos em hebreu, depois ocorre um hiato em língua hebraica ate o ano 916 DC. Já em Grego, mais antigos que os em hebreu, os documentos originais, tem origem entre o ano duzentos e trezentos AC, como a Versão Alexandrina dos Setenta; os fragmentos de Ryland e os fragmentos de Fuad, continuando com farta documentação atem os anos 450 DC. Já os documentos latinos (escritos em Latim) começam pelo ano 100 DC e acumulam-se ate os nossos dias. Esse o Patrimônio da Igreja.
Guardar e ensinar resultaria em bibliotecas portentosas, entre elas, a que primeiro se sobressai, foi à fundada pelo Bispo Alexandre em Jerusalém no terceiro século de nossa era. Segue-se, em importância, a de São Damaso em Roma. Ficaram célebres também na historia do conhecimento e da cultura universal as bibliotecas organizadas nas Catedrais de Chartres e Reins e aquelas que nasceram em conventos como a de São Galo, Monte Cassino; Monthe Athos e a de Santa Catarina, essa última, que isolada no deserto da península do Sião, preservou um monumental tesouro da cultura universal. Hoje, negue quem puder, a Biblioteca do Vaticano é uma das mais importantes do mundo contemporâneo, seja pelo numero de impressos e manuscritos lá encontrados, seja pelo valor histórico e cientifico desses documentos.
Neste mesmo sentido, quando os bárbaros , pagão, invadiram o Império Romano, como todos sabem; e posteriormente os Hunos vieram dizimar o território europeu, concordam unanimemente todos os historiadores que já tive a oportunidade de pesquisar, que a Igreja se viu obrigada a esconder e proteger, como nunca, preciosos volumes. Alguns historiadores afirmam que dessa necessidade, e dessa proteção, nasceram algumas outras bibliotecas valiosas, católicas (universais) e secretas, constituídas inclusive por documentos religiosos e filosóficos ou científicos, cristãos e pre- cristãos, de origem hebraica, grega, egípcia, árabe, persa, hindu, chinesa e romana.
Não fosse o zelo da Igreja e de suas ordens religiosas mais antigas dificilmente se conheceria nos dias de hoje, por exemplo, as obras de Aristóteles e através dele as de Platão.
Juliano, historiador marxista, reconheceu que se não fosse a Igreja, mais de 80% do que hoje conhecemos sobre o mundo antigo teria se perdido. O mundo seria diferente com essa provável perda do conhecimento passado. Sendo assim, tampouco conheceríamos o que hoje conhecemos. Se não fossem os amanauenses, os monges copistas, que com arte e paciência copiaram, comentaram e divulgaram, antes da imprensa existir, não conheceríamos os livros importantes que certamente determinaram e serviram de base a origem da civilização contemporânea.
Ensina-nos a “Historia da Educação” que são quase inseparáveis as noções de “Educação Formal” com a noção de escrita e de leitura. Com a escrita começa o período “Histórico da Humanidade”. Livros, memória escrita, bibliotecas e escolas sistematizadas são como um elo que ligam a ciência e a cultura universal insofismavelmente à Igreja. Neste ultimo sentido a Historia ira testemunhar que a primeira atitude racional e política prevendo a sistematização de uma ordem, ou uma vontade governamental dirigida para a alfabetização da população, foram à incomum atitude de Carlos Magno que sob a supervisão de Alduino, monge e sábio católico, estrutura pela primeira vez na historia da humanidade, a “Escola Formal” durante o oitavo século de nossa era. Quem quiser pesquisar encontrará também verdadeiras escolas modernas nos mosteiros do décimo século de nossa era. Depois, em testemunho do que digo, vieram as escolas Catedralícias, anexas às Catedrais, e voltadas para o ensino formal complexo (humanidades).
Jamais se poderá negar, e não se pode deixar de lembrar, que as Universidades, no exato sentido do termo, são também insofismavelmente filhas da Igreja. O Papa Inocêncio III fundou a Universidade de Paris. São também obras da Igreja, apesar de muitos pensarem ser obras de protestantes as Universidades de Oxford na Inglaterra em 1168; e a de Cambridge (ambas fundadas antes da reforma protestante). Montpallier; Orleans; Toulouse; Avignhon; Pontiers; todas na França são filhas da Igreja. Na Espanha; a Universidade de Validolid em 1346 obra do Papa Clemente VIU e posteriormente Salamanca. Em Portugal; o Estúdio de Lisboa em 1290; o Estúdio de Braga em 1347. Na Alemanha Heidelberg em 1385 e Colônia obra dos dominicanos em 1388; e Erfurt fundada pelos franciscanos e reconhecida em 1379. Daqueles anos para cá eu não ousaria enumerar o imenso número de universidade católicas criadas no planeta e também não ousaria enumerar as outras instituições de ensino médio e fundamental promovidas pela Igreja nos cinco continentes. Faltaria espaço.
Na America não foi diferente, em 1538 o Papa Paulo III mandou erigir a Universidade de Santo Domingo, a primeira de toda a América. Pio V em 1571 funda a Universidade de Lima, a Segunda em toda a América. Em 1580 o Papa Gregório XIII autoriza a Universidade de Santa Fé de Bogotá, sendo essa a terceira na America. A primeira Universidade do Brasil, essa republicana e secular, foi a Universidade do Paraná, fundada em 1912.
Concluindo, quem poderá negar o papel da Igreja na educação da humanidade. Julgo, porém, necessário lembrar outro fato bem esquecido e negligenciado pelos historiadores da Educação. As missas, enquanto espaço de predicação coletiva, veículo de homilias inteligentes e construtivas, espaço de leituras, transmitindo coletivamente valores morais que balizam o convívio em sociedade, fossem elas praticadas nas catacumbas de Roma, nas Universidades, ou nas paróquias, foram, no inicio da Igreja, e serão sempre, ad aeternum, escolas de civismo e moral, que com sua ação ininterrupta, desde os primórdios da Igreja, construiu a solida consciência cívica dos verdadeiros cristãos, em sociedade.
Ainda que se possa dizer que tais atos religiosos não ensinam, a ler e escrever diretamente, ninguém poderá negar sua ação civilizadora e o amor aos livros santos, e aos livros em geral, que a todos inspira.
Concluo, portanto, que não haverá verdadeiro debate na área educacional, no Brasil e no Paraná, se não houver o concurso e a convocação da Igreja. Pois a Igreja não ensina apenas doutrina religiosa, mas ensina valores morais, deduzidos dos Mandamentos de Deus na sua universalidade de aplicação, não apenas uma “Ética” temporal e sectária deduzida da filosofia dos costumes, e da “racionalidade” de uma dada e particular cultura. Deus tem sido à base de todo o sistema Deontológico com alguma estabilidade, mas é em Deus Filho, o Verbo Encarnado, que se humaniza, à vontade e inteligência de Deus, numa base objetiva. Essa é à base do mundo Cristão. Caso contrário, e digo isso por convicção religiosa, a Igreja, relegada ao segundo plano na educação do povo, além de representar uma traição ao Cristo Nosso Senhor, que não será perdoada (o pecado contra o Espirito de Deus não será perdoado), poder-se-ia dizer também que as conseqüências serão graves. E as conseqüências já estão ai. Perde-se o rumo e o controle social dos homens, pela força intrínseca do livre querer individual que se desvia.
Se não bastassem os argumentos que cito acima, ainda afirmo que o IBOPE aponta a Igreja como a instituição nacional que detêm o maior índice de credibilidade popular no Brasil. E isso é politicamente significativo. Negar-lhe, na educação brasileira, e paranaense, o espaço na responsabilidade de educar, é deseducar, ou contra educar, ao povo, desviando-o de seus valores morais e induzindo-o ao erro e a desorientação moral absoluta. É conduzi-los como ovelhas sem pastor aos valores transitórios e instáveis, gerando, pela conseqüência, uma sociedade instável nas suas relações sociais. E uma sociedade instável nos valores gera injustiça e a injustiça gera violência como conseqüência imediata. A sociedade ateia e “o cristianismo não religioso e secular” conduz e induz, resultando numa sociedade gerida pelo Direito todo fundado na base consuetudinária, revelando-se, aos olhos de quem quer ver, o retrato do Caos.

Wallace Requião de Mello e Silva
Pesquisa & texto.

O autor é irmão do Governador Roberto Requião, pesquisador, articulista, e Psicólogo profissional.

Silos para o desenvolvimento.

Silos, silos e silos.

Anos passados tive a oportunidade de descer em motocicleta desde Quebec margem esquerda do Rio São Loureço no Canadá até Sault Ste. Marie localidade situada no estreito que existe entre o Lago superior e o Lago Hurion. Por ali temos uma opção para deixar o Canadá e ingressar nos EUA pelo estado de Michigan. Continuei viagem com destino a Saint Paul nos EUA. Percorri alguns mil quilômetros em uma região semi temperada e úmida devida a proximidade com os Grandes Lagos.
A primeira coisa que um viajante brasileiro nota, ao percorrer aquelas estradas canadenses, é o brilho metálico dos grandes silos, e o uso da aviação agrícola, e da aviação de pequeno porte de um modo popularizado.
Áreas imensas, e grande número de Silos. Dizem alguns entendidos que o frio intenso do hemisfério norte tem uma relação direta com o desenvolvimento das culturas e da técnica. A necessidade de vestimentas, e de preservação de comida durante os longos meses de inverno, e a vida confinada, propicia o cenário para o desenvolvimento da culinária, do convívio humano, da partilha das necessidades e das tarefas.
Hoje produzimos no Brasil pouco mais de 127 milhões de toneladas de grãos e não vemos grandes silos e armazéns. Nem percebemos a olhos vistos a presença de silos em propriedades.
Em 1987, Ariovaldo Ferraz Arruda, empresário em Londrina e então presidente da Associação Nacional de Armazéns Gerais fazia na revista Veja uma denuncia gravíssima. Numa reportagem titulada “Uma Safra Recorde ao Relento”, ele observava que o Paraná naquele ano, quando o Brasil produzia apenas 62 milhões de toneladas o nosso estado carecia de mais, pelo menos sessenta unidades para guardar 7,5 milhões de toneladas previstas para aquele ano. Muito pouco se fez de lá para cá. Em 1987 ele calculava que seriam necessários 4014 (quatro mil e quatorze caminhões de 40 toneladas cada um para fazer a silagem móvel e salvar boa parte da safra. O problema das filas no porto é mesmo muito velho, e eu pude encontrar testemunhos do fenômeno desde a década de cinqüenta, agravando-se nos anos setenta. Quando Ariovaldo publicou o seu texto 1987 as filas eram enormes. Segundo Susan George, no seu livro “O Mercado da Fome” e o próprio presidente da ANAG, a armazenagem esta no centro do problema da fome no país.
Os silos e armazéns trazem vantagens imediatas e flagrantes.
1) Os grãos podem ser mantidos por um grande espaço de tempo, e, portanto podem deixar de ser comercializados de afogadilho.
2) Haverá espaço para silagem de estoques reguladores e para a reserva de sementes.
3) A exportação pode ser feita em etapas, dentro de um programa de racionalização e não às pressas, por não termos onde guarda-las.
4) A presença de grandes estoques de grão em solo nacional estimula a semi ou mesmo a industrialização total dos grãos agregando-lhes valor de exportação e criando empregos.
5) As perdas diminuiriam sensivelmente, pois em 87, a Fundação Getúlio Vargas declarava que o Brasil havia perdido 20% do arroz; 40 % do feijão; 25% do Milho; 10% da soja e 10% do trigo.
6) Somente a silagem pode dar um equilíbrio entre produção, consumo e divisas. Única maneira real de combate a fome, Ter excedentes e distribui-los racionalmente e socialmente no seio sociedade.
7) Não se pode pensar apenas, como queria a ANAG em Privatizar os silos e armazéns, primeiro porque essa realidade é mantida propositadamente pelos grandes grupos privados que comercializam os grãos ou vendem semente e defensivos. Cabe a cada produtor investir em seu silo, no âmbito de sua propriedade, como fazem os canadenses, e ao governo, em parceria com o governo federal e municipal, a criação dos silos e armazéns de grande porte. Hoje vamos produzir somente no Paraná 27 milhões de toneladas, que serão como de costume vendidas no afogadilho, exportadas as pressas no fim da safra, com Grandes lucros para grupos como Luís Dreifus; ADM; Monsanto-Cargil; Dupont e Bunge Y Borg, por exemplo, ou todas as suas outras fachadas.

Finalizando transcrevo aqui a palavra de ordem que aquele presidente da ANAG, já tardiamente, é preciso que se diga, propunha aos brasileiros, e eu proponho aos paranaenses. “ARMAZENAGEM PROTEGIDA PRODUÇÃO GARANTIDA”

Wallace Requião de Mello e Silva

O Ringue da Vida.

O Ringue.

Luta, luta , luta. Todos acham que a vida é uma luta. Devemos nos preparar, atualizar, estudar, porque a concorrência é grande. Temos que lutar, vencer, superar aos nossos concorrentes. Imagem irreal e falsa, absolutamente falsa.
Ringue, como todos sabem é o palco das lutas. Etmológicamente, ao menos na acepção mais provável vem do inglês “ring”, palavra que quer dizer, em português, anel, círculo, espaço limitado. Esse espaço onde homens lutam em busca da vitoria, uns sobre os outros. Fosse à vida uma luta, o mundo seria um ringue. Coloque cinco lutadores em um ringue e não se podem esperar cinco vencedores, não é lógico. Ora, mas se existem seis bilhões de pessoas no planeta, e o mundo é um ringue, a lógica demonstra que é falso esperar grande numero de vencedores. A luta parece então absurda, inútil ate, uma ilusão criada para que os homens continuem o lutar desesperado e assim tornaren-se escravos e lona dos vencedores. Muitos séculos atrás Jesus Cristo já houvera desmistificado esse perverso sistema, mostrando que a vida não é luta, mas Amor, solidariedade, fraternidade. Luta-se sim contra os elementos, o frio, a fome, as doenças, para poder conviver, e solidariamente viver, dividindo o pão, revolvendo a terra, gerando filhos, amando a Deus e ao próximo. A conquista pela força haverá sempre de esconder-se atras de discurso hipócritas, para subverter a paz, a solidariedade, a partilha, em nome do mais profundo individualismo da ideologia dos vencedores. Nenhuma fera, nenhuma doença conseguiu vencer os homens coletivamente, e coletivamente os homens se fizeram homens como obra de Deus. “E Deus viu que ao homem não era bom estar só, e lhe fez uma companheira”,... Criava-se insofismavelmente a Sociedade Domestica natural, modelo, a sociedade solidaria escola de todas as outras sociedades humanas que dela derivam a Família. Ali se apreende a partilha, ali se reparte o pão; ali se resiste ao individualismo; ali se vence os elementos em conjunto; ali se perpetua a vida e a espécie; ali se vive as experiências do amor e se reconhece as diversas funções da vida em sociedade, a hierarquia da vida, a autoridade da vida; e o amor de Deus. Fora dela podemos gerar vida, mas não educá-la. Podemos ter filhos no egoísmo. Fora da família, ou na família em luta, a vida começa a se tornar um ringue, um anel, um círculo de luta onde a disputa, entre macho e fêmea, se define como modelo para a vida egoísta, narcisista, individualista, pessoal, onde temos o outro, mas não somos possuídos, pois somos vencedores lutadores dominadores, patrões, donos, homens e mulheres que uma vez em pé e libertos da servidão da derrota, elevamos os punhos fechados de vencedores aos céus, tendo na lona, os filhos e parentes mais próximos como os primeiros derrotados. Fora da família sadia nós não somos sócios de uma empresa que gera indivíduos para a sociedade humana.
Mas, “ring”, a palavra inglesa, também quer dizer aliança, laço profundo que fazem os homens entre si para viverem em paz e entendimento, laço profundo que fez o Creador com a criatura, de tal intimidade e ligação que nos fez sua imagem e semelhança, condição para o convívio espiritual, na ordem, na hierarquia operacional e social, na compreensão do poder, não como razão de ser, mas como instrumento coletivo de exercício da convivência humana solidaria. Temos de escolher. Ou viver a ilusão de sermos vencedores à custa do espolio de nossos semelhantes, pisando as suas cabeças a qualquer preço e por quaisquer meios, ou viver, pelo contrário em aliança solidaria com eles, coexistindo com os outros homens e mulheres que Deus permitiu existir, e exercendo por amor de Deus nosso pai comum, a responsabilidade social tão mais profunda quanto maior a nossa posição hierarquia de colaboradores e servidores do próximo, da vida, de Deus como agente da dignidade de cada um e de todos os homens diante do imenso universo que nos tolera. Em outras palavras diante de Deus, criador do Universo, que em uma de suas ínfimas e incontáveis bolinhas, a terra, tolera esses seres humanos, aos quais amou e ama de tal modo que entregou seu filho Nosso Senhor, para que percebesse-mos ao pendurá-lo no madeiro, o que a sociedade de vencedores estava fazendo com o amor. Cuspia-mos nele, mutilava-mos, torturava-mos e crucificava-mos o Amor, para sermos enfim os “vencedores”. Hoje, longe de termos aprendido a lição do sacrifício do amor, a cada dia que saímos para a “luta” do cotidiano, humilhamos alguém, derrotamos alguém, pisamos em alguém, crucificamos alguém, matamos alguém, para enfim subirmos sozinhos ao pódio das ilusões com os bolsos cheios do dinheiro inútil produzido com o suor, a vida e a humilhação alheia. Gritarás de olhos fixos nas estrelas longínquas: VENCI,... E a voz ressoará sussurrante nos confins do universo solitário sem encontrar resposta ate que os cabelos brancos sejam a marca da derrota, o tempo a prova da frustração dos músculos frouxos, as pernas bambas, a vista fraca e a morte certa. Venci Senhor? Perguntarás na fraqueza e solidão. Ó Deus, eu não posso, enfim, derrotar-te? Sou um perdedor solitário... Amparado nas minhas ilusões. Destro... indo? Sinistro... indo? Passo a passo. Indo,...ando..., derrot...ando, te negando. ando; innnnnnnnnnnndomado. Suminnnnnnnndo.
Então para que tentar vencer-te? Não bastaria amar-te e amá-los todos como Tu me tens amado?

Wallace Requião de Mello e Silva.

Alemão?

O Ramo Alemão da Família Requião.
Por: Wallace Requião.

Não estou em busca de nobres origens, ou vaidosos feitos históricos, quero apenas ampliar o círculo de conhecimento objetivo sobre nossos antepassados, avaliar suas influencias sobre as gerações, e identificar as vocações dos membros formadores da Família Requião de Mello e Silva. Pretendo, do resultado obtido, desenvolver uma tese geral sobre a hereditariedade, ambiente e profissão.
Tarefa bem difícil é organizar uma árvore genealógica de uma família. Se você considerar, que em vinte gerações, temos 1024 pessoas, ou 512 casais diretamente envolvidos com apenas um dos membros em investigação,(isso quando não ocorrem segundas núpcias), percebe-se a dificuldade da trama. Raramente as pessoas conhecem o nome de seus antepassados além da terceira geração. Trata-se portanto de verdadeiro garimpo.
Escolhido, por mim, o Governador do Paraná, Roberto Requião, como um ponto inicial da pirâmide hereditária, investigada nessa fase, encontramos pela sua linha materna, um ramo alemão já na terceira geração. O que corrobora, indiretamente com o nome Requião, que embora sendo toponímico português têm origem claramente Sueva, e raízes góticas como afirma Farid Mansur Guerios, ou como certa feita nos alertava Elvídio Ferrari segundo informações colhidas da Enciclopédia Portuguesa Brasileira, em 6 de junho de 1985.
Minha primeira investigação, no entanto, lançou luzes de ascendência familiares nas cidades de São Francisco e Itajaí em Santa Catarina, assim como Curitiba, Guarapuava e Prudentópolis, no Paraná e agora, com essas ultimas investigações, esbarro em patrimônio na Freguesia de Belém, município de Castro.
Um jornal em data de 24 de março de 1957, sob o titulo de Relíquias do Passado, conta-nos uma boa história de Gaspar Leopoldo Bischof.
Nascido em 4 de janeiro de 1826, oriundo da agricultura em Elmen, distrito de Reutter no Tirol. Personalidade incomum, agricultor, que numa atitude rara e aventureira para um humilde homem do campo, esteve na Suíça, (Suissa conforme a grafia do Jornal à época) Prússia e França, se bem interpretei a argumentação do autor.
No ano em que o Paraná alcançou sua emancipação política, Gaspar estava em Jerusalém com um visto datado de 7 de abril de 1853, expedido pelo consulado da Áustria em Jerusalém. De língua alemã, católico, teve uma vida riquíssima em aventuras que alternavam entre a arte escultórica religiosa e obras ferroviárias. Esteve no Egito e em Constantinopla. Sabe-se que trabalhou no atelier do mundialmente famoso escultor alemão, Ludwig Eberle ate 11 de fevereiro de 1860. Curiosamente dois anos depois, casar-se-ia em Guarapuava, em 16 de outubro de 1862, com Ema Joana Keinert, ela natural de Hanover (Annover), e filha de Cristiano Keinert e Carolina Siofia Wriigent (conforme a grafia do jornal). Tiveram 9 filhos, não fica claro, todavia, se em Guarapuava ou em Castro. Em 1957, havia em Guarapuava, ainda vivo, um de seus descendentes, Paulo Bischof.
Gaspar Leopoldo Bischof faleceu em Guarapuava em 21 de outubro de 1894. Numa próxima visita a Guarapuava vou procurar o seu tumulo e melhores informações.
Mas que relação, você pode estar se perguntando, tem isso com os Requião de Mello e Silva? Acontece que Ema Joana Keinert, tudo indica, pelo nome de seus pais, era irmã do bisavô de Requião, o alemão Carl Heirrich Cristian Keinert, filho de Heirrich Cristian Ciriacus Keinert e Sophie Caroline, natural de Wiegand. Portanto, Cristiano e Sofia Keinert eram os trisavôs do Governador Requião e pais de Ema.
Car Heirrich Cristian Keinert, alemão e irmão de Ema, casou-se com uma gaúcha, Luzia Soares de Abreu Keinert, em Guarapuava no ano de 1860, e uma das filhas do casal, Cristiana (Abreu) Keinert casou-se em Guarapuava, com Euclides Requião em 26 de dezembro do ano de 1900 sendo esses dois últimos os avós do Requião, e pais da mãe do Governador. O casal teve oito filhos.Tanto os trisavós, como o bisavô de Requião e avô de sua mãe, como vemos, pela linha materna, eram naturais da Alemanha. Em anexo fac-símile do documento de saída da Alemanha de Carl Henrrich Cristian Keinert que provavelmente viajou em companhia de seus pais e irmãos, documento datado de 17 de julho de 1853. Em 1857 já estavam em Guarapuava tendo desembarcado, tudo indica, em Santa Catarina.
Euclides (Lopes) Requião, que era filho de Luiz Antonio Requião, natural da Bahia (e que já exercia profissão no Paraná desde 1874) e de Gertrudes Lopes (natural de Niterói, que mudara ao Paraná com seu pai, o gráfico Candido Martins Lopes em 1853) possuiu uma gráfica em Guarapuava e um hotel em Prudentopolis (entre 1903/1908). Em anexo foto do casal Euclides Requião e Cristiana Keinert Requião , ambos faleceram na cidade do Rio de Janeiro.
Curiosamente o governador Requião casou-se com uma catarinense, com raízes riograndenses, natural de Joaçaba, e de origem teuto-italo-prussiana, que surpreendentemente mantém traços de arquetipica tradição cigana.

Wallace Requião de Mello e Silva.
O Patriarca Requião.

Embora seja o primeiro dos Requião a chegar ao Paraná, Luiz Antônio Requião, o patriarca, cuja vida, em alguns aspectos continua nebulosa, é o motivo principal quer tenho para elaboração desse artigo. Lançar alguma luz.
Luiz Antônio é o bisavô do Governador Roberto Requião pela linha materna. Pai, portanto, de Euclides Requião, avô pela linha materna, do Governador.
Dele não se conhece imagem. Ele era um Abraão, um homem que deixou tudo, e veio para a “Terra Prometida”, o Paraná, embora, não por uma promessa de Deus, mas a serviço da Igreja e do Imperador Dom Pedro II. Era natural da Bahia. Assumiu o Posto de Inspetor Geral de Rendas Publicas do Governo Imperial, algo como Coletor de Impostos, tomando posse, conforme documento original, em 17 de Junho de 1849, na nossa, então, 5a Comarca de São Paulo. Embora haja uma insegurança nessa data, que pela grafia do documento, tanto pode ser 1849 ou 1879, e trinta anos fazem diferença. Fazem diferença porque a primeira diz respeito ao período histórico anterior a emancipação do Paraná e a segunda é posterior, embora ambas, ainda no período imperial. Advogo que seja a primeira, pois tendo se casado em 1861 haveria, Luiz Antônio, de estar empregado e seguro. Nunca pude saber se veio ao Paraná, em nome da Igreja, ou se veio assumir o tal cargo do Império.
Um número considerável de documentos, assinados por ele, existentes no Arquivo Publico do Paraná, sugerem que ele informava as estatísticas da Comarca, dando ciência ao imperador, ou aos seus servidores mais graduados, e coletava os impostos. Se tomarmos como exatos os numero que nos trazem as anotações do historiador Romário Martins, podemos aquilatar a importância que haveria de ter tal cidadão. O Paraná todo, possuía então, (1858) 69.380 (sessenta e nove mil e trezentos e oitenta) habitantes e inexistia estrada transitável por rodas. A região de Curitiba tinha cerca de 6000 almas, e nesse contexto, um Coletor Imperial haveria de ter sua importância social.

Desde 1811, com a atuação de Pedro Joaquim Correia de Sá, o Paraná ansiava pela emancipação. Embora houvesse outros movimentos emancipatorios, como o de Bento Viana em 1821, ou a Revolução Liberal de 1842, foi mesmo no Senado Imperial, que se resolveu a emancipação de nosso Estado. Não seria temerário afirmar, que desses informes e impostos transferidos, por Luz Antônio Requião, algo de positivo possa ter tido peso e influência na questão da emancipação, que foi como já disse, ato eminentemente político, liberando, ao menos administrativamente, o nosso estado, do seu vizinho São Paulo. Embora a emancipação política de nosso estado tenha ocorrido em 1853, sob o ponto de vista econômico, nosso estado continua sendo sugado, pelo estado vizinho, que faz o papel de um mini EUA, dentro do Brasil. Os paranaenses não parecem ter perfeita consciência desse fenômeno, que faz e mantém o Paraná um escravo do estado vizinho. ( escreverei sobre isso).
Antiga tradição familiar nos conta, porém, que ao chegar ao Paraná, Luiz Antônio, era ainda um “Formigão”, um seminarista que portava o habito religioso carmelita sem ter feito, no entanto, seus votos permanentes. O uso de seminaristas no serviço do Império era algo comum, pois esses eram primorosamente alfabetizados, conheciam o latim, contabilidade, e humanidades, além, é claro, de noções do direito Eclesial e Civil. Alguns padres tiveram vida notável na política do Paraná como, por exemplo, o Pe. Francisco Chagas Lima, e, na verdade, em todo o Brasil. Luiz Antônio, diferentemente, não fez carreira sacerdotal, casando-se, como já eu disse, em 1861 com uma das filhas de Cândido Martins Lopes, o prestigiado fundador de nosso primeiro jornal.
Cláudio Veiga, atual presidente da Academia Baiana de Letras, em recente livro sobre a vida do deputado e empresário da imprensa baiana, Altamirano Requião, o emérito fundador e proprietário do prestigiado jornal baiano “Diário de Noticias”; relatando um pouco de seus familiares e antepassados baianos que se espalharam pelo Brasil, nos dá algumas pistas sobre a localidade de origem de Luiz Antônio Requião. Município de Cachoeira, na Bahia, seria o seu verdadeiro berço.
Sabemos, pela “Genealogia Paranaense”, de Francisco Negrão, que era filho de seu homônimo, Luiz Antônio Requião e Constância Maria Dias, ambos baianos. Casou-se em 31 de Agosto de 1861, em Curitiba, com a jovem Gertrudes da Silva Lopes, ela era natural do Rio e uma (a quarta) entre os dez filhos de Cândido Martins Lopes. Cândido que era tipógrafo, jornalista, Juiz de Paz, e chefe de polícia, além de ser o prestigiado fundador do primeiro jornal do Paraná emancipado: “O Dezenove de Dezembro”. Gertrudes Lopes, agora senhora Luiz Antônio Requião, era pianista. Pequenina, um dos seus sapatos, guardado pela família, é quase um sapato de criança, embora tenha tido ela, grande vigor e muitos filhos.
Seus oito filhos:
(1) Edmundo Requião, nascido em 9 de Agosto de 1862 e casado com Francisca Leal Requião em 24 de Dezembro de 1887. Foi comerciante em Paranaguá e Foz do Iguaçu. (paira sobre ele se era ou não militar, (Major telegrafísta), pois seu nome está definitivamente ligado a história da fundação da cidade de Prudentópolis e da Vila Militar de Foz do Iguaçu). Seu nome é encontrado também na ata de fundação da Santa Casa de Misericórdia em Curitiba, e na história dos primórdios de Foz do Iguaçu. Francisco Negrão, no entanto, em obra de 1934, o apresenta como próspero comerciante em Foz e Paranaguá.
Edmundo e Francisca tiveram três filhos.
(2) Virgílio Requião casado com Rosa Gonçalves Guimarães Requião. Virgílio Requião era homem tão forte que estourava uma maçã, apenas apertando-a com a mão.
(3) Constança Requião, falecida em 1881.
(4) Getúlio Requião, casado com Cândida Pereira Requião.
(5) Euclides (Lopes) Requião (Avô Materno do Governador) casado em 26 de Dezembro de 1900, em Guarapuava com Cristhiana Keinert. Teve próspero comercio em Curitiba, gráfica em Guarapuava e Hotel em Prudentópolis. Faz parte, com Lívio Moreira, e outros, dos históricos fundadores da Radio Clube Paranaense, a primeira radio do Estado. Euclides e Cristiana tiveram oito filhos.
(6) Aníbal Requião (Patrono do Cinema no Paraná, fundador do Cine Smart) casado em 15 de Junho de 1897 com Carolina Correia Requião ela filha do Comendador Prisciliano Correia. Aníbal foi o autor das primeiras imagens cinematográficas das Cataratas do Iguaçu e Sete Quedas, fundador das Papelarias Requião, da Livraria Econômica, da Casa Vítrix, e do primeiro cinema do Paraná, que é segundo minha pesquisa, seis anos anterior ao célebre cinema de Francisco Serrador.
Aníbal e Carolina tiveram três filhos.
(7) Judith Requião, solteira.
(8) Esther Requião Von Meien (a garota que recebeu Dom Pedro II em 1880, conforme registrou a imprensa, e o acompanhou em sua carruagem do Caminho da Graciosa ao Palácio Avenida (Rua das Flores com Rua da Liberdade, que era a sede do Governo); ela viúva de Artur von Meien. Fundaram, em Curitiba a Casa Cristal.
Tiveram eles oito filhos.

Desses oito filhos enumerados acima, frutos de Luiz Antônio Requião e Gertrudes, e netos, obviamente, descendem, praticamente todos os Requião do Paraná.

Wallace Requião de Mello e Silva.