Coordenação da Auditoria Cidadã da Dívida
OBS: Se os senhores (as) leitores prestaram a atenção ao discurso do governador Requiâo nessa semana em Foz do Iguaçu, perceberam que a crítica feita ao Senador Alvaro dias, cabia sim, e era conveniênte, pois o "Discurso de Requião", fundamentava-se no fato de que os recursos público continuam servindo para pagar juros, e o que sobra, apenas o que sobre é repassado aos municipios, para prestar os erviços necessários à população Brasileira. As razõs do argumento, estão escritas no texto abaixo, leia, por fafor com muita atenção.
A dívida externa apresentou crescimento agressivo na década de 70, quando os bancos privados se encontravam abarrotados de petrodólares gerados pela alta do preço do petróleo no mercado internacional e também devido aos reflexos monetários decorrentes da decisão dos EUA de desvincular o dólar do ouro.
O Brasil se encontrava submetido à ditadura militar e não havia qualquer transparência sobre o endividamento galopante da época, tendo a dívida externa saltado de cerca de US$ 5 bilhões em 1970 para US$ 85 bi em 1982, apesar de termos pago US$ 99 bilhões a título de juros e amortizações no período. Em meio a tremenda crise financeira mundial provocada principalmente pela elevação unilateral das taxas de juros internacionais pelos EUA, em 1983 o Brasil ingressou em sucessivas renegociações desfavoráveis e onerosas com os bancos privados internacionais, permeadas por forte interferência do FMI, tanto no processo de endividamento como na economia nacional, por meio dos programas de ajuste fiscal. Em 1995 houve a transformação de grande parte da dívida em títulos – bônus Brady – operação que exigiu que o Brasil comprasse garantias no valor de US$3, 8 bilhões somente para dar segurança ao mercado. A partir de 1995, acelerou-se a emissão de vários outros títulos da dívida externa.
Em 2005, quando a dívida externa ultrapassava o patamar de US$ 200 bilhões, a dívida externa teve outra relevante redução explicada principalmente pelo pagamento antecipado ao FMI no valor de US$ 15,5 bilhões, cujos juros eram de cerca de 4% ao ano. Simultaneamente a esse pagamento da dívida com o FMI, verificou-se que o Brasil acelerou a emissão de títulos da dívida externa a taxas de juros muito mais elevadas, variando de 7,5 a 12% ao ano, e aumentou o endividamento “interno” a juros de 19% ao ano na época (sendo que os investidores externos ganharam 35% devido à variação cambial). Desta forma, a dívida simplesmente mudou de mãos. Deixamos de dever ao FMI para dever àqueles que adquiriram os títulos da dívida externa e “interna”, que renderiam muito mais aos seus detentores. Além de trocar dívida mais barata por dívida mais cara, não ficamos livres das imposições do FMI, tais como a realização de elevado superávit primário, reforma da previdência, privatizações, liberdade de capitais, dentre outras.
Desta forma, continuamos pagando a dívida externa, que alcançou o patamar de US$ 267 bilhões em 2008, apesar da propaganda de que somos credores, inclusive perante o FMI. Há um grande equívoco em deduzir que “a dívida externa acabou” ante a simples comparação entre o atual montante da dívida externa e o imenso volume de reservas internacionais acumuladas pelo Brasil, em torno de US$ 230 bilhões atualmente. Em primeiro lugar, tal simplificação leva a uma distorção de nossas reais obrigações e compromissos com o exterior, pois a dívida externa não é o único componente do passivo externo brasileiro1. Em segundo lugar, a dívida externa nos obriga ao pagamento de juros e demais comissões e taxas que representam um custo anual de cerca de 10%, em média, ao passo que as reservas internacionais encontram-se, em sua grande maioria, aplicadas em títulos da dívida norte-americana que não rendem quase nada. O mais grave é que para acumular esse enorme “colchão” de reservas, desde 2006 o Brasil tem emitido grande quantidade de títulos da dívida interna para atender ao apetite dos investidores internacionais que buscam aqui as maiores taxas de juros reais do mundo, além de moeda que se valoriza frente ao dólar e total liberdade de capitais. Só recentemente o ingresso de capitais passou a ser tributado em 2% a título de IOF, o que é desprezível se considerarmos que o ganho real dos estrangeiros que investiram em títulos da dívida interna em 2009 já alcança 50%. Esse fabuloso ganho decorre da desvalorização cambial de 36% e da taxa de juros praticada de 10% em média (1,36 x 1,1 = 1,5).
Portanto, apenas mudamos de credor, pois continuamos pagando não ao FMI, mas a esses novos credores, a juros altíssimos, muito mais onerosos do que o que pagávamos ao FMI.
Em 2008 o pagamento de juros e amortizações da dívida brasileira (interna e externa) consumiu R$ 282 bilhões, equivalentes a 30,57% do Orçamento Geral da União executado. Observe-se que nesse montante não esta incluída a “rolagem”, ou seja, o pagamento de principal (amortizações) por meio da emissão de novos títulos. Essa sangria de recursos para pagar dívida tem impedido a realização de investimentos. Os recursos dos tributos pagos pela sociedade estão sendo drenados para a dívida e não para a melhoria dos serviços de saúde, educação, segurança, infra-estrutura, etc.
Há um jogo financeiro. A propaganda de que não devemos encobre a verdade. Os números mostram a barbaridade a que chegamos: Dívida Interna já ultrapassou o patamar de R$1, 8 trilhão; Dívida Externa de US$ 267 bilhões e o “mercado” colocando o Brasil de joelhos para cumprir os compromissos de juros que vencem todos os dias, ou seja, embora a SELIC esteja em 8,75% o Tesouro Nacional só conseguiu vender os títulos da dívida interna nos últimos leilões a 13%. É o “mercado” exercendo a pressão pré-eleitoral, pois sabe que todo governante fará tudo para evitar uma moratória no final de seu mandato. FHC chegou a pagar juros de 20% em 2002 e teve que recorrer ao FMI. Até quanto vão exigir de Lula?
Como enfrentar essa situação? O primeiro passo é conhecer a realidade dessa dívida: como ela surgiu e como chegou a essa situação exorbitante, apesar de décadas de pagamentos excessivos a título de juros e amortizações, além da entrega de quase todo o patrimônio nacional por meio das privatizações. O instrumento para o conhecimento da dívida é a AUDITORIA, procedimento previsto na Constituição Federal de 1988 (nunca cumprido), mas já aplicado no passado, no governo Getúlio Vargas, quando se obteve redução de cerca de 40% tanto do estoque da dívida como do fluxo de pagamentos.
A atual CPI da Dívida Pública em funcionamento na Câmara dos Deputados constitui um importante passo no sentido da investigação da dívida pública brasileira; uma oportunidade para que a sociedade conheça o caráter dessa dívida. Para que possa investigar, a CPI precisa de tempo e não pode ser engavetada apenas 4 meses após sua instalação, principalmente porque grande parte dos requerimentos de informações dirigidos às autoridades monetárias foram respondidos de forma insuficiente ou ainda encontram-se pendentes.
É preciso estimular o debate sobre a questão da dívida pública, para que a sociedade compreenda a verdadeira razão pela qual não há recursos para atender às necessidades prementes do povo em serviços de saúde, educação, moradia, emprego, e nem recursos para investimentos produtivos, avolumando-se as injustiças que fazem crescer a violência em nosso país.
Coordenação da Auditoria Cidadã da Dívida
Colaboração Lineu Santos, aposentado da Copel e Lactec.
Wallacereq@gmail.com
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Petróleo e a Amazônia
O Petróleo Brasileiro e a Amazônia Legal Brasileira.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Documentos históricos dão ciência de que a humanidade faz uso do petróleo há pelo menos 4000 anos antes de Cristo. Povos antigos como os do Egito, Mesopotâmia e Pérsia utilizavam o betume para pavimentar estradas, calafetar, aquecer e iluminar as casas. Na Biblia encontramos o uso do betume por Noé que calafetou a sua arca por dentro e por fora como lemos em Gêneses capitulo seis versículo 14. Em Heródoto, (século V) considerado o pai da história encontraremos registros do uso de petróleo como lubrificante, linimento e até como laxativo. Documentos dos missionários católicos europeus, também afirmam que Incas e Astecas faziam largo uso de petróleo. A arqueologia tem demonstrado que os chineses em tempos muito primitivos chegaram a perfurar poços de petróleo de ate mil metros de profundidade e conduziam o óleo com bambus para pavimentação de estradas. Esse uso também foi encontrado na Mesopotâmia e entre Incas e Astecas. Posteriormente se comprovou que os grandes blocos das pirâmides estavam unidos com betume, e o petróleo era usado para embalsamar as múmias. Alexandre da Macedônia, o Grande, já houvera observado petróleo na região onde hoje se situam os principais países produtores do Oriente Médio. Hoje, segundo publicação do Serviço de Comunicação Social da Petrobrás, o petróleo responde por mais de 70% (quase 80%) da energia utilizada em todo o Mundo. Esta ultima frase já denuncia a importância estratégica de uma nação possuir o seu próprio petróleo livre da ingerência estrangeira. Mas se consideramos também as importantes informações contidas em um relatório da ONU[1] do ano de 1994, onde se afirma que pouco mais que 40% do petróleo consumido no primeiro mundo é obtido no terceiro mundo, mostra, não só que o mundo sofre de um dependência de petróleo, mas essa dependência, principalmente no Primeiro Mundo, aponta o Terceiro como principal produtor. Ou seja, o Primeiro Mundo dependerá, energeticamente, em um curto período de tempo dos recursos oriundos dos países pobres. Inverte-se o quadro. Por isso os ricos precisam quebrar as resistências políticas e legais que, prudentemente, indicam as vantagens de se manter reservas estratégicas nos países pobres. Daí a globalização.
No Brasil, no final do século XIX surgiram os primeiros pedidos de concessão de exploração de olíferos destinados à iluminação. Coube a José de Barros Pimentel inaugurar essa fase de exploração em 1858, portanto um ano antes de Edwin Drake, considerado como pai da indústria petroleira, ter descoberto petróleo na Pensilvânia, EUA. Pimentel explorou o Xisto Betuminoso nas margens do rio Maraú na Bahia. Seis anos depois, em 1864, um decreto imperial beneficiava o inglês Thomas Dennys Sargent que deveria, assim autorizado, pesquisar Turfa, petróleo e outros minerais na localidade de Ilhéus e Camamu, também na Bahia. Desse período de pesquisa a partir de sinais superficiais de presença de óleo, registram-se em Taubaté, SP aonde se chegou a resultados razoáveis na exploração do Xisto Betuminoso. À medida que crescia o interesse crescia a consciência nacional, e também o uso e aplicação do petróleo, que crescia com o surgimento comercial dos automóveis e caminhões por volta de 1900, assim as legislações vão surgindo, vai garantindo os interesses sobre o ouro negro. Pouco depois, surge a Primeira Guerra Mundial.
No Brasil o governo cria o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB) que fura o seu primeiro poço em Marechal Mallet no Paraná. Em 1925 o SGMB nas primeiras sondagens na Amazônia encontra gás natural na localidade de Itaituba no Pará. Em 1932, em Uruguaiana no RG o Brasil já tinha sua primeira refinaria comercial. Segui-se a refinaria de São Caetano do Sul em SP (1936) do Grupo Matarazzo & Co. E a Refinaria Ipiranga S.A. na cidade do Rio Grande. Foram as primeiras. Todavia em 1933 a pesquisa passou a ser orientada pelo DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) ligado ao ministério da Agricultura, O quadro mundial agravava-se com a eclosão da Segunda Guerra em 1938, com a guerra criou-se no Brasil o CNP (Conselho Nacional do Petróleo) em substituição ao DNPM e foi precisamente em 21 de janeiro de 1939 que jorrou petróleo pela primeira vez no Brasil na localidade de Lobato em Salvador Bahia. Em 1941 tivemos o nosso primeiro Campo Comercial de Petróleo no Recôncavo Baiano e em 1942 o segundo em Aratu, Itaparica também na Bahia. Ai operou o primeiro oleoduto brasileiro em 1949. Tudo fruto da pressão e necessidade da guerra. Em 1950 já havíamos descoberto o Campo de Água Grande na BA, inaugurado a Refinaria de Mataripe na Bahia; tínhamos construído o primeiro navio “Petroleiro” nacional e por lei havíamos defendido e integrado ao patrimônio territorial soberano, as águas territoriais brasileiras, com a inclusão da plataforma continental no território Brasileiro, fato que por si só demonstra que se conhecia o potencial petrolífero do Brasil no mar, (hoje a plataforma é responsável pelo grosso da nossa produção)... Tudo por obra de Getúlio Vargas, e pressão de interesse internacionais envolvidos na guerra.
Em 1951 já funcionava o oleoduto de Santos. Em 3 de outubro de 1953 Getúlio criava pela lei 2004 a Petrobrás pela qual a União exploraria o petróleo proibindo a exploração aos estrangeiros. Começariam as pressões contra Getúlio que resultariam na sua morte.
Hoje as pesquisas geológicas e geofísicas apontam algumas grandes bacias como possíveis fornecedoras de petróleo no Brasil. A Bacia Paleozóica do Amazonas, que percorre toda a extensão do Rio Amazonas, desde o Acre até a ilha de Marajó. A Bacia Paleozóica do Maranhão que cobre todo o estado do Maranhão e boa parte do Pará. A Bacia Paleozóica do Sul que vai do Mato grosso ao Rio Grande do Sul, passando pelo sul de Minas, Oeste de São Paulo, Paraná e Santa Catarina todas serem pesquisadas e exploradas. Recente descoberta foi feita no Paraná pela companhia de Saneamento do Paraná que ao furar poço artesiano encontrou petróleo a trezentos metros de profundidade em uma área que já fora estudada pela Petrobrás. Essa descoberta confirma ainda mais a minha suposição. Somam-se a elas as bacias terciárias e cretáceas de Pelotas; Campos; já em exploração; Espirito Santo; já em exploração; Recôncavo Baiano; já em exploração; Potiguar no Rio Grande do Norte já em exploração, Alagoas também em exploração, Acre em estudo, Macapá em exploração, Marajó em exploração todas com alguma produção significativa e crescente. Mas não para ai. O Brasil é o segundo em reservas mundiais de Xisto. Do xisto, embora um pouco mais caro pode-se tirar tudo que se retira do óleo. Ele ocorre em todo o solo nacional, com destaque para o xisto Permiano da formação de Irati que vem desde o norte de São Paulo ate Uruguaiana no Rio Grande do Sul região na qual se encontrou óleo no Paraná. Se considerarmos, dizem os técnicos as ocorrências de xisto tais como: xisto terciário do Vale do Paraiba em São Paulo; xisto cretáceo do Maranhão; xisto Cretáceo do Alagoas; xisto cretáceo do Ceará; xisto cretáceo da Bahia; xisto permiano da formação Santa Brígida; xisto da formação Irati; xisto do Amapá e o xisto devoniano do Pará e Amazonas seremos capazes de produzir mais de 740 BILHÕES de barris de petróleo, sem considerar-mos os poços de petróleo em atividade, e os a serem explorados no futuro. A tecnologia vem sendo desenvolvida com sucesso na Refinaria Presidente Vargas em Araucária no Paraná. Cada barril tem 176 litros. Vocês percebem o interesse internacional sobre as fontes energéticas do Brasil? Agora considere o álcool, produzido dos dejetos da floresta Amazônica, do sorgo, da soja, da mandioca, da batata doce; considere o óleo vegetal combustível da soja, do girassol, do sorgo, do dendê, e de outras sementes tipicamente amazônicas e caules de arvores oleaginosos; considere agora as hidroelétricas, o potencial de material radioativo encontrado em nosso subsolo (inclusive no Paraná), os minerais suportes da siderurgia, da petroquímica e a energia eólica..., (originada do vento), aliás, sendo a planície amazônica uma área com altitude media de apenas duzentos metros sobre o nível do mar, e imensa, ocorrem fortes ventos em direção ao litoral em dada hora do dia, invertendo o sentido em determinada hora da noite prestando-se para o uso eólico de produção de energia elétrica limpa, gerada no Brasil do Norte, quiçá também no Nordeste. Considere agora o Linhito, ou Linhita como dizem outros trilhões de toneladas existentes em imensas jazidas na Amazônia e o combustível para aviões a jato desenvolvido a partir do Linhito, na Califórnia, EUA, extraído totalmente desse rico e calórico mineral, e você começa a entender o nível da cobiça sobre o Brasil e sobre a Amazônia. Mais do que isto, recentemente o ex. Presidente do Conselho de Ciência e Tecnologia do Ministério das Minas e Energia; o físico Bautista Vidal, aquele que implantou o Pró-álcool no país, em palestra ao primeiro escalão do governo do Paraná, chamou-nos a atenção, a nós paranaenses, para a imensa gama de bio-combustiveis que podem ser produzidos no Brasil sobremodo na Amazônia Legal. Compreendeu, meu caro leitor, o que isso nos aponta, indica, define e desenha como futuro econômico do Brasil? Olhe de frente esses fatos, pesquise, encare o futuro com desassombro. O Brasil já é um gigante, embora um tanto adormecido, como canta o Hino Nacional. Urge despertar a Nação Brasileira. Tocar os clarins do despertar. Ao trabalho cento e noventa milhões de pares de mãos operosas. O mundo haverá de depender, não exagero, do povo cosmopolita e solidário, e sobremodo, do território soberano brasileiro.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Pesquisa. & texto
Escrito em Curitiba; 9 de Fevereiro de 2004.
[1] Publicado em Artigo de Minha autoria na Folha de Londrina.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Documentos históricos dão ciência de que a humanidade faz uso do petróleo há pelo menos 4000 anos antes de Cristo. Povos antigos como os do Egito, Mesopotâmia e Pérsia utilizavam o betume para pavimentar estradas, calafetar, aquecer e iluminar as casas. Na Biblia encontramos o uso do betume por Noé que calafetou a sua arca por dentro e por fora como lemos em Gêneses capitulo seis versículo 14. Em Heródoto, (século V) considerado o pai da história encontraremos registros do uso de petróleo como lubrificante, linimento e até como laxativo. Documentos dos missionários católicos europeus, também afirmam que Incas e Astecas faziam largo uso de petróleo. A arqueologia tem demonstrado que os chineses em tempos muito primitivos chegaram a perfurar poços de petróleo de ate mil metros de profundidade e conduziam o óleo com bambus para pavimentação de estradas. Esse uso também foi encontrado na Mesopotâmia e entre Incas e Astecas. Posteriormente se comprovou que os grandes blocos das pirâmides estavam unidos com betume, e o petróleo era usado para embalsamar as múmias. Alexandre da Macedônia, o Grande, já houvera observado petróleo na região onde hoje se situam os principais países produtores do Oriente Médio. Hoje, segundo publicação do Serviço de Comunicação Social da Petrobrás, o petróleo responde por mais de 70% (quase 80%) da energia utilizada em todo o Mundo. Esta ultima frase já denuncia a importância estratégica de uma nação possuir o seu próprio petróleo livre da ingerência estrangeira. Mas se consideramos também as importantes informações contidas em um relatório da ONU[1] do ano de 1994, onde se afirma que pouco mais que 40% do petróleo consumido no primeiro mundo é obtido no terceiro mundo, mostra, não só que o mundo sofre de um dependência de petróleo, mas essa dependência, principalmente no Primeiro Mundo, aponta o Terceiro como principal produtor. Ou seja, o Primeiro Mundo dependerá, energeticamente, em um curto período de tempo dos recursos oriundos dos países pobres. Inverte-se o quadro. Por isso os ricos precisam quebrar as resistências políticas e legais que, prudentemente, indicam as vantagens de se manter reservas estratégicas nos países pobres. Daí a globalização.
No Brasil, no final do século XIX surgiram os primeiros pedidos de concessão de exploração de olíferos destinados à iluminação. Coube a José de Barros Pimentel inaugurar essa fase de exploração em 1858, portanto um ano antes de Edwin Drake, considerado como pai da indústria petroleira, ter descoberto petróleo na Pensilvânia, EUA. Pimentel explorou o Xisto Betuminoso nas margens do rio Maraú na Bahia. Seis anos depois, em 1864, um decreto imperial beneficiava o inglês Thomas Dennys Sargent que deveria, assim autorizado, pesquisar Turfa, petróleo e outros minerais na localidade de Ilhéus e Camamu, também na Bahia. Desse período de pesquisa a partir de sinais superficiais de presença de óleo, registram-se em Taubaté, SP aonde se chegou a resultados razoáveis na exploração do Xisto Betuminoso. À medida que crescia o interesse crescia a consciência nacional, e também o uso e aplicação do petróleo, que crescia com o surgimento comercial dos automóveis e caminhões por volta de 1900, assim as legislações vão surgindo, vai garantindo os interesses sobre o ouro negro. Pouco depois, surge a Primeira Guerra Mundial.
No Brasil o governo cria o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB) que fura o seu primeiro poço em Marechal Mallet no Paraná. Em 1925 o SGMB nas primeiras sondagens na Amazônia encontra gás natural na localidade de Itaituba no Pará. Em 1932, em Uruguaiana no RG o Brasil já tinha sua primeira refinaria comercial. Segui-se a refinaria de São Caetano do Sul em SP (1936) do Grupo Matarazzo & Co. E a Refinaria Ipiranga S.A. na cidade do Rio Grande. Foram as primeiras. Todavia em 1933 a pesquisa passou a ser orientada pelo DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) ligado ao ministério da Agricultura, O quadro mundial agravava-se com a eclosão da Segunda Guerra em 1938, com a guerra criou-se no Brasil o CNP (Conselho Nacional do Petróleo) em substituição ao DNPM e foi precisamente em 21 de janeiro de 1939 que jorrou petróleo pela primeira vez no Brasil na localidade de Lobato em Salvador Bahia. Em 1941 tivemos o nosso primeiro Campo Comercial de Petróleo no Recôncavo Baiano e em 1942 o segundo em Aratu, Itaparica também na Bahia. Ai operou o primeiro oleoduto brasileiro em 1949. Tudo fruto da pressão e necessidade da guerra. Em 1950 já havíamos descoberto o Campo de Água Grande na BA, inaugurado a Refinaria de Mataripe na Bahia; tínhamos construído o primeiro navio “Petroleiro” nacional e por lei havíamos defendido e integrado ao patrimônio territorial soberano, as águas territoriais brasileiras, com a inclusão da plataforma continental no território Brasileiro, fato que por si só demonstra que se conhecia o potencial petrolífero do Brasil no mar, (hoje a plataforma é responsável pelo grosso da nossa produção)... Tudo por obra de Getúlio Vargas, e pressão de interesse internacionais envolvidos na guerra.
Em 1951 já funcionava o oleoduto de Santos. Em 3 de outubro de 1953 Getúlio criava pela lei 2004 a Petrobrás pela qual a União exploraria o petróleo proibindo a exploração aos estrangeiros. Começariam as pressões contra Getúlio que resultariam na sua morte.
Hoje as pesquisas geológicas e geofísicas apontam algumas grandes bacias como possíveis fornecedoras de petróleo no Brasil. A Bacia Paleozóica do Amazonas, que percorre toda a extensão do Rio Amazonas, desde o Acre até a ilha de Marajó. A Bacia Paleozóica do Maranhão que cobre todo o estado do Maranhão e boa parte do Pará. A Bacia Paleozóica do Sul que vai do Mato grosso ao Rio Grande do Sul, passando pelo sul de Minas, Oeste de São Paulo, Paraná e Santa Catarina todas serem pesquisadas e exploradas. Recente descoberta foi feita no Paraná pela companhia de Saneamento do Paraná que ao furar poço artesiano encontrou petróleo a trezentos metros de profundidade em uma área que já fora estudada pela Petrobrás. Essa descoberta confirma ainda mais a minha suposição. Somam-se a elas as bacias terciárias e cretáceas de Pelotas; Campos; já em exploração; Espirito Santo; já em exploração; Recôncavo Baiano; já em exploração; Potiguar no Rio Grande do Norte já em exploração, Alagoas também em exploração, Acre em estudo, Macapá em exploração, Marajó em exploração todas com alguma produção significativa e crescente. Mas não para ai. O Brasil é o segundo em reservas mundiais de Xisto. Do xisto, embora um pouco mais caro pode-se tirar tudo que se retira do óleo. Ele ocorre em todo o solo nacional, com destaque para o xisto Permiano da formação de Irati que vem desde o norte de São Paulo ate Uruguaiana no Rio Grande do Sul região na qual se encontrou óleo no Paraná. Se considerarmos, dizem os técnicos as ocorrências de xisto tais como: xisto terciário do Vale do Paraiba em São Paulo; xisto cretáceo do Maranhão; xisto Cretáceo do Alagoas; xisto cretáceo do Ceará; xisto cretáceo da Bahia; xisto permiano da formação Santa Brígida; xisto da formação Irati; xisto do Amapá e o xisto devoniano do Pará e Amazonas seremos capazes de produzir mais de 740 BILHÕES de barris de petróleo, sem considerar-mos os poços de petróleo em atividade, e os a serem explorados no futuro. A tecnologia vem sendo desenvolvida com sucesso na Refinaria Presidente Vargas em Araucária no Paraná. Cada barril tem 176 litros. Vocês percebem o interesse internacional sobre as fontes energéticas do Brasil? Agora considere o álcool, produzido dos dejetos da floresta Amazônica, do sorgo, da soja, da mandioca, da batata doce; considere o óleo vegetal combustível da soja, do girassol, do sorgo, do dendê, e de outras sementes tipicamente amazônicas e caules de arvores oleaginosos; considere agora as hidroelétricas, o potencial de material radioativo encontrado em nosso subsolo (inclusive no Paraná), os minerais suportes da siderurgia, da petroquímica e a energia eólica..., (originada do vento), aliás, sendo a planície amazônica uma área com altitude media de apenas duzentos metros sobre o nível do mar, e imensa, ocorrem fortes ventos em direção ao litoral em dada hora do dia, invertendo o sentido em determinada hora da noite prestando-se para o uso eólico de produção de energia elétrica limpa, gerada no Brasil do Norte, quiçá também no Nordeste. Considere agora o Linhito, ou Linhita como dizem outros trilhões de toneladas existentes em imensas jazidas na Amazônia e o combustível para aviões a jato desenvolvido a partir do Linhito, na Califórnia, EUA, extraído totalmente desse rico e calórico mineral, e você começa a entender o nível da cobiça sobre o Brasil e sobre a Amazônia. Mais do que isto, recentemente o ex. Presidente do Conselho de Ciência e Tecnologia do Ministério das Minas e Energia; o físico Bautista Vidal, aquele que implantou o Pró-álcool no país, em palestra ao primeiro escalão do governo do Paraná, chamou-nos a atenção, a nós paranaenses, para a imensa gama de bio-combustiveis que podem ser produzidos no Brasil sobremodo na Amazônia Legal. Compreendeu, meu caro leitor, o que isso nos aponta, indica, define e desenha como futuro econômico do Brasil? Olhe de frente esses fatos, pesquise, encare o futuro com desassombro. O Brasil já é um gigante, embora um tanto adormecido, como canta o Hino Nacional. Urge despertar a Nação Brasileira. Tocar os clarins do despertar. Ao trabalho cento e noventa milhões de pares de mãos operosas. O mundo haverá de depender, não exagero, do povo cosmopolita e solidário, e sobremodo, do território soberano brasileiro.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Pesquisa. & texto
Escrito em Curitiba; 9 de Fevereiro de 2004.
[1] Publicado em Artigo de Minha autoria na Folha de Londrina.
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Economia.
Silos para o desenvolvimento.
Silos, silos e silos.
Anos passados tive a oportunidade de descer em motocicleta desde Quebec margem esquerda do Rio São Loureço no Canadá até Sault Ste. Marie localidade situada no estreito que existe entre o Lago superior e o Lago Hurion. Por ali temos uma opção para deixar o Canadá e ingressar nos EUA pelo estado de Michigan. Continuei viagem com destino a Saint Paul nos EUA. Percorri alguns mil quilômetros em uma região semi temperada e úmida devida a proximidade com os Grandes Lagos.
A primeira coisa que um viajante brasileiro nota, ao percorrer aquelas estradas canadenses, é o brilho metálico dos grandes silos, e o uso da aviação agrícola, e da aviação de pequeno porte de um modo popularizado.
Áreas imensas, e grande número de Silos. Dizem alguns entendidos que o frio intenso do hemisfério norte tem uma relação direta com o desenvolvimento das culturas e da técnica. A necessidade de vestimentas, e de preservação de comida durante os longos meses de inverno, e a vida confinada, propicia o cenário para o desenvolvimento da culinária, do convívio humano, da partilha das necessidades e das tarefas.
Hoje produzimos no Brasil pouco mais de 127 milhões de toneladas de grãos e não vemos grandes silos e armazéns. Nem percebemos a olhos vistos a presença de silos em propriedades.
Em 1987, Ariovaldo Ferraz Arruda, empresário em Londrina e então presidente da Associação Nacional de Armazéns Gerais fazia na revista Veja uma denuncia gravíssima. Numa reportagem titulada “Uma Safra Recorde ao Relento”, ele observava que o Paraná naquele ano, quando o Brasil produzia apenas 62 milhões de toneladas o nosso estado carecia de mais, pelo menos sessenta unidades para guardar 7,5 milhões de toneladas previstas para aquele ano. Muito pouco se fez de lá para cá. Em 1987 ele calculava que seriam necessários 4014 (quatro mil e quatorze caminhões de 40 toneladas cada um para fazer a silagem móvel e salvar boa parte da safra. O problema das filas no porto é mesmo muito velho, e eu pude encontrar testemunhos do fenômeno desde a década de cinqüenta, agravando-se nos anos setenta. Quando Ariovaldo publicou o seu texto 1987 as filas eram enormes. Segundo Susan George, no seu livro “O Mercado da Fome” e o próprio presidente da ANAG, a armazenagem esta no centro do problema da fome no país.
Os silos e armazéns trazem vantagens imediatas e flagrantes.
1) Os grãos podem ser mantidos por um grande espaço de tempo, e, portanto podem deixar de ser comercializados de afogadilho.
2) Haverá espaço para silagem de estoques reguladores e para a reserva de sementes.
3) A exportação pode ser feita em etapas, dentro de um programa de racionalização e não às pressas, por não termos onde guarda-las.
4) A presença de grandes estoques de grão em solo nacional estimula a semi ou mesmo a industrialização total dos grãos agregando-lhes valor de exportação e criando empregos.
5) As perdas diminuiriam sensivelmente, pois em 87, a Fundação Getúlio Vargas declarava que o Brasil havia perdido 20% do arroz; 40 % do feijão; 25% do Milho; 10% da soja e 10% do trigo.
6) Somente a silagem pode dar um equilíbrio entre produção, consumo e divisas. Única maneira real de combate a fome, Ter excedentes e distribui-los racionalmente e socialmente no seio sociedade.
7) Não se pode pensar apenas, como queria a ANAG em Privatizar os silos e armazéns, primeiro porque essa realidade é mantida propositadamente pelos grandes grupos privados que comercializam os grãos ou vendem semente e defensivos. Cabe a cada produtor investir em seu silo, no âmbito de sua propriedade, como fazem os canadenses, e ao governo, em parceria com o governo federal e municipal, a criação dos silos e armazéns de grande porte. Hoje vamos produzir somente no Paraná 27 milhões de toneladas, que serão como de costume vendidas no afogadilho, exportadas as pressas no fim da safra, com Grandes lucros para grupos como Luís Dreifus; ADM; Monsanto-Cargil; Dupont e Bunge Y Borg, por exemplo, ou todas as suas outras fachadas.
Finalizando transcrevo aqui a palavra de ordem que aquele presidente da ANAG, já tardiamente, é preciso que se diga, propunha aos brasileiros, e eu proponho aos paranaenses. “ARMAZENAGEM PROTEGIDA PRODUÇÃO GARANTIDA”
Wallace Requião de Mello e Silva
Anos passados tive a oportunidade de descer em motocicleta desde Quebec margem esquerda do Rio São Loureço no Canadá até Sault Ste. Marie localidade situada no estreito que existe entre o Lago superior e o Lago Hurion. Por ali temos uma opção para deixar o Canadá e ingressar nos EUA pelo estado de Michigan. Continuei viagem com destino a Saint Paul nos EUA. Percorri alguns mil quilômetros em uma região semi temperada e úmida devida a proximidade com os Grandes Lagos.
A primeira coisa que um viajante brasileiro nota, ao percorrer aquelas estradas canadenses, é o brilho metálico dos grandes silos, e o uso da aviação agrícola, e da aviação de pequeno porte de um modo popularizado.
Áreas imensas, e grande número de Silos. Dizem alguns entendidos que o frio intenso do hemisfério norte tem uma relação direta com o desenvolvimento das culturas e da técnica. A necessidade de vestimentas, e de preservação de comida durante os longos meses de inverno, e a vida confinada, propicia o cenário para o desenvolvimento da culinária, do convívio humano, da partilha das necessidades e das tarefas.
Hoje produzimos no Brasil pouco mais de 127 milhões de toneladas de grãos e não vemos grandes silos e armazéns. Nem percebemos a olhos vistos a presença de silos em propriedades.
Em 1987, Ariovaldo Ferraz Arruda, empresário em Londrina e então presidente da Associação Nacional de Armazéns Gerais fazia na revista Veja uma denuncia gravíssima. Numa reportagem titulada “Uma Safra Recorde ao Relento”, ele observava que o Paraná naquele ano, quando o Brasil produzia apenas 62 milhões de toneladas o nosso estado carecia de mais, pelo menos sessenta unidades para guardar 7,5 milhões de toneladas previstas para aquele ano. Muito pouco se fez de lá para cá. Em 1987 ele calculava que seriam necessários 4014 (quatro mil e quatorze caminhões de 40 toneladas cada um para fazer a silagem móvel e salvar boa parte da safra. O problema das filas no porto é mesmo muito velho, e eu pude encontrar testemunhos do fenômeno desde a década de cinqüenta, agravando-se nos anos setenta. Quando Ariovaldo publicou o seu texto 1987 as filas eram enormes. Segundo Susan George, no seu livro “O Mercado da Fome” e o próprio presidente da ANAG, a armazenagem esta no centro do problema da fome no país.
Os silos e armazéns trazem vantagens imediatas e flagrantes.
1) Os grãos podem ser mantidos por um grande espaço de tempo, e, portanto podem deixar de ser comercializados de afogadilho.
2) Haverá espaço para silagem de estoques reguladores e para a reserva de sementes.
3) A exportação pode ser feita em etapas, dentro de um programa de racionalização e não às pressas, por não termos onde guarda-las.
4) A presença de grandes estoques de grão em solo nacional estimula a semi ou mesmo a industrialização total dos grãos agregando-lhes valor de exportação e criando empregos.
5) As perdas diminuiriam sensivelmente, pois em 87, a Fundação Getúlio Vargas declarava que o Brasil havia perdido 20% do arroz; 40 % do feijão; 25% do Milho; 10% da soja e 10% do trigo.
6) Somente a silagem pode dar um equilíbrio entre produção, consumo e divisas. Única maneira real de combate a fome, Ter excedentes e distribui-los racionalmente e socialmente no seio sociedade.
7) Não se pode pensar apenas, como queria a ANAG em Privatizar os silos e armazéns, primeiro porque essa realidade é mantida propositadamente pelos grandes grupos privados que comercializam os grãos ou vendem semente e defensivos. Cabe a cada produtor investir em seu silo, no âmbito de sua propriedade, como fazem os canadenses, e ao governo, em parceria com o governo federal e municipal, a criação dos silos e armazéns de grande porte. Hoje vamos produzir somente no Paraná 27 milhões de toneladas, que serão como de costume vendidas no afogadilho, exportadas as pressas no fim da safra, com Grandes lucros para grupos como Luís Dreifus; ADM; Monsanto-Cargil; Dupont e Bunge Y Borg, por exemplo, ou todas as suas outras fachadas.
Finalizando transcrevo aqui a palavra de ordem que aquele presidente da ANAG, já tardiamente, é preciso que se diga, propunha aos brasileiros, e eu proponho aos paranaenses. “ARMAZENAGEM PROTEGIDA PRODUÇÃO GARANTIDA”
Wallace Requião de Mello e Silva
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